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13 maio 2008

Expressões Modernas do Gnosticismo

Em Março de 1987, o Professor de Religião da Universidade da Califórnia, Dr. Robert S. Ellwood Jr., foi chamado à Universidade de Yale para proferir uma conferência comemorativa. O evento que naquele dia estava sendo festejado era a publicação dos textos de Nag Hammadi, um conjunto de manuscritos contendo importantes documentos religiosos do Gnosticismo Clássico.

A conferência do recebeu o título de “Expressões Modernas do Gnosticismo”, e nela o Professor Ellwood destacou os únicos dois movimentos que considera como sendo, em suas palavras, diretamente gnósticos. O primeiro destes movimentos corresponde à Ecclesia Gnostica Catholica Apostolica, e à Gnostic Society, ambas com sede nos Estados Unidos da América, e que contam como expoente o Bispo Stephan Hoeller.

O segundo destes movimentos é exatamente o que o Professor Ellwood chamou de “Associação Gnóstica na América Latina”, a qual correspondia à época da conferência ao que, até o final da década de 1970, era conhecido como o Movimento Gnóstico Cristão Universal.

Robert Ellwood é autor de mais de 25 livros, incluindo livros-texto sobre estudos religiosos, livros sobre história religiosa e livros escritos com perspectica teosofista. Foi professor de religiões mundiais na Universidade da Califórnia do Sul por trinta anos, desde 1967 até a sua aposentadoria em 1997.

Robert Ellwood nasceu na cidade de Normal, no estado de Illinois, nos Estados Unidos da América, em 1933. Foi educado na Universidade do Colorado, na Escola Berkeley Divinity de Yale em New Haven, Connecticut, e na Escola Divinity da Universidade de Chicago. Recebeu seu Ph.D. em História da Religião em Chicago, no ano de 1967. Exerceu função de sacerdote e capelão na Marinha Norte-Americana.

É membro da Sociedade Teosófica da América e Sacerdote da Igreja Católica Liberal, que mescla aspectos tradicionais do Catolicismo com a interpretação esotérica do Cristianismo. Ele hoje vive na cidade de Ojai, no estado da Califórnia.

Algumas Publicações de Robert S. Ellwood Jr.:

 – 1950: Crossroads of American Religious Life by Robert S. Ellwood (May 2000)
– Alternative Altars: Unconventional and Eastern Spirituality in America by Robert S. Ellwood (Mar 1981)
– An Invitation to Japanese Civilization (The Wadsworth Civilization in Asia Series) by Laurence G. Thompson and Jr. Robert S. Ellwood (1980)
– Christianity: A Cultural Perspective (Prentice-Hall Series in World Religions) by James B. Wiggins and Robert S. Ellwood (Jan 1988)
– Eastern Spirituality in America: Selected Writings (Sources of American Spirituality) by Robert S. Ellwood (Jul 1987)
– Feast of Kingship: Accession Ceremonies in Ancient Japan by Robert S. The Ellwood (1973)
– Finding Deep Joy (Quest Book) by Robert S. Ellwood (Jun 1984)
– Introducing Religion: From Inside and Outside (3rd Edition) by Robert S. Ellwood (Mar 8, 1993)
– Islands of the Dawn: The Story of Alternative Spirituality in New Zealand by Robert S. Ellwood (May 1993)
– Japanese Religion: A Cultural Perspective (Prentice-Hall Series in World Religions) by Robert S. Ellwood and Richard Pilgrim (Dec 11, 1984)
– Many Peoples, Many Faiths: An introduction to the religious life of mankind by Robert S Ellwood (1976)
– Many People, Many Faiths: Women and Men in the World Religions & Time by Robert S. Ellwood (Jun 24, 2004)
– Mysticism and Religion by Robert S. Ellwood (Feb 1980)
– One Way: the Jesus Movement and its Meaning by Robert S Ellwood (1973)
– Religions of the World, Media and Research Update & Time (9th Edition) by Lewis M. Hopfe, Mark R. Woodward, and Robert S. Ellwood (Jul 23, 2004)
– Religious and Spiritual Groups in Modern America (2nd Edition) by Robert S. Ellwood and Harry Partin (Oct 11, 1987)
– Spiritualism: An entry from MACM’s Contemporary American Religion by Robert S. Ellwood and Gracia Fay Ellwood (1999)
– Tenrikyo: A Pilgrimage Faith. The Structure and Meanings of a Modern Japanese Religion by Robert S. Ellwood (1982)
– The 50’s Spiritual Marketplace: American Religion in a Decade of Conflict by Robert S. Ellwood (Feb 1997)
– The 60’s Spiritual Awakening: American Religion Moving from Modern to Postmodern by Robert S. Ellwood (Jul 1994)
– The Dictionary of Religion (Reference) by Robert S. Ellwood (Sep 2001)
– The Eagle and the Rising Sun: Americans and the New Religions of Japan by Robert S Ellwood (1974)
– The Encyclopedia of World Religions (Facts on File Library of Religion and Mythology) by Robert S. Ellwood and Gregory D. Alles (Jan 30, 2007)
– Theosophy: A Modern Expression of the Wisdom of the Ages by ROBERT S. ELLWOOD (1994)
– The Politics of Myth: A Study of C.G. Jung, Mircea Eliade, and Joseph Campbell (Suny Series, Issues in the Study of Religion) by Robert S. Ellwood (Sep 1999)
– Words of the World’s Regions: An Anthology by Robert S. Ellwood (1977)
– Zen in American Life and Letters (Interplay No 6) by Robert S. Ellwood (Dec 1988)

Como vimos em sua biografia, Robert Ellwood é membro destacado da Sociedade Teosófica, e existem artigos de sua autoria publicados em um website da citada instituição, incluindo um interessante trabalho intitulado Frodo’s Quest and the Spiritual Journey, onde o autor interpreta os temas mitológicos do livro O Senhor dos Anéis sob uma perspectiva espiritual.

Cabe aqui mencionar que, em diversos momentos, Stephan Hoeller, outro grande conhecedor da tradição gnóstica e Bispo de um dos ramos da Igreja Gnóstica nos Estados Unidos, destaca a Sociedade Teosófica e o trabalho de Madame Blavatsky como portadores de um inegável caráter gnóstico, algo que dificilmente pode ser contradito.

Portanto, o interesse de Robert Ellwood pelo gnosticismo possui duas vias de alimentação bem definidas. A primeira é a sua dedicação acadêmica ao estudo das religiões, que supomos haver permitido ao professor a constatação da Universalidade da Mensagem Gnóstica. A segunda é a sua filiação a uma instituição que pode ser considerada como gnóstica, talvez não em sua tradição, mas sim em sua base filosófica.

Nada nos garante que o Dr. Ellwood aceite, predique ou até mesmo pratique os ensinamentos tal qual são ensinados nas obras de Samael Aun Weor, literatura base de todas as instituições que modernamente formam o Movimento Gnóstico Cristão Universal. Mais que isso, não existe a mínima evidência de que isto seja possível.

Contudo, o renomado professor de religiões mundiais, tendo como fundamento suas extensas pesquisas na área e suas constatações científicas resultantes das mesmas, concede o importante título de “diretamente gnóstico” ao Movimento Gnóstico Cristão Universal.

Esta atribuição conferida ao MGCU por uma autoridade em religiões mundiais possui grande importância para os esforços de milhares de Missionários e Instrutores desta linhagem gnóstica, pois certamente afeta a receptividade de seus esforços pela opinião pública, pelos meios de comunicação e pelo meio acadêmico.

12 Respostas

  1. Pan Veritrax

    Muito interessante. Pena que a maioria dos membros ditos membros da Associação Gnóstica da América Latina não se interessem por Gnosticismo nem sobre Nag Hammadi preferindo seguir um texto ou um autor a experimentar a verdadeira experiência da Gnosis. Trabalhos sérios na busca desta experiência, que caracteríza uma escola verdadeiramente gnóstica, como os desenvolvidos na Associação Gnóstica são cada vez mais raros… Espero que os que acreditam-se gnósticos se toquem e deixem de ser tão covardes lançando-se à busca da experimentação da verdade…

  2. Pan Veritrax,

    É preciso estar muito desconectado da comunidade gnóstica internacional para afirmar que a “maioria dos membros da Associação Gnóstica da América Latina não se interessam pelo Gnosticismo nem sobre Nag Hammadi”.

    A grande maioria tem sim muito interesse, e aos poucos vai tomando contato com esta literatura fantástica de nossa tradição religiosa.

    Também me parece ser o resultado da alienação acima citada a afirmação de que a maioria dos membros “preferem seguir um texto ou um autor a experimentar a verdadeira experiência da Gnosis.”

    Cada um experimenta a Gnosis segundo “o ritmo de sua particularidade”, e as preferências particulares pelos textos de determinado autor não são obstáculos para a experiência da Gnosis.

    É verdade que na Sociedade Gnóstica realizamos trabalhos sérios na busca da Gnosis, mas esta não é uma característica unicamente nossa. Há muitos outros grupos que estão empenhados neste sentido, e com muito sucesso.

    Não é prudente taxar os demais de covardes quando desconhecemos a maneira como se dedicam às práticas. Poucos exemplos negativos não servem como amostragem fiel de toda a comunidade gnóstica.

  3. Mick Honner

    O Gnósticismo Real desvelado por Samael Aun Weor certamente está tendo seu devido reconhecimento e certamente aparece de forma proeminente, ao que muitos calam por não terem como contestar com teses, já que o que se ensina vai a prática. É contundente e só os sinceros podem falar a respeito com autoridade, ou reconhecendo como real ou que não entendeu (pode acontecer), no caso dos que querem colocar a verdade contida em seus míseros raciocínios vem em muito oposição, mas esta cai por terra pois não tem base e vai ao absurdo com teorias e oposições sem embasamento e mesmo falácia intelectual.

  4. Olá Mick,

    Não existe tal coisa chamada “gnosticismo real”. Jamais um mestre gnóstico como Samael Aun Weor afirmaria a existência de algo do gênero.

    Em especial, destaco que o citado mestre, quando define o gnosticismo, ecoa subsídios conceituais que permitem classificar muita coisa como sendo gnosticismo.

    Quanto ao restante de sua mensagem…

    “É contundente e só os sinceros podem falar a respeito com autoridade, ou reconhecendo como real ou que não entendeu (pode acontecer), no caso dos que querem colocar a verdade contida em seus míseros raciocínios vem em muito oposição, mas esta cai por terra pois não tem base e vai ao absurdo com teorias e oposições sem embasamento e mesmo falácia intelectual.”

    …parece-me que corresponde à aplicação equivocada daquela parte da doutrina gnóstica que fala sobre a diferença entre conceito e realidade.

    Não é inteligente combater as opiniões alheias com os princípios desta doutrina. Seria uma atitude muito mais digna e próxima dos princípios gnósticos utilizar esta doutrina para fazer uma reavaliação particular, íntima e silenciosa a respeito do funcionamento da própria mente.

  5. Pan Veritrax

    Não sei se perder-se em seus próprios raciocínios é pior do que perder-se nas palavras de um livro ou de um autor… Por melhor que seja um autor ou um livro a Gnosis não está lá, ela não pode ser escrita, ela não pode ser guardada em palavras… Gnosis é experiência direta da verdade e é algo que deve ser empreendido por cada um. Se o estudo de um autor, por melhor que ele seja, não conduzir a este tipo de experiência este estudo foi inútil…

    Infelizmente o que a maioria dos gnósticos contemporâneos fazem é ler sobre Gnosis e não experimentar a Gnosis… Conheço muitos que seguem mas poucos que sabem… Muitas pessoas lêem avidamente os livros de tal ou qual Mestre mas muito poucos experimentaram a Gnosis, a iluminação, por mais breve que seja…

    E experimentar a Luz é algo tão simples… basta ter um mínimo de vontade e coragem… e principalmente não limitar a si mesmo, não amarrar as asas de seu próprio Deus Interior…

    Aquele que não experimentou a Luz não é um gnóstico. É meramente um leitor como qualquer outro…

    O único Gnosticismo Real é a própria Luz, a própria Gnosis, experimentada diretamente…

    Os Mestres (se é que posso chamá-los assim…) são como guias que nos apontam a direção da Luz. Cabe a nós desviar nossos olhos de seus dedos e olhar para onde eles nos apontam. Se nos prendermos à figura do Mestre e não alcançarmos a Luz o esforço de nosso guia terá sido em vão…

    Melhor experimentar a Luz por si mesmo do que viver como um crente na luz de outra pessoa… Melhor abandonar a crença e abraçar a Verdade…

  6. Pan Veritrax,

    Sua mensagem é muito lúcida no que diz respeito à experimentação da Gnosis, mas as generalizações são completamente desnecessárias…

    Abraços Fraternos!

  7. Paulo Sérgio

    Olá

    Não se esqueçam de algo muito importante, se querem realmente engrandecer o gnosticismo e os meios que o fomentam, tenham mais respeito por ambos quer na escrita, quer na ortografia utilizada; só através dos diálogos redigidos exemplarmente e com clareza, podemos clarificar as ideias dos que nos consultam e promover com lucidez a partilha de opiniões entre todos nós.

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

  8. O amigo Paulo nos recorda uma lição muito importante, que consiste em aperfeiçoar a expressão literal de modo que as ideias sejam mais perfeitamente compreendidas pelos interlocutores.

    Neste sentido, gostaria de relembrar que entre Gnosis e Gnosticismo existe uma diferença conceitual importante, e igualar os dois termos para defender um ponto de vista mais o enfraquece que o confere consistência.

    Gnosticismo é um movimento que orbita em torno da Gnosis, enquanto este último termo se refere à experimentação direta da Verdade, mas não apenas isso, pois também é utilizado para designar o próprio ensinamento esotérico que conduz até esta experiência.

  9. Paulo Sérgio

    Concordo absolutamente com o que diz Pan Veritrax, ou se vive a Gnose sem intermediários ou então o filtro que colocamos em todas as vias que, eventualmente, nos levariam a ela permanecerão goradas, impossibilitando o alcance verídico dos propósitos reais em que se fundamenta a Gnose.

    A Ciência superior independente das crenças vulgares, está identificada com o sistema teológico e filosófico que exprime um conhecimento sublime e transcendente, consubstanciado nos atributos de Deus e da sua natureza que designamos por gnosticismo.

    Gnose e gnosticismo são uma e a mesma coisa, ambos os termos são equivalentes e possuem o mesmo denominador comum: o saber por excelência que antecede qualquer conhecimento e que parte do princípio divino, único meio para se atingir a verdadeira sabedoria.

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

  10. Paulo Sérgio,

    Aí você se contradiz.

    Ressalta a importância da Gnose sem intermediários, mas a converte em sinônimo de um movimento localizado no tempo e no espaço.

    O intelecto não só atrapalha a consciência quando é usado fora de lugar; ele também o faz quando não funciona corretamente.

  11. Dirani de Andrade

    Adorei entrar em contato com SGI, pois sou de Volta Redonda/RJ, e tenho me esforçado para atuar como gnóstica(aprendiz a candidata), participei de uma série de estudos que aconteceu em minha cidade, por um período aproximado de 18 meses, isto já passados 07 anos. Hoje, ainda interressada, venho lutando com muito esforço para desenvolver me sozinha, mas assumo minha dificuldade, então quero esclarecer que sinto-me mais amparada em saber que tenho outras pessoas com quem me contactar ainda que on-line.Embora eu saiba que o caminho eu devo fazer sozinha,é bom encontrado pessoas com objetivo comum. Um abraço,Dirani de Andrade

  12. Obrigado pelas tuas palavras Dirani.

    Este é o nosso papel; estar perto das pessoas através da internet, e aproximá-las fisicamente quando possível :)

    Grande abraço!

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