Bem-vindo a Sociedade Gnóstica Internacional

12 nov 2010

Edward Bulwer-Lytton

Um dos escritores mais conhecidos no meio ocultista e esoterista, em especial devido ao conteúdo rosacruz de sua famosa obra Zanoni, o inglês Edward George Earle Bulwer-Lytton foi também poeta e político, atuando durante muitos anos como Membro do Parlamento inglês e conservando uma estreita e longa amizade com o Primeiro-Ministro britânico Benjamin Disraeli.

O jovem Edward nasceu em maio de 1803, numa família de razoáveis condições sociais e financeiras. Perdeu seu pai ainda cedo, fato que estreitou seus laços com a mãe, o que o marcaria para o resto de sua vida. Contudo, quando escolheu casar-se com uma bela irlandesa, contrariando a vontade materna, perdeu o direito à herança do pai, tendo que trabalhar para adquirir seu próprio sustento.

Desde muito cedo demonstrou talento para as letras. Iniciou sua carreira como poeta, e mais tarde alcançou grande popularidade devido às inúmeras novelas que escreveu, as quais lhe renderam uma considerável fortuna. Cunhou diversas frases marcantes na literatura, sendo “a caneta é mais poderosa do que a espada” a mais famosa delas.

Entre ocultistas e esoteristas Bulwer-Lytton é reconhecido por ser o autor do romance Zanoni, obra que compreende princípios rosacruzes servindo como pano de fundo para o desenrolar da trama. O livro conta a história do personagem que empresta seu nome ao título, um homem de grande sabedoria e possuidor de riquezas e poderes incomuns, entre os quais se encontra o dom da imortalidade.

Ao longo da obra, Zanoni se revela como um sábio alquimista, possuidor do elixir da longa vida, que o tem permitido viver por aproximadamente cinco mil anos. Apesar de carregar consigo os segredos de uma ordem muito antiga, Zanoni acaba cedendo aos encantos de uma atriz italiana e, na tentativa de fazê-la aderir ao seu modo de vida extraordinário, acaba perdendo seu amor e sua imortalidade. A história se desenvolve nos idos da Revolução Francesa, e a guilhotina é quem desfere o derradeiro golpe no sábio caldeu.

Bulwer-Lytton é um dos mais destacados porém discretos rosacruzes ingleses. Nunca assumiu publicamente sua filiação a qualquer ordem esotérica, exceto a Maçonaria. São conhecidos o seu contato e a sua influência sobre o famoso mago e cabalista francês Eliphas Levi, em especial sua intermediação no caso da invocação – feita por Levi – do espírito de Apolônio de Tyana.

Além de Zanoni, escreveu A Raça Futura, na qual narra a história de uma civilização poderosa, descendente da antiga Atlântida, que vive no mundo subterrâneo e aguarda o momento de retornar à vida na superfície terrestre. Numa clara alegoria ao trabalho alquímico, os membros desta civilização dominam uma substância que permeia toda a matéria, chamada Vril. Através do controle deste elemento, mediante o exercício da vontade, é possível realizar prodígios; contudo, a substância Vril também pode ser usada para fins destrutivos.

Outra obra que alcançou sucesso foi Rienzi, transformada em ópera pelo músico alemão Richard Wagner. Passou os últimos momentos de sua vida em grande agonia, devido a uma infecção no ouvido. Próximo de completar seus 70 anos, morreu em 1873 e, contra a sua vontade, foi enterrado com honras na Abadia de Westminster.

4 Respostas

  1. Paulo Sérgio

    Apenas uma pequena nota: não é de estranhar a forma discreta com que Bulwer-Lytton se refere ao rosacrucianismo, nos legítimos movimentos rosacruzes é natural a contenção das descrições acerca da militância ou da adesão dos seus simpatizantes, já tal não acontece na Maçonaria inglesa pois esta representa a estruturação íntima da sociedade daquele país, a própria Raínha de Inglaterra ou o Jornal “The Times” assumem-se ambos declaradamente maçónicos.

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

  2. Pan Veritrax

    É interessante lembrar, também, a ligação de Buwer-Litton com Francis Barret e seu círculo de magia cerimonial. O que apresenta também a ponte entre Barret e Eliphas Lévi. Aliás a ligação de Buwer-Litton com Lévi também é bem interessante porquê é com base nela que alguns ocultistas apresentam a idéia de que o mago francês teria assumido a liderança da ordem rosacruz inglesa e que, inclusive, a operação de evocação de Apolônio estaria relacionada a isso. Mas essa operação fracassou, como narra o próprio Lévi, então acho meio discutivel isso. Além de não existir qualquer indício de ordem rosacruz organizada e ativa na inglaterra no início do século XIX. O que nos faz pensar na conveniência para a SRIS, SRIA e HOGD ao levantarem essas teorias… mas que Eliphas tinha os contatos dele na Inglaterra e e tinha… então vai saber né?… =)

    L. L. L. L.

    Pan Veritrax

  3. É possível encontrar referências sobre a organização dos rosacruzes nos séculos XVIII e XIX no livro Book of the Rosicruciae de Swinburne Clymer.

    Ali ele descreve uma linha sucessória dos Grandes Mestres Supremos, apontando que após o período de adormecimento que seguiu Ashmole, assumiu o cargo um misterioso iniciado, de nome ainda desconhecido, que foi por sua vez suscedido por Edward Bulwer-Lytton.

    Clymer afirma que este misterioso iniciado é retratado por Bulwer-Lytton em sua obra Zanoni, sendo ele o personagem que empresta o nome ao título do livro.

  4. Pan Veritrax

    A questão do rosacrucianismo é hoje muito mais simples… todas as vertentes da Verdadeira e Invisível Ordem Rosacruz que operam no mundo físico tem, por característica fundamental dessa própria linha de trabalho, respeito e atuação na ciência oficial… a corrente Rosacruz é a linha da Grande Loja Branca que atua em conjunto com a chamada “ciência materialista” sendo o braço da Loja nesses assuntos… assim há por parte de todo rosacruz uma aceitação dos fatos históricos e científicos… e diante disso todo membro filiado a qualquer uma das inúmeras ordens rosacrucianas atuantes fisicamente hoje admite que a única e verdadeira continuidade de trabalho nessa corrente aconteceu e acontece apenas no âmbito da Ordem Verdadeira e Ínvisivel, isso é, o grande conglomerado de templos que constituem a Ordem Rosacruz nos mundos superiores e da qual emanam todas as ordens rosacrucianas legítimas no mundo físico… então, atendo-se aos fatos históricos e às manifestações rosacrucianas como instituições materiais, nunca houve, desde a publicação dos Três Manifestos, uma continuidade ou linhagem sucessória ininterrupta constituindo uma ordem tradicional… mas como todos nós, rosacruzes, somos também seres numanos há sempre a boa e velha intervenção do ego… e o hábito de declarar a si mesmo como único e legítimo representante da Ordem Rosacruz Invisível é um hábito muito comum dentre as tantas instituições rosacrucianas em atividade hoje… temos que aprender a respeitar e conviver com as limitações de nossos Irmãos =)… é certo que existe a tradição do “período de silêncio” mas isso precisa ser bem entendido pois não se trata exatamente de um período de inatividade de uma ordem como instituição… e também, ao longo de nossa história, temos muitos focos e núcleos de operação rosacruz legítimos que possuem curta duração dada a sua missão e a natureza de seu trabalho… dai a discrição de alguns rosacruzes acerca da ordem… a forma de atuação da Ordem Rosacruz Invisível é um pouco peculiar e acho que não cabe compará-la à forma de operação da Maçonaria, por exemplo, por possuir essas características próprias… ao menos ao meu ver =)…

    Ad crucem per rosam… ad rosam per crucem…

    L. L. L. L.

    Pan Veritrax

Deixe um Comentário