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29 mar 2010

Mistérios Femininos e a Magia Elemental da Artemísia

Além da importância cosmológica e esotérica que a Sexta-feira Santa possui para os cristãos e os gnósticos, outro fator desperta o interesse por esta data especial. É nela, exatamente às 12:00hs do dia, que se realiza a Magia da Artemísia; a artemísia é uma planta simples mas de grande poder mágico, que não por acaso carrega em seu nome a referência explícita a uma das mais influentes divindades gregas, a deusa Ártemis.

Ártemis é uma das divindades mais reverenciadas de toda a antiguidade. Seus cultos eram realizados por toda a Grécia Antiga e muitas civilizações do passado contavam em seus mitos e religiões com deusas que desempenhavam papel semelhante ao de Ártemis. Dentre os cultos gregos dedicados à Ártemis, um dos maiores e mais significativos era realizado na penísula de Ática, na enseada de Brauron.

A cada quatro anos, jovens meninas atenienses selecionadas dentre famílias nobres peregrinavam de Atenas até Brauron, onde passavam por um ritual de iniciação, chamado Brauronia, em referência ao local onde era realizado.

Este ritual também era conhecido com o nome de Arkteia, em virtude da realização de danças que imitavam o movimento das ursas, chamadas em grego de arktoi.

De acordo com a mitologia grega, Ártemis é irmã gêmea de Apolo, e ambos são filhos de Zeus e Leto. Ela é a deusa da caça, da vida selvagem, da fertilidade, da virgindade e dos partos. Era representada pictoricamente através de uma jovem caçadora carregando arco e flechas.

Há quatro mil anos atrás, os povos minóicos que habitaram a ilha de Creta antes dos gregos cultuavam Ártemis na forma de Potnia Theron, que significa Senhora das Bestas. Ártemis foi identificada com Selene, a deusa grega da Lua, pelo fato de ser representada com uma lua crescente sobre sua fronte.

Como muitos outros personagens da Mitologia Grega, Ártemis era filha de Zeus com uma mortal, chamada Leto. Grávida de gêmeos, Leto deu à luz primeiro à Ártemis, quem então a ajudou no nascimento de seu irmão Apolo. Por este motivo, ela é considerada a protetora dos partos.

Mais que isso, Ártemis é a deusa grega que governa as transições biológicas femininas, desde antes da puberdade até o parto do primeiro filho. Não por acaso, a planta artemísia é muito útil para as mulheres, já que é considerada uma planta muito poderosa na regulação o ciclo menstrual e no alívio das cólicas.

Quando ainda criança, Ártemis pediu a seu pai Zeus que a concedesse seis desejos. O primeiro era o de permanecer casta durante toda a eternidade. O segunda era jamais ser entregue em casamento. O terceiro eram cães que a auxiliassem em sua caça. O quarto, cervos que guiassem sua carruagem. O quinto eram ninfas para serem suas companheiras de caça: 60 dos rios e 20 dos oceanos. O sexto e último era um arco prateado, semelhante ao do seu irmão Apolo.

A origem dos rituais iniciáticos ligados à Ártemis encontra seus fundamentos nos eventos que antecederam a Guerra de Tróia. O escritor grego Ésquilo narra que antes dos guerreiros gregos içarem suas velas para partir em viagem rumo à Tróia, com o objetivo de resgatar a bela Helena, o poderoso Agamenon, assegurando ser ele melhor caçador que a Deusa Ártemis, matou um cervo à ela consagrado.

Os gregos partiram em suas embarcações mas, ainda no início da viagem, o vento parou misteriosamente de soprar. Foi então que Calchas, o grande vidente, profetizou que a fúria de Ártemis, despertada pela morte de seu cervo consagrado e pelo orgulho de Agamenon, era a causa da ausência dos ventos, e que apenas o sacrifício de Ifigênia, filha do blasfemo guerreiro grego, serviria como justa reparação à ofensa.

As lendas contam que enquanto era levada ao sacrifício, Ifigênia lutou desesperadamente contra seu terrível destino, e nesta luta acabou retirando sua túnica cor de açafrão, revelando sua nudez. Contudo, no exato momento do sacrifício, Ártemis substituiu a inocente por um bode, levando a jovem para Brauron, onde deveria erguer um Templo em honra a Ártemis e ser sua guardiã, sacerdotisa e instrutora. Ifigênia recebia como oferenda os mais finos tecidos que tivessem pertencido às mulheres que morriam durante o parto.

As jovens que eram consagradas à Ártemis deveriam zelar pela sua castidade, ou acabariam sentindo o poder da deusa, assim como aconteceu com uma jovem sacerdotisa de Patrai. A jovem grega, sacerdotisa do templo de Ártemis, apaixonou-se perdidamente e levou seu amante para desfrutar dos prazeres sensuais no interior do Templo. Como consequência destes atos, Ártemis puniu severamente Patrai, a cidade onde ficava o Templo, impondo sobre seu povo um período de pestes e escassez de comida.

A dureza da pena foi justificada pela tripla violação da sacerdotisa. A primeira foi a violação dos padrões de pureza e santidade no interior do santuário. A segunda foi a violação da exigência de pureza sexual de uma sacerdotisa ao serviço de Ártemis. A terceira foi a violação do exemplo que a sacerdotisa dava à jovens, de se absterem de experiências sexuais antes do casamento.

O culto de Ártemis em Brauron era comandado pelas sacerdotisas da Deusa, e as jovens meninas que participavam deste culto eram selecionadas dentre as melhores famílias atenienses. O rito iniciático pelo qual estas jovens passavam era composto por três graus: arrhephoros (portadora de coisas secretas), aletris (moedora) e arktos (ursa).

Estes graus eram conferidos na medida em que as jovens gregas desenvolviam os primeiros sinais de sua sexualidade. Os ritos de cada um destes graus eram compostos por atividades que tinham como objetivo instruir a jovens sob o caráter sagrado da energia criadora que gradualmente expressavam através de seus corpos. As meninas arrhephoros eram as mais jovens, e nos ritos carregavam objetos sagrados, ocultos no interior de cestas, simbolizando a sexualidade ainda latente e não desenvolvida. No interior de seus corpos que ainda não tinham se desenvolvido sexualmente, havia a energia criadora, a sexualidade sagrada ainda em forma potencial.

As meninas aletris eram instruídas a moer sementes e produzir bolos que seriam oferecidos à Ártemis durante a cerimônia. Um pouco mais velhas que as meninas arrhephoros, as meninas aletris começavam a expressar através do corpo a sexualidade, tornando necessária uma orientação simbólica que as preparasse para as futuras etapas de amadurecimento sexual. Portanto, os desejos sexuais eram simbolizados pelas sementes, que deveriam ser trituradas para produzir alimento, pois eram ainda imaturas para produzir novos frutos.

As meninas arktos já alcançaram a idade suficiente para receber instruções que as preparariam para uma futura vida sexual ativa durante o casamento. Nas cerimônias de Arkteia, elas representavam as ursas de Ártemis, que significava serem consagradas à deusa. Duranto os ritos, elas dançavam e corriam nuas ao redor dos altares sagrados, expressando ao mesmo tempo a naturalidade e a sacralidade da sexualidade.

A artemísia é uma planta que carrega o potencial simbolizado por esta poderosa deusa dos tempos antigos. Seu aspecto mágico está ligado às forças naturais que gravitam em torno da feminilidade, em especial a fertilidade e a concepção. É por este motivo que o poder mágico desta planta pode ser utilizado, pois seu elemental mobiliza as forças ocultas da natureza de modo que o operador, guardador dos preceitos de Ártemis, encontre um ambiente fértil e seja capaz de dar à luz seus projetos e intenções.

O ritual elemental desta planta pode ser encontrado no livro Tratado de Medicina Oculta e Magia Prática, de autoria de Samael Aun Weor.

8 Respostas

  1. Artemis

    Adoro mitologia, em geral, especialmente sobre Artemis, que é o meu nome. Gostaria de saber mais, e sobre bruxas também. Gostaria de manter contacto com vcs. Obrigada.

  2. Olá Artemis,

    Obrigado pelo seu comentário.

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    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

  3. Luiz Portella

    Na edição de 2011, EDISAW, Curitiba, de Karl Bunn lemos na página 156 que se trata da magia elemental da matricária [tanaceto].

    Neste mesmo livro na pg. 531 lemos “ATENÇÃO: Não confundir a matricária com a artemísia nem com a camomila; em português isso nem ocorre tanto. Mas em espanhol muitos confundem a ‘altamisa’ [Matricária] com a ‘Artemisa’ [Artemísia]”.

    Numa edição encontrada na internet, cujo tradutor desconheço, de fato, há menção à magia elemental da artemísia neste mesmo trecho citado da pg. 156 da EDISAW.

  4. Olá Luiz,

    Obrigado pela sua mensagem de aviso. Nós desconhecíamos este erro cometido pelo tradutor, que se chama Carlos (Karl) Bunn. É uma pena, mas a versão da EDISAW está equivocada.

    O texto original em espanhol, que data de 1952 e foi escrito na Colômbia, terra natal do autor (Samael Aun Weor), traz o nome “altamisa”, mas não aponta qual o seu nome científico.

    Em diversos países de língua latina, o nome “altamisa” serve para designar mais de uma planta. Assim, para que seja possível conhecer com exatidão a qual planta o autor se referia ao designá-la com o nome “altamisa”, não devemos esquecer o país em que o livro foi escrito.

    Vejamos então que na publicação da EDISAW, a palavra “altamisa” foi substituída pela matricária, e logo há o alerta para que o leitor não confunda matricária com artemísia ou com camomila. No glossário de plantas da mesma publicação, a matricária é relacionada ao nome científico chrysanthemum parthenium, o que está correto.

    O erro, contudo, está na suposição de que o chrysanthemum parthenium seja o nome científico para a planta que, na Colômbia, é conhecida como “altamisa”.

    De fato, o chrysanthemum parthenium é conhecido como “altamisa”, mas apenas em alguns países, como por exemplo na Itália e, ainda que não de forma muito comum, no México.

    Na Colômbia, onde o livro Tratado de Medicina Oculta e Magia Prática foi escrito originalmente, o chrysanthemum parthenium é conhecido pelos nomes populares “manzanilla matricaria”, ou ainda “manzanilla romana”, e não como “altamisa”.

    Os livros especializados em botânica apontam que o nome popular colombiano “altamisa” corresponde aos nomes científicos: artemisia vulgaris, também chamada “altamisa negra” ou “ajenjo”, e a ambrosia cumanensis, também conhecida como “altamisa blanca”.

    Aqui no Brasil, tanto a artemisia vulgaris como a ambrosia cumanensis são conhecidas como artemísia mesmo, e esta costuma nascer em barrancos sem muita umidade.

    Simples e sem complicação :)

    Esperamos sinceramente que os responsáveis pela EDISAW tenham a humildade de corrigir este erro em edições futuras, para o bem dos leitores que buscam pelas orientações originais de Samael Aun Weor.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

  5. Natalino Sampaio

    Observe que o livro “Medicina Oculta”, do V.M. Samael Aun Weor foi escrito, inicialmente, na Colômbia, porém só foi concluído quando estava no México. Vide abaixo:

    Sinonímias: Chrysanthemum parthenium (L.) Bernh., Matricaria parthenium L.(LORENZI; MATOS, 2008), Leucanthemum parthenium (L.) Gren & Godron, Pyrethrum parthenium (L.) Sm.(NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002), Parthenium matricaria Gueld.(SILVA, 2001).

    Nomes populares: rainha-das-ervas, artemijo, margaridinha, olguinha, margaridinha-branca, camomila-pequena, macela-da-serra (LORENZI; MATOS, 2008), macela-do-reino¹, atanásia, atanásia-dos-jardins, artemísia, artemísia-dos-ervanários (NEWALL; ANDERSON; PHILLIPSON, 2002), matricária, erva made, monsenhor-amarelo, piretro-do-cáucaso, altamisa (Spanish, Costa Rica), Santa María (Spanish, Mexico, Chiapas), feverfew (Costa Rica), etc.

    (http://www.hortomedicinaldohu.ufsc.br/planta.php?id=194)

    Como dito acima, “De fato, o chrysanthemum parthenium é conhecido como “altamisa”, mas apenas em alguns países, como por exemplo na Itália e, ainda que não de forma muito comum, no México”, fica claro que a tradução feita pelo Sr. Karl Bunn, está correta. São erros deste tipo (uso de uma planta por outra), que motivaram esta tradução e edição por parte da EDISAW.

    Um abraço.

  6. Olá Natalino,

    Obrigado pela sua mensagem. Seu esforço de investigação é realmente exemplar, além de ser um gesto digno de grande consideração. Se todos os gnósticos agissem desta maneira, muitos mitos e equívocos de interpretação sobre a obra de Samael Aun Weor nem mesmo teriam sido criados.

    No entanto, apesar da nobreza de seu gesto, seus argumentos acabam não servindo para dispensar o que nós havíamos afirmado. Por isso, é com muito respeito e paciência que explicaremos porque está equivocada a sua contestação de nossa correção, e ressaltarei mais uma vez, e com a mais absoluta imparcialidade, o equívoco editorial da EDISAW, para que os leitores não compliquem o que é simples.

    Em primeiro lugar, é incorreta a sua afirmação:

    “o livro “Medicina Oculta”, do V.M. Samael Aun Weor foi escrito, inicialmente, na Colômbia, porém só foi concluído quando estava no México.”

    É de conhecimento geral que o livro em questão foi escrito, editado e publicado na Colômbia, terra natal e domicílio do autor na época em questão, 1952. Foi naquelas terras sul-americanas, nos anos que antecederam a publicação do Medicina Oculta, que o autor aprendeu as fórmulas e encontrou as plantas que recomendou em sua obra, e para isso empregou os nomes populares colombianos, como alerteamos em nossa mensagem anterior.

    Passadas três décadas e meia, o livro voltou a ser editado e publicado no México, desta vez ampliado e contendo novas fórmulas medicinais e mágicas, mas mantendo as indicações anteriores, incluindo a Magia de la Altamisa que foi redigida ainda na Colômbia e usando a terminologia popular colombiana.

    Desta forma, é equivocado dizer que o livro tenha sido concluído no México, já que se trata de uma edição ampliada, e não da conclusão de uma obra inacabada.

    Finalizando, para saber qual foi a altamisa usada pelo autor em 1952, é preciso recordar que ele vivia, naquele ano, na Colômbia, lugar em que nasceu, cresceu e formou seu saber cultural de base, e não no México (e nem em nenhum outro lugar do planeta), onde viveu apenas anos mais tarde.

    Em segundo lugar, é completamente equivocado usar as sinonímias e nomes populares que você sugere em sua mensagem como informação coerente e lógica para embasar sua conclusão.

    Os dados coletados na página da Universidade Federal de Santa Catarina não servem para estabelecer a identidade proposta pela versão da EDISAW, justamente porque trazem nomes populares brasileiros do chrysanthemum parthenium, e não os colombianos.

    Concluo destacando que ao trazer este equívoco editorial da EDISAW nestes comentários – graças ao aviso do leitor Luiz Portella – estamos apenas fazendo nosso trabalho de investigação e esclarecimento a respeito da obra de Samael Aun Weor, e de maneira nenhuma desejamos converter tais apontamentos em um conflito.

    A edição feita pelos irmãos da EDISAW é excelente. Possui qualidade indiscutível e a dedicação de toda a equipe e do Sr. Carlos (Karl) Bunn pode ser constatada sem muito esforço e certamente deve servir como exemplo. Entretanto, ninguém está livre do equívoco, e um dos que estão presentes nesta primorosa edição, é o nome científico da Altamisa.

    Com uma boa dose de humildade e coerência, este erro haverá de ser corrigido em edições futuras.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

  7. lujz

    Olá, voltando ao assunto, seria possível fazer no Brasil esta magia na Sexta-feira Santa do hemisfério sul? Ou só mesmo na Sexta-feira mundial (do hemisfério norte)?

  8. Olá Luiz,

    Muito obrigado pela sua mensagem.

    Sim, sem dúvida é possível. Realizamos este rito há anos e seus efeitos são formidáveis.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

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