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Considerações Práticas sobre a Leitura do Tarô

29 jul 2017

Considerações Práticas sobre a Leitura do Tarô

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A obra de Samael Aun Weor enfatiza a necessidade de se estabelecer um equilíbrio entre o Ser e o Saber, visando o estabelecimento de uma sadia cultura espiritual e o desenvolvimento harmonioso de seus adeptos.

Tendo-se em vista esta premissa básica, deve-se sempre ter um crivo crítico em nossos estudos e em nossas concepções mágicas, para que não caiamos em fantasias alheias ou fantasiemos nós mesmos acerca de temas que desconhecemos.

Esse equilíbrio anímico é fruto do equilibrado estudo, reflexão e prática, constantemente observados pelo crivo de nossa consciência, mediante a auto-observação. Partindo desses conceitos, este artigo propõe estudar a prática da leitura do tarô, buscando oferecer bases práticas sólidas e assinalando erros e fantasias perpetuadas no meio do estudantado gnóstico.

Desta maneira, primeiramente partimos da oposição que Samael Aun Weor estabelece entre cabalistas que seguem o caminho branco e o caminho negro no livro no livro ‘Curso Esotérico de Cabala’ onde diz que :

“(…) há duas classes de cabalistas: cabalistas intelectuais e cabalistas intuitivos. Os cabalistas intelectuais são magos negros e os cabalistas intuitivos, magos brancos”.

Esta afirmação em si é verdadeira, mas sua má compreensão só trouxe prejuízos aos estudantes gnósticos, abandonados às mistificações e especulações. Pois, observa-se no estudantado gnóstico uma grave aversão ao estudo teórico do tarô, crendo-se que a compreensão do significado de uma dada carta advém como uma iluminação.

Reforçando esta concepção, normalmente recorre-se a uma passagem da mesma obra de Samael Aun Weor:

“os cabalistas intuitivos apenas com o olhar a uma carta compreendem o que o destino lhes reserva.”

Novamente deparamo-nos com uma premissa verdadeira, cuja má interpretação gera atitudes fantasiosas e nocivas acerca do tarô. Os prejuízos e atitudes fantasiosas acerca do tarô a que este artigo se refere apontam para dois pontos fundamentais. O primeiro destes é a falta de preparo teórico acerca do simbolismo das cartas e sua relação com a realidade circundante e não com elementos iniciáticos do caminho.

Percebe-se que o estudantado tende a relacionar os arcanos aos temas arquetípicos e transcendentes tratados por Samael Aun Weor em vez de lidar com os elementos mundanos apontados no verso de grande parte dos tarôs egípcios da Kier editados por editoras gnósticas.

Como já foi apontado em conferências da Sociedade Gnóstica Internacional, Samael Aun Weor propunha ensinar o caminho iniciático através dos arcanos do tarô, ou seja, o gnosticismo contemporâneo, não ensinar práticas divinatórias, ainda que esta seja mencionada de passagem em sua obra.

Esta postura gera o segundo ponto a que este artigo se refere, que advém do primeiro: ao não saber interpretar de forma clara o tarô, boa parte do estudantado fantasia, estabelecendo especulações místicas que normalmente em nada se relacionam com a questão inicial de sua leitura.

Buscando oferecer uma resposta que combata esta postura fantasiosa acerca da leitura do tarô, este artigo apresentará conceitos de como lidar de forma prática com leituras do tarô. Para tal, retomaremos a própria obra de Samael Aun Weor, partindo da premissa de que se deve cultivar o Ser e o Saber; então cabe primeiramente ao estudante desenvolver valores anímicos que lhe trarão capacidades superiores na leitura do tarô, isto é, a intuição.

Sobre este assunto muito já se falou em diversos locais, então este artigo falará sobre o Saber, ou seja, a bagagem teórica que o estudante deve possuir, para que em suas leituras possa espelhar a intelecção iluminada mencionada por Samael Aun Weor. A fonte de informações trabalhadas será as próprias cartas do tarô egípcio da Kier, observando-se sua frente e seu verso.

Para tal, deve-se ressaltar que este tarô contém muita informação simbólica e nos restringiremos a elementos básicos. Aponta-se que todo arcano deste tarô possui uma imagem com três divisões bem claras, elas se relacionam com o mundo material, intelectual e espiritual, mencionados no dorso da carta.

Uma chave interpretativa oriunda do hermetismo. Isto nos permite observar que uma mesma carta possui significados distintos em questões de esferas diferentes. A esfera espiritual é a chave interpretativa de leitura para questões de natureza espiritual e iniciáticas.

Um exemplo de carta do tarô egípcio da Kier de uma editora gnóstica:

Note-se que há três partes na carta, uma com o triângulo, uma com o leão e outra com o quadrado. O nome da carta sintetiza sua ideia chave e nas margens há explicações de apoio, já presentes em seu verso.

Percebe-se que a esfera intelectual é a chave para questões conceituais de natureza não transcendentes, enquanto a esfera material é a base interpretativa para questões materiais de nosso cotidiano. O estudante deve se tornar familiar com as cartas, assimilando os seus significados em diferentes circunstâncias, sem qualquer necessidade de decorá-los. Além disso, as cartas já trazem a síntese de seu conceito chave em seu próprio nome, cujo significado deve ser modulado pelo estudante à questão realizada.

Há ainda nas bordas da frente da carta, informações mínimas para o estudante interpretá-las. Como sugestão prática, este artigo propõe que o estudante se centre unicamente na parte frontal da carta, observando o seu nome e a natureza da questão feita, para modular o conceito à pergunta. Recorrendo-se à explicação presente no dorso das cartas em última instância, isso após já ter se estudado e se familiarizado bem com os conceitos presentes nesta parte. Esta atitude visa desenvolver a intuição.

A intuição é a intelecção iluminada em ação, filha do estudo, da reflexão e da prática constante. Soma-se um conceito a este direcionamento prático: as cartas, além de possuírem valores relativos conforme a questão feita, apresentam aspectos diversos da questão feita na leitura.

Pois, os arcanos maiores representam valores arquetípicos vinculados à questão feita, enquanto os arcanos menores apontam para aspectos materiais da mesma. Esta é uma informação importante, assim como a de que símbolos invertidos possuem seus significados invertidos.

Este é significado das interpretações negativas que aparecem descritas junto a palavra ‘revés’ no dorso das cartas, revés significa azar ou aspecto reverso. Cartas invertidas devem ser lidas sob esta chave modulada ao aspecto da questão feita.

As cartas devem ser embaralhadas antes de serem jogadas e embaralhar implica em virar alguns maços até que o estudante não tenha noção da posição da carta que sairá. A chave do revés é a interpretação invertida do significado geral do arcano tirado.

Soma-se ainda que os significados se modulam diante da ordem em que as cartas foram tiradas. Este artigo lidará com o modelo de tiragem apresentado por Samael Aun Weor, que não é o único existente e tem sua origem na obra de Papus, mas se mostra muito útil para fins didáticos e práticos. Esta tiragem de três cartas, que se somam para apontar uma quarta carta, tida como a chave, permite explorar a questão apresentada de forma integral. Pois articula, arcanos maiores e menores, dentro de uma leitura temporal simples: presente e futuro.

O primeiro arcano maior tirado aponta para o momento presente em seu aspecto arquetípico, ou seja, uma visão geral da questão. O primeiro arcano menor aponta para o momento presente em seu aspecto imanente, ou seja, a questão em si, em sua materialidade.

O segundo arcano menor, aponta para o desenrolar material da questão, em maior ou menor grau, pode ser interpretado como uma predição do futuro. Por fim, o segundo arcano maior, síntese numérica dos demais arcanos, aponta para o desenrolar da questão em seu aspecto arquetípico, em diálogo com o segundo arcano menor retirado.

Um exemplo de tiragem:

1º Arcano Maior 1º Arcano Menor 2º Arcano Menor Arcano Síntese

 

As possibilidades de interpretação são infinitas assim como são as possíveis perguntas. Desta maneira, somente a prática constante, o estudo e a reflexão levarão os estudantes à proficiência em suas leituras, de maneira que eles possam como Samael Aun Weor afirmou:

“(…) apenas com o olhar de uma carta compreender o que o destino lhes reserva.”

Esta é a intelecção iluminada, filha do estudo organizado e dos valores anímicos cultivados, sem mistificações ou fantasias, que somente especulam e não oferecem nenhuma resposta prática para as questões do estudantado gnóstico.

Por fim, este é artigo é somente uma base para que os estudantes se desenvolvam por sim mesmo, sugerindo-se que eles também pesquisem obras diversas sobre o tarô, de maneira a ampliar a suas compreensões sobre o assunto com diversos pontos de vista.

Ressaltando-se que o estudo organizado não suprime a necessidade de cultivo de valores anímicos e a conexão com o Ser antes de cada exercício de leitura, pois do contrário nos tornaríamos tão somente ‘cabalistas intelectuais’.

Sursum corda! Res, non verba!

1 Resposta

  1. Mireille

    Artigo bastante rico e com conteúdo bem estruturado. Leitura muito valida.

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