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A Vontade de Deus

Muitos não gostam da afirmação de que “Deus escreve certo por linhas tortas” por parecer um axioma fatalista e determinista, que anula por completo o livre-arbítrio do ser humano. Na tão incansável – e justa – busca pela liberdade, o indivíduo moderno esqueceu que, em termos espirituais, a autêntica liberdade é praticamente um sinônimo de obediência à Vontade de Deus.

A anedota transcrita abaixo, cujo autor desconhecemos, joga uma luz sobre a natureza inteligente da ação da vontade divina sobre nossas vidas. A estória pode servir como uma útil recordação para quem se encontra em momentos de dificuldade e busca o alívio de seus sofrimentos.

Um Rei que não acreditava na bondade de Deus tinha um servo que em todas as situações lhe dizia: “Majestade, não desanime porque tudo que Deus faz é perfeito, Ele não erra!” Certo dia o Rei e seu criado saíram para caçar e uma fera atacou o monarca. Seu servo conseguiu matar o animal, mas não foi capaz de evitar que sua majestade perdesse um dedo da mão.

Furioso e sem mostrar gratidão por ter sido salvo, o nobre disse: “Deus é bom? Se Ele fosse bom eu não teria sido atacado e perdido o meu dedo.” Calmamente o servo apenas respondeu: “Majestade, apesar desta tragédia, só posso dizer-lhe que Deus é bom; e ele sabe o por que de todas as coisas.”

Indignado com a resposta, o Rei mandou prender o seu servo. Algum tempo depois, o nobre saiu para uma outra caçada e desta vez seu destino foi ainda mais cruel, pois foi capturado por selvagens que faziam sacrifícios humanos. Já no altar, prontos para sacrificá-lo, os selvagens perceberam que a vítima não tinha um dos dedos e soltaram-no: ele não era perfeito para ser oferecido aos deuses.

Ao voltar para o palácio, mandou soltar o seu servo e recebeu-o muito afetuosamente. “Meu caro, Deus foi realmente bom comigo! Escapei de ser sacrificado pelos selvagens, justamente por não ter um dedo! Contudo, ainda tenho uma dúvida: Se Deus é mesmo tão bom, por que permitiu que você, que tanto o defende, fosse preso?”

Ao que o servo respondeu: “Majestade, se eu tivesse ido com o senhor nessa caçada, teria sido sacrificado em seu lugar, pois não me falta dedo algum. Por isso, lembre-se: tudo o que Deus faz é perfeito”

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Sobre o Autor

Giordano Cimadon é psicólogo, escritor e professor gnóstico do Lumisial Pistis Sophia, atual Presidente da Sociedade Gnóstica Internacional e editor deste site.

Comentários (1)

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  1. Paulo Sérgio disse:

    Bela História Giordano!

    Este tem sido o dilema do homem ao longo dos séculos, a dicotomia entre o livre arbítrio e o pré-determinismo, esquecendo ele que tendo liberdade a nível material não a tem do ponto de vista espiritual.
    O homem ao nascer transporta consigo karmas, faltas ou procedimentos mais ou menos negativos de vidas passadas, uns são modificáveis outros não, aqueles que não fôrem “desculpáveis” serão resgatados em função do que a justiça divina considerar adequado.

    Não se deve ver isto como um castigo ou um aprisionamento à nascença, mas como uma prova a ser testada e voluntáriamente transposta pela abnegação e pelo sacro-ofício (sacrifício) do candidato ao aprimoramento pessoal, que assim alcança a maturação ideal no seu percurso pessoal e único porque apenas a si lhe pertence, como ser insubstituível que é num caminho que só a si lhe diz respeito.

    Dessa forma podemos falar verdadeiramente de liberdade, quando alguém entende que é senhor de um destino que é só seu e que a mais ninguém pertence, o homem, esse pequeno deus ou esse grande mundo individual, descobre que o que lhe estava destinado nada mais era que a sua própria condição como ser querido e amado por Deus! Assim se faça Luz em cada Ser para que se liberte o que já estava determinado antes mesmo de ser!

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

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