A Magia Elemental da Artemísia
Além da importância cosmológica e esotérica que a Sexta-feira Santa possui para os cristãos e os gnósticos, outro fator desperta o interesse por esta data especial. É nela, exatamente às 12:00hs do dia, que se realiza a Magia da Artemísia; a artemísia é uma planta simples mas de grande poder mágico, que não por acaso carrega em seu nome a referência explícita a uma das mais influentes divindades gregas, a deusa Ártemis.
Ártemis é uma das divindades mais reverenciadas de toda a antiguidade. Seus cultos eram realizados por toda a Grécia Antiga e muitas civilizações do passado contavam em seus mitos e religiões com deusas que desempenhavam papel semelhante ao de Ártemis. Dentre os cultos gregos dedicados à Ártemis, um dos maiores e mais significativos era realizado na penísula de Ática, na enseada de Brauron. A cada quatro anos, jovens meninas atenienses selecionadas dentre famílias nobres peregrinavam de Atenas até Brauron, onde passavam por um ritual de iniciação, chamado Brauronia, em referência ao local onde era realizado. Este ritual tambvém era conhecido com o nome de Arkteia, em virtude da realização de danças que imitavam o movimento das ursas, chamadas em grego de arktoi.
De acordo com a mitologia grega, Ártemis é irmã gêmea de Apolo, e ambos são filhos de Zeus e Leto. Ela é a deusa da caça, da vida selvagem, da fertilidade, da virgindade e dos partos. Era representada pictoricamente através de uma jovem caçadora carregando arco e flechas. Há quatro mil anos atrás, os povos minóicos que habitaram a ilha de Creta antes dos gregos cultuavam Ártemis na forma de Potnia Theron, que significa Senhora das Bestas. Ártemis foi identificada com Selene, a deusa grega da Lua, pelo fato de ser representada com uma lua crescente sobre sua fronte.
Como muitos outros personagens da Mitologia Grega, Ártemis era filha de Zeus com uma mortal, chamada Leto. Grávida de gêmeos, Leto deu à luz primeiro à Ártemis, quem então a ajudou no nascimento de seu irmão Apolo. Por este motivo, ela é considerada a protetora dos partos. Mais que isso, Ártemis é a deusa grega que governa as transições biológicas femininas, desde antes da puberdade até o parto do primeiro filho. Não por acaso, a planta artemísia é muito útil para as mulheres, já que é considerada uma planta muito poderosa na regulação o ciclo menstrual e no alívio das cólicas.
Quando ainda criança, Ártemis pediu a seu pai Zeus que a concedesse seis desejos. O primeiro era o de permanecer casta durante toda a eternidade. O segunda era jamais ser entregue em casamento. O terceiro eram cães que a auxiliassem em sua caça. O quarto, cervos que guiassem sua carruagem. O quinto eram ninfas para serem suas companheiras de caça: 60 dos rios e 20 dos oceanos. O sexto e último era um arco prateado, semelhante ao do seu irmão Apolo.
A origem dos rituais iniciáticos ligados à Ártemis encontra seus fundamentos nos eventos que antecederam a Guerra de Tróia. O escritor grego Ésquilo narra que antes dos guerreiros gregos içarem suas velas para partir em viagem rumo à Tróia, com o objetivo de resgatar a bela Helena, o poderoso Agamenon, assegurando ser ele melhor caçador que a Deusa Ártemis, matou um cervo à ela consagrado.
Os gregos partiram em suas embarcações mas, ainda no início da viagem, o vento parou misteriosamente de soprar. Foi então que Calchas, o grande vidente, profetizou que a fúria de Ártemis, despertada pela morte de seu cervo consagrado e pelo orgulho de Agamenon, era a causa da ausência dos ventos, e que apenas o sacrifício de Ifigênia, filha do blasfemo guerreiro grego, serviria como justa reparação à ofensa.
As lendas contam que enquanto era levada ao sacrifício, Ifigênia lutou desesperadamente contra seu terrível destino, e nesta luta acabou retirando sua túnica cor de açafrão, revelando sua nudez. Contudo, no exato momento do sacrifício, Ártemis substituiu a inocente por um bode, levando a jovem para Brauron, onde deveria erguer um Templo em honra a Ártemis e ser sua guardiã, sacerdotisa e instrutora. Ifigênia recebia como oferenda os mais finos tecidos que tivessem pertencido às mulheres que morriam durante o parto.
As jovens que eram consagradas à Ártemis deveriam zelar pela sua castidade, ou acabariam sentindo o poder da deusa, assim como aconteceu com uma jovem sacerdotisa de Patrai. A jovem grega, sacerdotisa do templo de Ártemis, apaixonou-se perdidamente e levou seu amante para desfrutar dos prazeres sensuais no interior do Templo. Como consequência destes atos, Ártemis puniu severamente Patrai, a cidade onde ficava o Templo, impondo sobre seu povo um período de pestes e escassez de comida.
A dureza da pena foi justificada pela tripla violação da sacerdotisa. A primeira foi a violação dos padrões de pureza e santidade no interior do santuário. A segunda foi a violação da exigência de pureza sexual de uma sacerdotisa ao serviço de Ártemis. A terceira foi a violação do exemplo que a sacerdotisa dava à jovens, de se absterem de experiências sexuais antes do casamento.
O culto de Ártemis em Brauron era comandado pelas sacerdotisas da Deusa, e as jovens meninas que participavam deste culto eram selecionadas dentre as melhores famílias atenienses. O rito iniciático pelo qual estas jovens passavam era composto por três graus: arrhephoros (portadora de coisas secretas), aletris (moedora) e arktos (ursa).
Estes graus eram conferidos na medida em que as jovens gregas desenvolviam os primeiros sinais de sua sexualidade. Os ritos de cada um destes graus eram compostos por atividades que tinham como objetivo instruir a jovens sob o caráter sagrado da energia criadora que gradualmente expressavam através de seus corpos. As meninas arrhephoros eram as mais jovens, e nos ritos carregavam objetos sagrados, ocultos no interior de cestas, simbolizando a sexualidade ainda latente e não desenvolvida. No interior de seus corpos que ainda não tinham se desenvolvido sexualmente, havia a energia criadora, a sexualidade sagrada ainda em forma potencial.
As meninas aletris eram instruídas a moer sementes e produzir bolos que seriam oferecidos à Ártemis durante a cerimônia. Um pouco mais velhas que as meninas arrhephoros, as meninas aletris começavam a expressar através do corpo a sexualidade, tornando necessária uma orientação simbólica que as preparasse para as futuras etapas de amadurecimento sexual. Portanto, os desejos sexuais eram simbolizados pelas sementes, que deveriam ser trituradas para produzir alimento, pois eram ainda imaturas para produzir novos frutos.
As meninas arktos já alcançaram a idade suficiente para receber instruções que as preparariam para uma futura vida sexual ativa durante o casamento. Nas cerimônias de Arkteia, elas representavam as ursas de Ártemis, que significava serem consagradas à deusa. Duranto os ritos, elas dançavam e corriam nuas ao redor dos altares sagrados, expressando ao mesmo tempo a naturalidade e a sacralidade da sexualidade.
A artemísia é uma planta que carrega o potencial simbolizado por esta poderosa deusa dos tempos antigos. Seu aspecto mágico está ligado às forças naturais que gravitam em torno da feminilidade, em especial a fertilidade e a concepção. É por este motivo que o poder mágico desta planta pode ser utilizado, pois seu elemental mobiliza as forças ocultas da natureza de modo que o operador, guardador dos preceitos de Ártemis, encontre um ambiente fértil e seja capaz de dar à luz seus projetos e intenções.
O ritual elemental desta planta pode ser encontrado no livro Tratado de Medicina Oculta e Magia Prática, de autoria de Samael Aun Weor.
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Adoro mitologia,em geral, especialmente sobre Artemis,que é o meu nome.
Gostaria de saber mais, e sobre bruxas também.
Gostsria de mater contacto com vcs.
Obrigada.