Bem-vindo a Sociedade Gnóstica Internacional

2 ago 2017

A Personalidade Humana | Educação Fundamental

Um homem nasceu, viveu 65 anos e morreu. Porém, onde se encontrava antes de 1900 e onde poderá estar depois de 1965? A ciência oficial nada sabe sobre isto. Esta é a formulação geral de todas as questões sobre a vida e a morte. Axiomaticamente, podemos afirmar: O HOMEM MORRE PORQUE SEU TEMPO TERMINOU. NÃO EXISTE NENHUM AMANHÃ PARA A PERSONALIDADE DO MORTO.

Cada dia é uma onda do tempo. Cada mês é outra onda do tempo. Cada onda também é outra onda do tempo e todas essas ondas encadeadas em seu conjunto constituem a grande onda da vida. O tempo é redondo e a vida da personalidade humana é uma curva fechada. A vida da personalidade humana desenvolve-se em seu tempo, nasce em seu tempo e morre em seu tempo. Jamais poderá existir além de seu tempo.

Isto do tempo é um problema que foi estudado por muitos sábios. Fora de toda dúvida, o tempo é a quarta dimensão. A geometria de Euclides só é aplicável ao mundo tridimensional, porém, o mundo tem sete dimensões e a quarta é o tempo. A mente humana concebe a eternidade como o prolongamento do tempo em linha reta. Nada pode estar mais equivocado do que este conceito porque a eternidade é a quinta dimensão.

Cada momento da existência ocorre no tempo e se repete eternamente. A morte e a vida são dois extremos que se tocam. Uma vida termina para o homem que morre, porém, começa outra. Um tempo termina e outro começa. A morte está intimamente vinculada ao eterno retorno. Isso quer dizer que temos de retornar, de regressar a este mundo depois de mortos para repetir
o mesmo drama da existência. Porém, se a personalidade humana perece com a morte, quem ou o quê é o que retorna?

É preciso esclarecer, de uma vez para sempre, que o eu é o que continua depois da morte, que o eu é quem retorna, que o eu é quem regressa a este vale de lágrimas. É preciso que nossos leitores não confundam a lei do retorno com a teoria da reencarnação ensinada pela Teosofia Moderna. A citada teoria da reencarnação teve sua origem no culto a Krishna, que é uma religião hindu do tipo védico, infelizmente retocada e adulterada pelos reformadores.

No culto autêntico e original de Krishna, só os heróis, os guias, aqueles que possuíam a sagrada personalidade eram os únicos que se reencarnavam. O eu pluralizado retorna, regressa, e isso não é reencarnação. As massas, as multidões retornam e isso não é reencarnação.

A ideia do retorno das coisas e dos fenômenos, a ideia da eterna repetição não é muito antiga e podemos encontrá-la na sabedoria pitagórica e na antiga Cosmogonia da Índia. O eterno retorno dos dias e das noites de Brahamam, a repetição incessante dos Kalpas, etc. está, invariavelmente, associado de forma bem íntima à sabedoria pitagórica e à lei da recorrência eterna ou eterno retorno.

O Buda Gautama ensinou mui sabiamente a doutrina do eterno retorno, a roda de vidas sucessivas. Porém, sua doutrina foi muito adulterada pelos seus seguidores. Todo retorno implica, imediatamente, na fabricação de uma nova personalidade humana, a qual se forma durante os sete primeiros anos da infância. O ambiente familiar, a vida na rua e na escola dão à personalidade humana seus matizes originais e característicos.

O exemplo dos adultos é definitivo para a personalidade infantil. A criança aprende mais com o exemplo do que com o preceito. A forma equivocada de viver, o exemplo absurdo e os costumes degenerados dos adultos dão à personalidade da criança esse toque peculiar cético e perverso da época em que vivemos. Nestes tempos modernos, o adultério tornou-se mais comum do que a batata e a cebola. Como é apenas lógico, isso dá origem a cenas dantescas nos lares.

São muitas as crianças que, por esses tempos, têm de suportar, cheias de dor e ressentimento, as surras de cinta ou de paus do padrasto ou da madrasta. É claro que, desta forma, a personalidade da criança se desenvolve dentro de um marco de dor, rancor e ódio. Existe um ditado popular que diz: O filho alheio cheira a feio em todas as partes.

Naturalmente, que nisto também há exceções, porém, estas podem ser contadas nos dedos das mãos e ainda sobram dedos. As altercações entre o pai e a mãe, por causa de ciúmes, o pranto e os lamentos da mãe aflita ou do marido oprimido, arruinado ou desesperado, deixam na personalidade da criança uma indelével marca de profunda dor e melancolia, a qual jamais será esquecida durante toda a vida.

Nas casas elegantes, as orgulhosas senhoras maltratam suas empregadas quando elas vão aos salões de beleza ou se maquilam seus rostos. Estas senhoras ficam mortalmente feridas em seu orgulho. A criança que assiste a todas essas cenas de infâmia sentem-se magoadas no fundo de si mesmas, pois, se ponha a ela a parte de sua soberba e orgulhosa mãe, ou a parte da infeliz criada, vaidosa e humilhada. O resultado costuma ser catastrófico para a personalidade infantil.

Desde que se inventou a televisão, perdeu-se a unidade da família. Em outros tempos, o homem chegava da rua e era recebido com muita alegria por sua mulher. Hoje em dia, a mulher não sai para receber seu marido na porta porque está ocupada vendo televisão. Dentro dos lares modernos, o pai, a mãe, os filhos e as filhas parecem uns autômatos, inconscientes diante do vídeo da televisão. Agora, o marido não pode comentar com sua mulher absolutamente nada sobre os problemas do dia, o trabalho, etc, porque ela parece uma sonâmbula vendo o capítulo da novela, as cenas dantescas de Al Capone, o desfile da última moda, etc.

As crianças criadas neste novo tipo de lar ultra-moderno se pensam em canhões, pistolas e metralhadoras de brinquedos para imitar e viver a seu modo todas as cenas dantescas do crime, tais como as viram na tela de vidro da televisão. É lástima que este maravilhoso invento da televisão seja usado com propósitos destrutivos. Se a humanidade usasse esse invento de forma dignificante, seja para estudar as ciências naturais, ou para dar sublimes ensinamentos às pessoas, ele seria uma bênção para a humanidade. Ele poderia ser utilizado inteligentemente para cultivar a personalidade humana.

A todas as luzes, é absurdo nutrir a personalidade infantil com música arrítmica, vulgar e desarmônico. É estúpido nutrir a personalidade das crianças com contos de ladrões e policiais, com cenas de vícios e prostituição, com drama de adultério, pornografia, etc. O resultado de semelhante procedimento podemos ver nos “rebeldes sem causa”, nos assassinos prematuros, etc. É lamentável que as mães surrem seus filhos, batam neles com paus, os insultem com vocábulos ofensivos e cruéis… O resultado de semelhante conduta é o ressentimento, o ódio, a perda do amor, etc.

Na prática, podemos ver que as crianças criadas entre paus, látegos e gritos se converteram em pessoas vulgares, cheias de grosseria e sem qualquer sentido de respeito e veneração. É urgente que se compreenda a necessidade de se estabelecer o verdadeiro equilíbrio nos lares. É indispensável saber que a ternura e a severidade devem se equilibrar mutuamente nos
pratinhos da balança da justiça.

O pai representa a severidade. A mãe representa a ternura. O pai personifica a sabedoria e a mãe simboliza o amor. Sabedoria e amor, severidade e ternura, se equilibram mutuamente nos dois pratos da balança cósmica. Os pais e as mães de família devem se equilibrar mutuamente para o bem de seus lares. É urgente, é necessário que todos os pais e mães de família compreendam a necessidade de semear na mente infantil os eternos valores do espírito.

É lamentável que as crianças modernas não possuam mais o sentimento de veneração. Isso se deve às estórias de vaqueiros, ladrões e policiais. A televisão e o cinema perverteram a mente das crianças. A PSICOLOGIA REVOLUCIONÁRIA do Movimento Gnóstico faz uma clara e precisa distinção de fundo entre ego e essência. Durante os três ou quatro primeiros anos de vida, só se manifesta na criança a beleza da essência. Então, a criança é terna, doce e formosa em todos os seus aspectos psicológicos. Quando o ego começa a controlar a tenra personalidade da criança, toda essa beleza da essência vai desaparecendo e, em seu lugar, afloram os defeitos psicológicos próprios de todo ser humano.

Assim como devemos fazer distinção entre ego e essência, também precisamos distinguir entre personalidade e essência. O ser humano nasce com a essência, mas, não nasce com a personalidade. Esta última precisa ser criada. Personalidade e essência devem se desenvolver de forma harmoniosa e equilibrada. Na prática, pudemos verificar que, quando a personalidade se desenvolve exageradamente, às custas da essência, o resultado é o velhaco. A observação e a experiência de muitos anos permitiram-nos compreender que, quando a essência se desenvolve totalmente sem atender, no mínimo, ao cultivo harmonioso da personalidade, o resultado é o místico sem intelecto, sem personalidade, nobre de coração, mas, inepto, incapaz.

O desenvolvimento harmonioso da personalidade e da essência dá como resultado homens e mulheres geniais. Na essência, temos tudo o que é próprio e, na personalidade, tudo o que é emprestado. Na essência, temos todas as qualidades inatas, e, na personalidade, temos o exemplo dos mais velhos, o que aprendemos no lar, na escola e na rua. É urgente que as crianças recebam alimento para a essência e para a personalidade. A essência alimenta-se com ternura, carinho sem limites, amor, música, flores, beleza, harmonia…

A personalidade deve ser alimentada com o bom exemplo dos adultos, com o sábio ensinamento na escola, etc. É indispensável que as crianças entrem para o ensino primário com a idade de sete anos depois de terem passado pelo jardim da infância. As crianças devem aprender as primeiras letras brincando. Assim, o estudo se fará atraente, delicioso e feliz para elas. A EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL ensina que, desde o próprio jardim de infância, devem ser atendidos de forma especial cada um dos três aspectos da personalidade humana, conhecidos como pensamento, movimento e emoção. Assim, a personalidade da criança se desenvolverá de forma harmoniosa e equilibrada.

A questão da formação da personalidade da criança e seu desenvolvimento é de gravíssima responsabilidade para os pais de família e professores de escola. A qualidade da personalidade humana depende exclusivamente do tipo de material psicológico com o qual foi alimentada e formada. Em torno de personalidade, essência e ego ou eu, existe muita confusão entre os estudantes de psicologia. Alguns confundem a personalidade com a essência e outros confundem o ego ou eu com a essência.

São muitas as escolas pseudo-esotéricas ou pseudo-ocultistas que têm como meta de seus estudos a vida impessoal. É preciso esclarecer que não é a personalidade o que temos de dissolver. É urgente saber que temos que desintegrar o ego, o mim mesmo, o eu, reduzi-lo à poeira cósmica. A personalidade é tão somente um veículo de ação, um veículo que foi necessário criar, fabrica.

No mundo, existem calígulas, átilas, hitleres, etc. Todo o tipo de personalidade, por mais perversa que tenha sido, pode se transformar radicalmente quando o ego ou eu se dissolver totalmente. Isto da dissolução do ego ou eu confunde e incomoda a muitos pseudo-esoteristas. Eles estão convencidos que o ego é divino. Eles crêem que o ego, ou eu seja o próprio Ser, a Mônada Divina.

É necessário, urgente, improrrogável compreender que o ego ou eu nada tem de divino. O ego ou eu é o satâ da Bíblia, feixe de recordações, desejos, paixões, ódios, ressentimentos, concupiscências, adultérios, herança familiar, raças, nação, etc. Muitos afirmam, de forma estúpida, que, em nós, existe um Eu Superior ou Divino e um Eu Inferior. Superior e inferior são sempre duas seções de uma mesma coisa. Eu Superior e Eu Inferior são duas seções do mesmo ego.

O ser divino, a Mônada, o Íntimo nada tem que ver com qualquer forma do eu. O Ser é o Ser e isso é tudo. A razão de ser do Ser é o próprio Ser. A personalidade em si mesma só é um veículo e nada mais. Através da personalidade, pode se manifestar o ego ou o Ser; tudo depende de nós mesmos. É urgente dissolver o eu, o ego, para que só se manifeste através de nossa personalidade a essência psicológica de nosso verdadeiro ser.

É indispensável que os educadores compreendam plenamente a necessidade de se cultivar harmoniosamente os três aspectos da personalidade humana. Um perfeito equilíbrio entre a personalidade e a essência, um desenvolvimento harmonioso do pensamento, da emoção e do movimento e uma ética revolucionária constituem as bases da EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL.

Deixe um Comentário