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O Êxtase e os Benefícios da Cooperação Sexual

5 jul 2015

O Êxtase e os Benefícios da Cooperação Sexual

É um fato interessante que os órgãos sexuais possuam uma função social que vai mais além de sua função reprodutiva. Eu experimentei em mim mesmo esta ideia, e constatei que o autocontrole necessário não é difícil de ser alcançado. Também constatei um aumento no prazer, tal como nunca antes havia experimentado, o que foi confirmado por minha esposa. Assim nos vimos livres da reprodução involuntária e nosso lar se tornou fonte de felicidade.

A relação sexual ordinária é uma relação momentânea, que termina na exaustão e no desgosto. Se ela começa no espírito, logo encontra seu fim na carne. Assim a amorosidade, que é espiritual, é abafada pela reprodutividade, que é sensual. A exaustão, que naturalmente se segue, produz remorso e vergonha, e isto leva ao desgosto e ao encobrimento dos órgãos sexuais, que contraem associações desagradáveis, devido ao fato de serem instrumentos de excesso pernicioso.

Esta é sem dúvida a filosofia da origem da vergonha depois da Queda. Adão e Eva primeiro afundaram o espiritual no sensual, avançando prematuramente do espiritual em direção ao sensual, e então ficaram envergonhados, e começaram a olhar de modo negativo para os instrumentos de sua insensatez.

Ao mesmo princípio podemos creditar o processo de esfriamento que se instaura entre os amantes pouco tempo depois do casamento e que frequentemente termina em indiferença e desgosto. Exaustão e remorso tornam o olhar malicioso não só em relação aos instrumentos do excesso, mas também em relação à pessoa que provoca o excesso.

Em contraste a tudo isto, os amantes que utilizam seus órgãos sexuais como simples servidores de suas naturezas espirituais, abstendo-se do ato propagativo, exceto quando a procriação é planejada, podem desfrutar o mais alto êxtase da cooperação sexual por qualquer duração de tempo, sem saciedade ou exaustão; e assim a vida conjugal pode se tornar permanentemente mais doce que o cortejo ou mesmo a lua-de-mel.

Como seria de se esperar surgiram muitas objeções a este método, considerando-o antinatural e contrário ao exemplo dos animais. À esse argumento eu respondo dizendo que, sob esta mesma ótica, cozinhar, vestir roupas e calçados, viver em casas, usar carruagens e quase tudo o que faz o ser humano civilizado também é antinatural. Mais que isso, se em tudo seguíssemos o exemplo dos animais, acabaríamos tendo que abandonar o uso da linguagem e começar a andar de quatro!

Muitas pessoas afirmam que a natureza requer uma periódica e até frequente descarga seminal, pois a retenção da semente humana seria prejudicial. Mas não é verdadeiro que a semente seja um excremento que, como a urina e as fezes, deva ser necessariamente expelida do organismo. Nossa comunidade não experimentou qualquer problema decorrente da retenção seminal, e inclusive praticamente exterminou a masturbação, esta forma vergonhosa e degradante de desperdício seminal.

Conectada à falácia popular a respeito dos malefícios da retenção da semente está a sugestão feita por certos homens da medicina de que a prática da Continência Masculina levaria à degeneração seminal e à impotência. Em nossa comunidade, a experiência prática refuta esta sugestão de maneira bastante visível, ou seja, através do grande número de mulheres que engravidam após anos de convivência amorosa fundamentada na Continência Masculina.

Outra apreensão oriunda dos mesmos doutores é a de que a suspensão da crise nervosa, também chamada orgasmo, que acontece nas relações sexuais ordinárias, aumentaria e prolongaria a excitação a ponto de induzir excessos e doenças nervosas. Mais uma vez afirmamos que a experiência em nossa comunidade não confirma este receio, e demonstramos que a taxa de desordens nervosas em nossa comunidade, quando comparada à taxa nacional levantada pelo censo e registrada em documentos públicos, é consideravelmente inferior.

À isto acrescentamos, como conclusão, que nos parece algo inacreditável que um número tão grande de pessoas sóbrias e equilibradas como são os integrantes da Comunidade Oneida estejam completamente equivocados em sua forma de pensar sobre a função social e amorosa do sexo. Nossa experiência de vinte e cinco anos nos mostra que a prática da Continência Masculina mais do que preencheu as suas primeiras promessas.

* Adaptado do livro Male Continence, escrito por John Humphrey Noyes em 1872.

14 Respostas

  1. Yankel

    Ola,

    Otimo texto, na psicologia existe algum texto que trate sobre esta ideia?

    Abraço

  2. Olá Yankel,

    A psicologia aborda a sexualidade sob uma perspectiva diversa. Algumas vertentes mais recentes, relacionadas à Psicologia Transpessoal, estudam o encontro da Espiritualidade com a Sexualidade. Há um livro do conhecido autor Pierre Weil, intitulado A Mística do Sexo, que versa sobre o tema. Contudo, o estudo não aponta para a mesma direção que o texto de J. H. Noyes.

  3. José Gomes da Silva

    O sexo representa tão somente a procriação, pois só o homem pratica o sexo por prazer.

  4. Olá José,

    Obrigado pela sua mensagem.

    Cada um é livre para pensar como quiser.

    Os ensinamentos gnósticos apresentam outra realidade, aonde o sexo é uma porta para o encontro com Deus.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

  5. Mauro

    Por favor, solicito que me envie endereços para que eu compre livros de orientações sobre ÊXTASE DA COOPERAÇÃO SEXUAL e se possível centros presenciais para participação de aulas para um melhor conhecimento na pratica. Na verdade é uma cultura desconhecida, uma amiga sempre me falava sobre o assunto e muito me interessou, mas eu me transferi do meu estado para São Paulo por motivo de trabalho e já fazem quatro anos. Peço desculpas pela minha linguagem sobre o assunto, mas fico no aguardo de respostas e orientações.

    Atenciosamente,

    Mauro

  6. Aramis

    Muito legal o texto Giordano!
    Tenho acompanhado as postagens aqui no site.

    Obrigado por ter voltado a escrever.

    Abraços fraternos.

  7. Alice Pinto

    Um ótimo texto que aponta para uma reeducação sexual de nível superior..
    O retorno a um caminho que ficou perdido, e que carece de ser retomado..
    E que ao ser exercitado, tras efetivos benefícios ao casal, e aos solteiros..
    Necesário que se aborde mais esses temas, pois observamos o aumento
    crescente de interesse, por parte deste seleto público..
    Grande abraço amigo!
    Alice Pinto

  8. Olá querida amiga Alice,

    Muito obrigado pelo seu excelente comentário!

    Vamos trabalhar para trazer mais textos relacionados com o tema, já que como você escreveu, é um tema necessário e que cada vez mais interessa a um público que se propõe a uma reeducação sexual.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

  9. Antonio Frias

    Muito Bom.
    Falta apenas um detalhe muito importante: a Maithuna produz resultados positivos em casais compatíveis. Samael fala da necessidade do casamento, um compromisso legal k nada tem a ver com a Lei Cósmica. Não sei as razões dele quando escreveu isso, deve ter alguma pois ele vivia num país católico….vai saber. Se o casal não é compatível, nada funciona. Hoje em dia as pessoas não se unem por amor, a união, quando não é por interesses escusos, se realiza por harmonia de personalidades….isso não funciona no relacionamento cósmico….sem amor, não existe nada, não há progresso.
    Gracias.

  10. Olá Antonio,

    Faltam muitos detalhes importantes no texto.

    Mas isso se deve ao fato de que o texto não pretende abordar todos os detalhes da Magia Sexual ensinada pelo Gnosticismo. O que ele pretende é trazer as reflexões de J. H. Noyes, feitas há cerca de um século e meio e a partir de suas próprias experiências pessoas, sobre o êxtase e os benefícios da cooperação sexual de acordo com a Continência Masculina. O texto ainda traz algumas refutações de supostos problemas que a comunidade médica levantou à época a respeito desta prática. J. H. Noyes é uma das referências citadas por Samael Aun Weor em sua obra, e por isso consideramos ser necessário estudá-lo com objetividade e refletir cuidadosamente sobre suas colocações.

    Certamente o amor é indispensável neste trabalho, mas a RESPONSABILIDADE também o é.

    Se muitas pessoas se casam por interesse, e se o casamento não é garantia de amor, isso não significa que não seja INDISPENSÁVEL para que a Alma alcance a integração com o Espírito através da senda do Matrimônio Perfeito.

    Nenhuma percepção subjetiva ou culturalmente determinada da necessidade do casamento poderá apagar as leis universais que regem o pleno e completo desenvolvimento da alma. Estamos certos de que se trata de um equívoco – que ainda pode ser corrigido – a relativização destas leis universais com o objetivo de tentar encaixar a sabedoria gnóstica em visões pessoais do mundo, das relações interpessoais e da espiritualidade objetiva.

    Com grande pesar temos observado ao longo dos anos que este é exatamente o mesmo mecanismo mental subjetivo que tem levado muitos estudantes gnósticos a desconsiderarem até mesmo a necessidade da FIDELIDADE e da MONOGAMIA, causando prejuízos aos seus matrimônios e avançando na maioria das vezes por uma senda diametralmente oposta àquela indicada pelo Tantrismo Branco e pela Magia Sexual Branca.

    Uma alma que não cumpre com suas responsabilidades, incluindo aí a legalização de sua relação amorosa e familiar frente à sociedade através da instituição correspondente, no caso o casamento, poderá sim colher alguns benefícios físicos, vitais, emocionais e até mentais ao praticar as técnicas que conduzem ao Sahaja Maithuna, mas como já dissemos, não alcançará o pleno e completo desenvolvimento da alma.

    Samael Aun Weor ensinou sobre isso em seus livros.

    E a experiência prática e objetiva confirma tais ensinamentos.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

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