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14 out 2011

O Gato Preto e as Bruxas

Os gatos estão associados à magia – especialmente à magia negra – graças aos depoimentos colhidos durante a Idade Média nos julgamentos de bruxas que foram promovidos pela Igreja Católica. Neles, as testemunhas de acusação frequentemente descreviam gatos entrando em suas casas para atacar bebês inocentes ou pessoas dormindo.

Em virtude das torturas a que eram submetidas, as mulheres acusadas de bruxaria eram forçadas a confessar feitos e proezas mágicas, narrativas em que os gatos eram os diabólicos protagonistas. Em muitas destas confissões, houve mulheres que afirmavam ser capazes de se transformarem em gatos, com o objetivo de atacar suas vítimas ou realizar seus rituais.

As confissões e os testemunhos duvidosos destes julgamentos ajudaram a difundir muito folclore em torno dos felinos. Muitos pensam que as bruxas tomam a forma dos gatos por causa de suas 7 vidas. Assim, uma vez pegas e mortas na forma de um gato, elas continuariam vivas.

Outra crença tão antiga quanto estranha é que o caldo de gato curaria a tuberculose. Por mais curioso que possa parecer, tal superstição coexistiu com a ideia de que os gatos pretos eram a personificação do Diabo, fazendo com que muitos animais fossem massacrados em rituais cristãos.

O livro Witches & Neighbours, de Robin Briggs, apresenta a narrativa de um desses julgamentos, onde um sujeito chamado Demenge Thiriat conta que acordou no meio da noite sentindo que havia uma presença estranha em seu quarto.

Quando esticou a mão, sentiu tocar uma roupa feminina, ao mesmo tempo em que ouviu as vozes de Marion Arnoulx e Barbeline Mareschal. Mas, quando sua esposa acendeu o candeeiro, o quarto estava vazio e a porta estava trancada. As duas suspeitas, Arnoulx e Mareschal, mais tarde confessaram ter entrado no quarto na forma de gatos, e que sua mutação foi realizada pelo bruxo Persin, seu mestre, que as desnudou e cobriu seus corpos com óleo.

Para entrar no quarto, as gatas teriam se espremido através de uma fresta da porta e, uma vez lá dentro, assumido a forma humana para depositar um veneno na boca de Demenge. Quando ele acordou, Persin, o mestre das bruxas, imediatamente as converteu novamente em gatas, para que fossem capazes de escapar.

De acordo com Richard Kieckhefer, em seu livro Magic in the Middle Ages, no ano de 1427 uma mulher afirmou ter assassinado trinta crianças, apenas sugando seu sangue.

Em sua confissão, feita para Bernardino de Siena, a desesperada alegou ter untado seu corpo e se transformado em um gato, mesmo que as testemunhas tenham relatado tê-la visto em sua forma habitual de mulher.

Sem hesitar, Bernardino, hoje um santo católico, ordenou que a mulher fosse queimada por prática de bruxaria.

Já no século XVII, uma mulher chamada Isobel Gowdie revelou sob tortura a fórmula que utilizava para se transformar em um gato e depois retornar à sua forma humana. Quem conta esta história é Harry Ezekiel Wedeck, em seu livro A Treasury of Witchcraft, transcrita aqui numa livre tradução e adaptação.

Para se transformar em gato, Isobel cantava os seguintes versos, por três vezes:

Eu me transformo em gato,
Com pesar e muito cuidado;
No nome do Diabo eu me transformo,
Mas pra casa eu ainda volto.

E para se transformar de volta em mulher, Isobel cantava então os seguintes versos, também por três vezes:

Gato, gato, Deus te mandou ter cuidado.
E eu que agora estou na forma de um gato,
Volto a ser mulher de imediato.
Gato, gato, Deus te mandou ter cuidado.

Muitos testemunhos encontrados nesta espécie de julgamentos associam as bruxas aos gnósticos conhecidos como Cátaros, pois entre as muitas difamações a estes sábios cristãos, foi dito que em suas reuniões eles beijavam o ânus de um gato preto. Considerado um verdadeiro sábio pela Igreja Católica, William de Auvergne, em sua obra De Legibus, assim descreve este fantasioso rito, aqui transcrito a partir da obra acima citada de Harry Ezekiel Wedeck:

“De acordo com esta prática idólatra dos tempos atuais, acreditam que Satanás aparece na forma de um gato preto… e exige beijos de seus seguidores: um beijo abominável, embaixo do rabo do gato…”

De acordo com o já citado autor Richard Kieckhefer, difamação similar sofreram os Templários, durante os julgamentos ocorridos entre 1307 e 1314, quando membros desta ordem religiosa militar foram acusados, entre muitas outras ofensas ridículas, de venerarem um gato.

Havia ainda aqueles que acreditavam que os gatos eram sacrificados pelas bruxas para que elas lançassem seus feitiços sobre as pessoas. A pesquisadora Rosemary Guiley relata que um certo John Fian, juntamente com seu séquito de bruxas, lá pelos idos do século XVI, foi acusado de tentar afogar o Rei Jaime I da Inglaterra e sua consorte Ana, em uma viagem à Dinamarca. Teriam os feiticeiros realizado o batizado de um gato, amarrado o animal às partes de um corpo humano esquartejado, e atirado o conjunto às águas enquanto recitavam invocações demoníacas.

Outro folclore muito popular na Idade Média considerava que, se um gato pulasse por sobre o corpo de uma pessoa morta, esta pessoa se tornaria um vampiro. Para impedir esta transformação, os gatos deveriam ser mortos.

No campo da medicina da época, um gato fervido em óleo era um meio excelente para curar feridas. Acreditava-se que mediante certos procedimentos ritualísticos, as doenças em geral podiam ser transferidas para os felinos, que deveriam ser expulsos de casa ou mortos, para que não voltassem a afetar os seres humanos.

Rosemary Guiley, em seu livro The Encyclopedia of Witches, Witchcraft and Wicca, conta que os gatos eram usados em feitiços para garantir a fertilidade, “um gato enterrado num campo garantirá uma colheita abundante”. Por outro lado, Richard Kieckhefer relata que algumas bruxas eram acusadas de destruir as colheitas usando os pobres animais.

Para isso, elas matavam um gato, retiravam suas vísceras e preenchiam a pele com o cereal ou vegetal da colheita que queriam arruinar. Então, deixavam secar por três dias para depois converter tudo em pó. Num dia de muito vento, a bruxa subiria em uma montanha e jogaria o pó nos ares para que se espalhasse por toda a terra, numa espécie de sacrifício ao Diabo que, em troca, destruiria a plantação.

A forma através da qual estes inúmeros relatos foram colhidos torna muito difícil a tarefa de separar quais deles são autênticos daqueles que são mero fruto do sadismo dos inquisidores ou do delírio dos torturados. Os elementais ou almas de animais e plantas possuem grande poder, e de acordo com fontes confiáveis da Magia Branca, o gato possui poderes extraordinários, já que é capaz de nos auxiliar na realização de desdobramentos astrais conscientes.

Trata-se de um procedimento simples, em que o requisito mais importante é o estabelecimento de um vínculo de amor, afeto e amizade para com o animal. E mesmo que você não se interesse em experimentar os poderes da Magia Astral dos felinos, certamente receberá muitos benefícios ao tratá-lo com carinho e ganhar a sua confiança.

3 Respostas

  1. Deborah

    Acho muito relevante sabermos como os gatos tiveram sua participação na Idade Media. Fico neutra em relação às bruxarias e coisas do tipo.
    Mas hoje encontrei um rabo de gato filhote em meu quintal, fiquei sem saber o que era. Se alguem souber, deixe comentários.

  2. Teresa Raquel

    Deus condena qualquer forma de superstição e foi o que na idade média fizeram contra esses pobres animais, por isso devemos tratá-los com amor e carinho,pois o pior animal que existe é o ser humano.

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