5 Dicas para Aliar a Meditação à Corrida

Se você já pratica a meditação há algum tempo, deve ter percebido que esta técnica simples pode trazer muitos benefícios ao ser incorporada a um grande número de atividades cotidianas. Através da meditação somos capazes de vivenciar estados elevados de consciência mesmo nas ocasiões mais rotineiras, e isso é algo que pode provocar mudanças duradouras em nossas vidas, uma vez que quanto mais consciente vivermos, mais felizes e equilibrados seremos.

Uma das atividades em que se começa a usar as técnicas de meditação para obter melhores resultados é a corrida. De fato, correr se tornou uma das atividades físicas mais populares nos últimos tempos, pois se trata de uma forma muito simples e eficaz exercitar o corpo, exatamente como a meditação, uma técnica que também é marcada pela simplicidade e pela eficácia, mas que ao invés do condicionamento físico, destina-se ao aprimoramento da mente.

De alguma maneira, os objetivos mais transcendentes da meditação, entre os quais estão a aquisição da sabedoria, a eliminação do sofrimento e a experiência do êxtase místico, podem acabar dando a ideia de que a meditação é sinônimo de abandono e despreocupação com o corpo. Contudo, por mais que seja preciso uma espécie de distanciamento do veículo físico nos momentos mais elevados da meditação, isso não significa necessariamente que a mente deva receber mais privilégios que o corpo.

Não é preciso escolher qual dos dois, mente ou corpo, é o mais importante. Ambos são partes naturais de quem somos, e ao aprendermos a nos relacionar com elas naturalmente nos sincronizamos e nos tornamos aquilo que realmente somos: um todo. E esta sincronização dá origem a um sentimento que em muitos aspectos é bastante aproximado daquilo que os místicos chamam de realização espiritual.

Por outro lado, há muito tempo os benefícios do treinamento do corpo são bem conhecidos pela maioria. Isso porque estes benefícios sempre foram facilmente documentados, já que é possível vê-los, mensurá-los e registrá-los. Hoje em dia, no Ocidente, cada vez mais os benefícios da meditação são evidenciados através, principalmente, da pesquisa neurocientífica. A seguir apresentamos 5 dicas de como aproveitar a meditação para a corrida, baseados na obra de Correndo com a Mente Meditativa (em inglês), de Sakyong Mipham:

Dica 1: plena consciência

Esta primeira dica consiste em simplesmente trazer a mente para qualquer atividade está sendo desempenhada, e observá-la de uma maneira imparcial. Na corrida, podemos estar conscientes de nossa respiração, da forma como nossos pés tocam o solo e do balançar de nossos braços ao longo do corpo. Voltar a consciência para o que estamos fazendo pode ser muito saudável.

Os parâmetros de plena consciência não são muito rígidos nem muito soltos. Evite ser demasiado rígido ou descontraído na forma como foca sua a mente sobre os movimentos de seu corpo. Enquanto corremos, a mente se revitaliza e se refresca quando reconhecemos, mesmo que apenas por um momento, que estamos correndo, que estamos presentes e respirando.

Nesse momento, não estamos absorvidos em preocupações sobre o futuro ou em recordações e arrependimentos vindos do passado. O simples ato de correr acaba se tornando uma espécie de técnica nova e imediata para realinhar todo nosso ser – mente e corpo – ao que está acontecendo aqui e agora. Em um nível prático, ao estarmos atentos somos capazes de perceber como nos sentimos fisicamente. Desta forma, podemos dizer se estamos exagerando ou se podemos ultrapassar certos limites.

Dica 2: apreciação que traz alegria

Durante qualquer atividade, é importante saber apreciar o que estamos fazendo, e encontrar diversão. Quando nos esquecemos de apreciar as etapas da corrida, perdemos uma preciosa oportunidade de colocar esta atividade em perspectiva e valorizá-la no quadro geral de nossas vidas, reconhecendo imediatamente a sua importância, nos próprios momentos em que estamos correndo.

Os pensamentos são muito poderosos, e tal como acontece com o corpo, os efeitos de como você trata a sua mente geram resultados imediatos. A valorização das ações traz perspectiva para a mente, criando flexibilidade mental e um saudável sentido de auto-identidade. Podemos usar esta apreciação como um atalho para experimentar a felicidade interna que está sempre disponível, não importa o que esteja acontecendo em nossas vidas. Ao cultivar a disciplina de relaxamento e apreciação somos capazes de desfrutar de qualquer atividade.

Isso ainda diminui a chance de nos preocuparmos enquanto estamos correndo, permitindo experimentar momentos de diversão, reconhecimento e aproveitamento dos benefícios decorrentes ​​daquilo que estamos fazendo. A capacidade de apreciar é um sinal de que nossa mente está relaxando e expandindo o seu campo de compreensão. A apreciação tem o poder de reforçar os benefícios de qualquer atividade física, justamente porque agrega à ela um sentimento de alegria.

Dica 3: desafio

Outro aspecto da interatividade entre mente e corpo consiste na constatação dos benefícios do desafio. Em qualquer atividade cotidiana, inclusive na corrida e na meditação, sempre haverá desafios. Ao invés de vê-los como problemático, podemos considerá-los como simples fronteiras para o crescimento e o empoderamento. Desta forma, aprendemos a focar no lado positivo, vendo onde e como podemos melhorar.

Na corrida, isso funciona quando nos desafiamos fisicamente para correr um pouco mais longe ou mais rápido. Na meditação aliada à corrida, quando nos desafiamos mentalmente a permanecer mais presentes. Na meditação, aceitar o desafio corresponde à não escapar do tédio ou do desconforto, mas permanecer em prática e relaxar, aceitando a forma como as coisas são.]

Estamos acostumados a não deixar fluir os momentos desafiadores. Muitas vezes entramos em pânico. No entanto, quando aceitamos aqueles momentos e apreciamos os desafios, a mente intensifica sua força e sua profundidade. Ela agora se torna mais capaz ainda de aproveitar o que quer que esteja acontecendo, e deste modo a vida como um todo se torna duas vezes mais interessante.

Além disso, o desafio é uma parte natural da vida. Ele nos permite uma expansão para além de nosso apego ao conforto, e passar sem medo por novas experiências. Sem a capacidade de apreciar desafios, tanto a meditação como o treino se tornam mera rotina. É muito fácil perceber quando isso acontece, já que é visível que a nossa alegria se dissipa, restando apenas a obrigação.

Dica 4: propósito

Se estamos meditando ou correndo, ter uma finalidade é fundamental porque isso dá a mente uma maneira de se orientar. Da mesma forma, sem propósito, o corpo não tem motivos para se exercitar. Na meditação, o propósito está relacionado com a inteligência. Na corrida, com a energia. Sem um propósito, nosso corpo não tem energia e nossa mente se torna dispersa.

Tanto na meditação como na corrida, nosso propósito geral é a manutenção de nosso bem-estar. É evidente que não estamos tentando fazer mal a nós mesmos, mas sim nos envolver em atividade benéfica. Já o nosso propósito específico pode variar a cada dia, dependendo daquilo que atrai a nossa atenção. Num dia, nosso objetivo poderia ser viver cada momento como se fosse novo, e no outro poderia ser permanecer em sintonia com o meio que nos cerca.

Desta maneira, mantemos aceso o interesse pelas nossas atividades. Há um elemento lúdico envolvido, sem o qual as atividades podem se tornar triviais e enfadonhas. Ter uma finalidade é essencial para a sincronicidade entre mente e corpo, e isso nos alinha com nosso estado atual e com o estado em que pretendemos chegar. Esta é uma fonte profunda de poder que pode nos sustentar através de uma vida inteira de atividades.

Dica 5: merecimento

Aprender a integrar a corrida e a meditação pode resultar em um sentimento de dignidade. Quando a mente e o corpo se unem, nos sentimos bem, porque estamos completamente envolvidos, vivendo naqueles instantes a unidade do ser. Há uma sensação de grande vitalidade e de intenso poder ao nos sentirmos dignos de ser quem somos, de estar onde estamos e de fazer o que estamos fazendo.

É justamente aí quando estamos conectados com o nosso núcleo inato do bem e da força. Sem a conexão com este núcleo podemos sentir que estamos fingindo, pois poderíamos preferir estar em outro lugar. Mas isso, em última análise, não pode acontecer porque, na realidade, só podemos estar onde estamos. Mas uma coisa é estar num lugar, enquanto outra é se conectar à ele.

Quando nos conectamos com nosso núcleo de dignidade, não só nos conectamos com tudo o que somos, com o lugar onde estamos e com a atividade que estamos fazendo, mas também nos conectamos de maneira mística com a dignidade de toda a humanidade. E de acordo com a tradição budista, a conexão com esta fonte de merecimento coletiva através da individual é fundamental para a harmonia do planeta.

Em suma, correr e meditar são atividades básicas humanas complementares, pois se o movimento é benéfico para o corpo, e o silêncio é benéfico para a mente. Estar consciente, valorizando quem somos e onde estamos, respondendo positivamente aos desafios, conectados com um propósito, e nos sentindo dignos são cinco dicas muito valiosas para a manutenção do otimismo e do engajamento.

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Sobre o Autor

Giordano Cimadon é Psicólogo de formação e profissão. Professor de Gnosticismo, Esoterismo e Hermetismo, organiza os eventos da Sociedade Gnóstica. É escritor e responsável pela supervisão pedagógica de Cursos Online de Esoterismo, Ciências Ocultas (Tarô, Cabala, Astrologia, Magia Quiromancia, Runas) e Gnosticismo.

Comentários (1)

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  1. Ana Rosa disse:

    Muito legal o texto! Tem um livro ótimo que fala sobre a vida de índios mexicanos Tarahumaras que são considerados os melhores corredores do mundo, os mais resistentes. Quem estiver interessado em conhecer mais sobre os Tarahumaras e dicas para correr de uma forma correta eu aconselho o livro “Nascidos para Correr”, de Christopher McDougall. Este livro ficou mais de um ano na lista dos mais vendidos nos Estados Unidos.Para quem gosta de Carlos Castañeda certamente vai gostar deste também!

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