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7 out 2010

Jiddu Krishnamurti

Um dos personagens mais impressionantes no mundo espiritualista, o escritor e conferencista Jiddu Krishnamurti, destacado membro da Sociedade Teosófica e figura central da Ordem da Estrela do Oriente, promoveu a urgência de uma revolução espiritual individual, dando ênfase à impossibilidade de tal revolução ser realizada por agentes externos, tal como as formas religiosas, as opções políticas e as mudanças sociais.

Krishnamurti nasceu no ano de 1895, uma época em que a Índia era colônia britânica. Ainda em sua adolescência, seu pai, oficial aposentado da administração imperial, levou a família para morar em Adyar, próximo à sede da Sociedade Teosófica. Seu potencial filosófico e espiritual foi descoberto pelo teósofo clarividente Charles Webster Leadbeater, o que o levou a ser criado sob a tutela deste Mestre e de Annie Besant.

Através de suas faculdades clarividentes, Leadbeater foi capaz de perceber que a aura do jovem Krishnamurti não possuía qualquer traço de egoísmo, o que o fez declarar que o rapaz seria um grande orador e professor espiritual. Krishnamurti foi acolhido pelas lideranças da Sociedade Teosófica, e passou a ser preparado para servir como veículo para o futuro Instrutor do Mundo.

Logo, o adolescente de 14 anos foi levado à Europa para completar sua educação. Ali enfrentou alguns problemas com o cumprimento das tarefas escolares. Mesmo assim, dentro de um período de seis meses, foi capaz de ler e escrever em inglês com grande competência. Estes fatos apenas atestam o contraste entre sua inteligência livre e as estruturas mentais rígidas da educação formal.

Com o objetivo de preparar a humanidade para a vinda do Instrutor do Mundo, uma nova organização chamada Ordem da Estrela do Oriente foi criada em 1911 pelas lideranças da Sociedade Teosófica. Krishnamurti foi apontado como seu líder e passou a ser submetido à uma rigorosa disciplina física, intelctual e espiritual.

Após várias tentativas de ingresso no meio acadêmico, Krishnamurti finalmente desistiu da educação universitária. Sua preferência se dirigia ao aprendizado de línguas, à leitura de partes do Antigo Testamento e ao estudo de clássicos da literatura ocidental, em especial Friedrich Nietzsche. O enriquecimento cultural era acompanhado por lições sobre a espiritualidade e a teosofia, além de uma rotina exigente de práticas de meditação e yoga.

Em 1922, Krishnamurti e seu irmão Nityananda foram viver em Ojai, Califórnia, Estados Unidos da América. Foi ali que Krishnamurti viveu eventos de extrema importância para sua vida espiritual. Pela primeira vez os dois irmãos estavam livres da vigilância de seus tutores, e passaram seu tempo vivendo em meio à natureza, convivendo com amigos e praticando a contemplação espiritual.

Durante este período Krishnamurti conheceu Rosalind Williams, quem viria a ser importante colaboradora de seu trabalho. Também em Ojai, viveu uma experiência espiritual transformadora, mais tarde conhecida como O Processo. Ao longo de um período de três dias sentiu dores por todo o corpo e passou por eventuais desmaios. No entanto, seu despertar interior foi intensificado de tal maneira que a partir de então Krishnamurti jamais foi o mesmo.

As transformações íntimas e espirituais experimentadas por Krishnamurti o levaram a um distanciamento da velha forma como entregava seus ensinamentos. Pouco a pouco substituiu a linguagem teosófica por uma nova terminologia, novos conceitos e novas ideias que, se em nada contradiziam a Doutrina Secreta, apresentavam aos indivíduos uma proposta de revolução íntima, independente de organizações espiritualistas e doutrinas religiosas.

O ponto de convergência destas mudanças foi a dissolução da Ordem da Estrela do Oriente em 1929. Tal postura atraiu diversas e severas críticas à Krishnamurti por parte inclusive daqueles que constumavam acompanhá-lo. Mesmo assim, seguiu ainda por mais de cinco décadas divulgando os ensinamentos revolucionários cada vez mais refinados, que estimulavam os indivíduos a uma busca independente e comprometida pela realização íntima.

12 Respostas

  1. Allan fernando do Vale

    Hey Giordano.. tudo bem, como anda tudo?
    Bem eu estou morando em asunçao Paraguai, faz mais de 10 anos, ye es ma facil escribir en español que en portugues…
    Gostei muito dessa nota de Krishnamurti, tive e oportunidade de ver alguns documentais e alguns livros que pude compartir com uns amigos… Esta muito imterezante como plantea Krishnamurti susa ideias.. Assim que mais que nada, parabens pela iniciativa, por divulgar esse tipo de informaçáo….
    Abrazo

  2. Olá Allan!

    Quem bom reencontrá-lo por aqui depois de tantos anos.

    Realmente Krishnamurti é uma das figuras mais fascinantes da espiritualidade moderna. Seus ensinamentos vão se tornando cada vez mais refinados ao longo de sua vida, esta inteiramente dedicada ao serviço desinteressado pela humanidade. O que mais me encanta é a sua visão dos estados de consciência e sua proposta para uma independência do pensamento.

    Um grande abraço amigo!

  3. Paulo Sérgio

    Devemos salientar, a partir destas novas manifestações espirituais no dealbar do século XX (20), não apenas a Sociedade Teosófica, mas também e sobretudo outras entidades que tiveram um protagonismo destacado, nomeadamente o movimento rosacruz.

    Note-se, se a Sociedade Teosófica é produto dos tempos conturbados dos finais do século XIX (19), marcados indelévelmente pelo carisma exacerbado do materialismo, e imbuído, pelo menos muitos dos seus dirigentes, nas ideais erigidas pelos manifestos políticos e revolucionários ideológicos dessa altura, os movimentos rosacrucianos, ao invés, derivam da divergência estabelecida em pleno século XVII (17), da hegemonia racionalista desse período, fazendo uma mescla entre razão e coração, não acompanhando, doravante, os novos dogmas estabelecidos pelo racionalismo.

    Enquanto, por exemplo, Max Heindel, ex-teósofo, divergente da sociedade teosófica, se inclina totalmente para a via crística, sediando-se no Ocidente, nos Estados Unidos da América, a Sociedade Teosófica adere aos princípios mais orientalizantes, deslocando a sua sede para a Índia, dando primazia às culturas orientais, revelando ambas uma inequívoca complementaridade, todavia, enquanto esta última, mais oriental, tem na origem numa contestação rebelde às sociedades ocidentais vigentes na altura, aquele insere-se nos propósitos tradicionais da civilização ocidental baseada no próprio cristianismo, daí a divergência entre Max Heindel e Helena Blavatsky.

    Resumidamente, diremos que se a sociedade teosófica é produto da agitação revolucionária do final do século XIX (19), o movimento rosacruz é o reflexo de uma iniciativa que teve lugar muito antes, nos tempos anteriores à hegemonia racionalista oriunda do Iluminismo, e às agitações de rua promovidas pelos diversos grupos revolucionários, posicionados, nítidamente, num plano ideológico muito diferente dos princípios que estão na génese de todo o movimento espiritual, que é também património dos vários grupos gnósticos, desde a antiguidade até à Revolução Industrial.

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

  4. Priscilla

    gostei muito da história de anne besant entre outras personalidades sao conteudos q realmente vale a pena ler e refletir além de fazer estudos mais aprofundados

  5. nousvate

    através de Krishnamurti se pode observar que o conhecimento e algo muito particular.
    E que este senhor teve todas oportunidades de ser um líder espiritual através de uma instituição,no entanto ele preferiu usar a razão lógica da consciência que trás a liberdade tanto interna com externa.

    por tal motivo, fica bem claro a todos seres de consciência, que o conhecimento gnóstico “ou auto conhecimento” tem que ser vivido, e não imposto por algum tipo de necessidade seja qual for.

    todo ser que expresse em sua consciência os princípios da liberdade, não se prende ao formalismo burocráticos simplesmente para representar um idealismos coletivo, Mas sim, tem como linha de pensamente as formas da liberdade absoluta,e esta liberdade esta diretamente ligada as necessidades da alma.

  6. Marcos Antonio Modesto da Silva

    Giordano é um prazer falar contigo, ainda mais se tratando dessa grande mente que foi cronológicamente falando Krishnamurti. No meio da grande busca pela consciência, tive grandes tificuldades para entender o mesmo. por diversas vezes, coloquei o livro de lado, tamanho era o quilate ali escrito e, quâo pequena era minha compreensão. Contudo após oito anos de intensa leitura e Meditação todas as manhãs, hoje consigo captar por completo os ensinamentos por ele colocado e acabo por presentear as pessoas com seus livros. Um grande abraço a você e parabens por esta e outras iniciativas suas!

  7. Olá Marcos,

    Obrigado pela sua mensagem. Os ensinamentos que Krishnamurti nos ofereceu são realmente de uma ordem revolucionária. A mente humana não se encontra preparada para assimilar as ideias contidas no discurso do Mestre. Seu exemplo de paciência e tenacidade em relação à obra de Krishnamurti deve ser seguido por todos aqueles que anseiam por uma verdadeira mudança na forma de enxergar o mundo.

  8. Marisa Lima

    Olá

    è um grande prazer em conhece-lo

    Gostaria se possível me indicar algum material de estudo, principalmente ligado a educação do futuro, não sei se Krishanamurti ou de Anne Ou HPB Ou Leadbaert.
    Caso tenha e possa me mandar esse tipo de material ou qq outro que possa nós ajudar em estudos sobre a educação, mudança de consciência e a Vontade

    Obrigado

    Fique na Luz

    Marisa Lima

  9. Carlos Santos

    Muito grato pela postagem.
    “Descobri” J. Krishnamurti recentemente. Tenho assistido a vários vídeos nos sites oficiais. Concordo que o primeiro contato com o pensamento de J. K. não é fácil, mas, ele aguça a nossa atenção e com ela vamos alcançando uma compreensão cada vez mais clara.
    Sinto que a minha visão da vida mudou radicalmente desde que comecei a entender a mensagem de J. K. Recomendo.

    Saudações
    Carlos Santos
    Benguela
    Angola

  10. Ana Maria Fonseca Cid

    Caro irmão Giordano. Quero parabeniza-lo pelo trabalho maravilhoso que vens fazendo neste meio de comunicação.Falar de irmãos que fundaram a Sociedade Teosófica; todo o trabalho destes junto a sociedade; citar este irmão preparado como o novo Instrutor do Mundo ( Jiddu Krishnamurti),tudo me encanta. Fui criada na Teosofia da India e meu livro predileto são os do irmão.Não tenho religião pois estas dividem a humanidade. A minha é meu coração Uno com tudo e com todos. Todas as criações fazem parte do meu Todo e meu trabalho é viver neste Reino da Felicidade citado por J. Krishnamurti. Todos unos precisamos edificar esta Verdade dentro de nós aqui e agora. Mais uma vez parabéns pelo seu trabalho.

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