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Pensamentos Negativos

Psicologia Revolucionária | Capítulo 14
26 jul 2017

Pensamentos Negativos

Pensar profundamente e com plena atenção, parece algo estranho nesta época involutiva e decadente. Do Centro Intelectual surgem diversos pensamentos, provenientes não de um “Eu” permanente, como supõem nesciamente os ignorantes ilustrados, mas dos diferentes “Eus” em cada um de nós.

Quando um homem está pensando, crê firmemente que ele em “Si mesmo” e por “Si mesmo” está pensando. Não quer entender, o pobre “mamífero intelectual”, que os múltiplos pensamentos que passam por seu entendimento têm sua origem nos diferentes “Eus” que leva dentro de si. Isto significa que não somos verdadeiros indivíduos pensantes, realmente ainda não temos mente individual.

Entretanto, cada um dos diferentes “Eus” que carregamos dentro de nós, usa nosso Centro Intelectual, utiliza-o cada vez que pode para pensar. Seria absurdo, então, identificar-nos com tal ou qual pensamento negativo e prejudicial, acreditando ser ele nossa propriedade particular. Obviamente, este ou aquele pensamento negativo provém de qualquer “Eu” que em um dado momento utilizou abusivamente nosso Centro Intelectual.

Existem pensamentos negativos de distintas espécies: suspeita, desconfiança, má vontade para com outra pessoa, ciúmes passionais, ciúmes religiosos, ciúmes políticos, ciúmes por amizades ou de tipo familiar, cobiça, luxúria, vingança, ira, orgulho, inveja, ódio, ressentimento, furto, adultério, preguiça, gula etc. Realmente, são tantos os defeitos psicológicos que temos que, ainda que tivéssemos um palato de aço e mil línguas para falar, não conseguiríamos enumerá-los cabalmente. Como seqüência ou corolário do que antecede, torna-se descabido nos identificarmos com os pensamentos negativos.

Uma vez que não é possível que exista efeito sem causa, afirmamos solenemente que nunca um pensamento poderia existir por “Si Mesmo”, por geração espontânea. É evidente a relação entre pensador e pensamento; cada pensamento negativo tem sua origem em um pensador diferente. Em cada um de nós existem tantos pensadores negativos, quantos pensamentos da mesma índole. Vista a questão sob o ângulo pluralizado de “Pensadores e Pensamentos”, conclui-se que cada um dos “Eus” que carregamos em nossa psique é certamente um pensador diferente.

Inquestionavelmente, dentro de cada um de nós existem pensadores em demasia. Não obstante, cada um destes, apesar de ser tão só uma parte, crê-se o todo, em um dado momento. Os mitômanos, os ególatras, os narcisistas, os paranóicos, nunca aceitarão a tese da “pluralidade de pensadores”, porque valorizam demasiadamente o “Mim mesmo”, sentem-se “o papai do Tarzan” ou “a mamãe das criancinhas”.

Como tais pessoas anormais poderiam aceitar a idéia de que não possuem uma mente individual, genial, maravilhosa? Não obstante, tais sabichões pensam de “Si Mesmo” o melhor, e até se vestem com a túnica de Arístipo para demonstrar sabedoria e humildade.

Conta a lenda dos séculos que Arístipo, querendo demonstrar sabedoria e humildade, vestiu-se com uma velha túnica cheia de remendos e buracos; empunhou com a mão direita o Bastão da Filosofia e se foi pelas ruas de Atenas. Dizem que quando Sócrates o viu vindo, exclamou com grande voz: “Ó Arístipo, vê-se tua vaidade através dos buracos de tua vestimenta!”.

Quem não vive sempre em estado de Alerta-novidade, Alerta-percepção, pensando que está pensando, facilmente se identifica com qualquer pensamento negativo. Como resultado, fortalece lamentavelmente, o poder sinistro do “eu negativo”, autor do correspondente pensamento em questão. Quanto mais nos identificamos com um pensamento negativo, tanto mais escravos seremos do correspondente “Eu” que o caracteriza.

Com relação à Gnose, ao Caminho Secreto, ao trabalho sobre o “Mim mesmo”, nossas tentações particulares encontram-se precisamente nos “Eus” que odeiam a Gnose, o trabalho esotérico, porque não ignoram que sua existência dentro de nossa psique está mortalmente ameaçada pela Gnose e pelo Trabalho.

Esses “eus Negativos” e brigões apoderam-se facilmente de certos “rolos” mentais armazenados em nosso Centro Intelectual, e originam seqüencialmente correntes mentais nocivas e prejudiciais. Se aceitarmos esses pensamentos, esse “eus Negativos” que em um dado momento controlam nosso Centro Intelectual, seremos incapazes de nos livrar de seus resultados. Jamais devemos esquecer que todo “eu negativo” se “autoengana” e “engana”; conclusão: Negam. Cada vez que sentimos uma súbita perda de força, quando o aspirante se desilude da Gnose, do trabalho esotérico, quando perde o entusiasmo e abandona o melhor, é óbvio que foi enganado por algum “Eu” negativo.

O “eu negativo do adultério” aniquila os nobres lares e torna desgraçados os filhos. O “eu negativo dos ciúmes” engana os seres que se adoram e destrói sua felicidade. O “eu negativo do orgulho místico” engana os devotos do caminho e estes, sentindo-se sábios, cansam-se de seu Mestre ou o atraiçoam. O “Eu” negativo apela para nossas experiências pessoais, nossas recordações, nossas melhores aspirações, nossa sinceridade, e, mediante uma rigorosa seleção de tudo isto, apresenta algo sob uma falsa luz, algo que fascina, e vem o fracasso. Não obstante, quando alguém descobre o “Eu” em ação, e quando já aprendeu a viver em estado de alerta, tal engano faz-se impossível.

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