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24 jul 2013

Os 10 Princípios Gnósticos de Philip K. Dick

Entre os mais brilhantes escritores dos últimos tempos, Philip K. Dick é daqueles gênios da humanidade que não só morreu na pobreza, como também vai conquistando aos poucos o reconhecimento pela sua obra impactante e desafiadora. Soube como poucos revestir certos arquétipos universais com elementos da cultura moderna, revivendo artisticamente a mensagem dos antigos gnósticos.

É bem provável que você já tenha assistido a pelo menos um dos dez filmes de grande sucesso que foram produzidos tendo os trabalhos de Philip K. Dick como base. Entre os mais conhecidos estão Blade Runner (com Harrison Ford), O Vingador do Futuro (com Arnold Schwarzenegger), Minority Report (com Tom Cruise), O Vidente (com Nicholas Cage) e Os Agentes do Destino (com Matt Damon).

Philip K. DickTodos estes filmes, cada um à sua maneira, e as histórias em que foram baseados, estão carregados de elementos que constituem o pensamento dos gnósticos de ontem e de hoje.

Para o desespero de alguns tradicionalistas e com a liberdade da qual desfrutamos para vislumbrar as expressões da Gnosis nas manifestações artísticas da modernidade, afirmamos que Philip K. Dick, mesmo não tendo pertencido a qualquer organização dita gnóstica, foi um gnóstico.

Rejeitar esta realidade manifesta em suas obras é uma opção exclusiva daqueles que a desconhecem, daqueles que querem dogmatizar ou institucionalizar a espontaneidade com que o Sophia busca seu retorno ao Pleroma, ou ainda daqueles que pensam compreender os princípios do gnosticismo universal mas os ignoram por completo.

Uma das vivências mais interessantes pelas quais passou Philip K. Dick foi aquela que deu origem à obra Exegesis, um compêndio de anotações de experiências visionárias que começaram em fevereiro e março de 1974. Elas começaram em função da dor que Dick sentiu após a extração de um dente. Quando a entregadora da farmácia veio trazer seu medicamento, ele observou que ela trazia em seu peito um colar de ICHTHYS, símbolo secreto do cristianismo gnóstico primitivo. Então, ao ouvir da entregadora este significado, começaram neste momento as suas experiências.

Dick narra que naquele instante experimentou o que chamou de perda do esquecimento, o que nada mais é do que os gnósticos atuais chamam de recordação íntima de si mesmo. Ele afirma ter recordado em seguida de um vida passada em que foi, ele mesmo, um cristão gnóstico dos primeiros tempos. Teve uma experiência mística com o Cristo Jesus, sua morte e sua ressurreição espiritual, mantida em segredo.

Nas semanas seguintes, continuou tendo visões semelhantes, enquanto refletia sobre a natureza e a origem destas experiências que considerou serem de natureza religiosa. Entre os anos de 1974 e 1982 (ano de sua morte), Dick escreveu a Exegesis a mão e à noite, produzindo cerca de 8.000 páginas de notas. É nesta obra, Exegesis, que Philip K. Dick apresenta o que considera serem os dez mais importantes princípios do gnosticismo, os quais apresentamos abaixo, em tradução livre:

Os gnósticos cristãos do segundo século acreditavam que apenas uma revelação especial de conhecimento, e não a fé, poderia trazer a salvação a uma pessoa. O conteúdo desta revelação não podia ser recebido empiricamente ou ser deduzido a priori. Eles que consideravam que esta gnosis especial era tão valiosa que deveria ser mantida em segredo. Aqui estão os dez princípios mais importantes da revelação gnóstica:

1. O criador deste mundo é demente.

2. O mundo não é o que parece, para que o mal esteja nele escondido; há um véu de ilusão que o obscurece e ao deus demente.

3. Existe outro reino divino melhor que este, e todos os nossos esforços devem estar orientados para retornar à ele, trazendo-o aqui.

4. Nossas vidas se estendem até milhares de anos atrás, e nós podemos recordar de nossas origens nas estrelas.

5. Cada um de nós possui uma contraparte divina que não caiu e que pode estender sua mão para nos despertar. Esta outra personalidade é o verdadeiro eu que desperta; esta que temos agora é menor e está adormecida. Estamos de fato adormecidos e nas mãos da divindade criadora e demente, um mago perigoso disfarçado de deus bom. A solidão, a maldade e o sofrimento deste mundo, o fato de que ele é uma prisão determinística controlada por um criador demente, nos faz querer romper com o princípio de realidade ainda muito cedo em nossas vidas e, de alguma maneira, de bom grado adormecer na ilusão.

6. Você pode se mudar da prisão ilusória deste mundo para o reino pacífico se o verdadeiro Deus Bom colocá-lo sob Sua graça e permitir que você veja a realidade através de Seus olhos.

7. Cristo entregou, e não recebeu, a revelação; ele ensinou seus discípulos como entrar no reino estando ainda vivos, enquanto outras religiões de mistérios apenas provocam a amnesis: conhecimento desta verdade em “outro tempo” e em “outro reino”, não aqui. Ele fez com que este conhecimento viesse aqui, e é o representante vivo do Único Deus Bom (i.e. o Logos).

8. É provável que a a Igreja Cristã real e secreta ainda exista, há muito oculta, com o Corpus Christi vivo como seu chefe ou governante, e seus membros nela absorvidos. Participando dela, seus membros provavelmente possuem poderes vastos e aparentemente mágicos.

9. A divisão em “dois tempos” (bom e mau) e “dois reinos” (bom e mau) chegará ao fim de maneira abrupta com a vitória do bom tempo aqui, enquanto o reino atualmente invisível se separa e se torna visível. Não podemos saber a data.

10. Enquanto isso estamos na ponte que separa, sendo julgados de acordo com qual poder nos aliamos: o demente demiurgo criador deste mundo ou o Único Deus Bom e seu reino, quem conhecemos através de Cristo.

Conhecer estes dez princípios corresponde a flertar com o desastre.

O sentido mais profundo destas palavras de Philip K. Dick, que à princípio soam enigmáticas, podem ser compreendidas sem julgamentos conceituais quando já vivemos em nossas consciências a experiência da gnosis. Os que não viveram estarão condenados ao ato ignorante da rejeição daquilo que se desconhece, ou às enfadonhas análises conceituais, que fatalmente engessam o que é dinâmico e vivo.

Havendo de sua parte, querido leitor, a vontade de mergulhar na experiência da gnosis e ao mesmo tempo compreender a essência do que foi exposto de maneira quase profética por Philip K. Dick, recomendamos que assista aos filmes citados no início deste artigo e que procure informações a respeito dos elementos gnósticos no cinema, ao que sugerimos fortemente uma visita ao site Cinegnose.

Nele você encontrará muitas referência interessantes e esclarecedoras a respeito da maneira como os princípios deste movimento filosófico e religioso universal que chamamos gnosticismo vêm sendo apresentados através do cinema. Além disso, inscreva-se em nosso curso online de Gnosis ou procure uma escola gnóstica perto de sua residência.

2 Respostas

  1. Fernando Morrison

    Por muito tempo tenho buscado o conhecimento em algumas religioes e ou filosofias, e sempre percebendo intuitivamente q nao era o que procurava, era vazio, contraditorio.
    Encontro na GNOSIS, algo q parece q eu sabia, lá no intimo da alma; sinto me impactado, como se falassem a mim que aquilo que sempre pensei é real, ou bem proximo da Gnosis. Encontrei a verdade.

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