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26 set 2011

Massacre de Gatos em Rituais Cristãos

Gatos e seres humanos vêm cultivando um relacionamento afetuoso e produtivo há cerca de 10 mil anos. Estes animais dóceis e independentes já desempenharam funções de grande importância para a civilização humana, auxiliando no controle de pragas e doenças, ocupando o status de membros de família ou sendo cultuados como autênticas divindades.

Contudo, já houve um período na história desta relação em que a ignorância e a barbárie do ser humano protagonizaram um dos espetáculos mais horrorosos e sádicos de todos os tempos. Um número incontável de inocentes criaturas foi vitimada em rituais supersticiosos, motivados pelo fanatismo da mentalidade católica medieval e alimentados pela astúcia dos monarcas.

Muito antes deste lamentável capítulo de sua história, os gatos desempenharam um papel muito importante para que o ser humano pudesse estabelecer sua sociedade agrícola, o que ocorreu há cerca de 9.500 anos, nas primeiras vilas agriculturais do chamado Crescente Fértil.

Como a produção e o armazenamento de alimentos atraía um número impressionante de roedores, os gatos, exímios caçadores, eliminavam os invasores dos silos. E foi assim que passavam a conviver com os seres humanos.

No Egito, há pelo menos 5.000 anos, os gatos eram venerados e tratados como divindades. A mais famosa delas era chamada Bastet, a deusa da fertilidade e da felicidade, considerada benfeitora e protetora do homem.

Os gatos eram tão queridos pelos egípcios que eram tratados como membros da família, inclusive após sua morte, quando eram embalsamados à maneira dos seres humanos. Além disso, quem matasse um gato era punido com a pena capital.

Os antigos persas jamais maltratavam os gatos. Para eles, os gatos eram verdadeiros amigos, destinados a servir como companheiros de jornada durante toda a vida. Assim, maltratar um gato correspondia a fazer mal a si próprio, a um espírito de natureza divina, responsável pelo atenuar o impacto de muitos sofrimentos da existência.

Por algum tempo foram respeitados na Europa. No entanto, com a chegada da Idade Média, os gatos passaram a ser vistos como espíritos malignos, associados às bruxas e à Satanás. Quando uma pessoa acusada de bruxaria era queimada, vários gatos a acompanhavam neste suplício ignorante e de natureza demoníaca.

Até os dias atuais o gato sofre com o preconceito que teve início durante este período. Houve até mesmo um papa, chamado Inocêncio VIII, que cometeu o absurdo de incluir os gatos pretos na lista de seres hereges que deveriam ser perseguidos pela Inquisição, um ato que só faz aumentar o apreço e a identificação dos gnósticos com este animal.

Sabe-se que ainda hoje os gatos pretos são estigmatizados e até perseguidos e vitimados, justamente pelo fato de estarem associados às bruxas e à magia negra. Este preconceito teve início na Idade Média, graças à visão estreita dos fanáticos religiosos, mas também aos extraordinários poderes que possui o elemental deste animal.

Mas certamente esta crueldade atingiu seu ápice quando foi incorporada por certas cerimônias cristãs populares. Um exemplo é a Festa de São João (Fête de la Saint-Jean), uma festa católica francesa que acontece no dia 24 de junho e celebra o nascimento de São João Batista. Ela é tradicionalmente celebrada com fogueiras inspiradas nos rituais pagãos do Solstício de Verão e, no período medieval, gatos eram lançados à fogueira como parte da festividade.

Não tardou para que este tipo de sadismo acabasse adquirindo, na França, o status de entretenimento popular. Durante o século XVII, o povo se divertia prendendo vários felinos em uma espécie de rede, fazendo com que fossem içados ao alto e lançados em uma fogueira. Descrições deste período narram pessoas em grande alvoroço, rindo e gritando exaltadas ao assistirem a este espetáculo macabro, enquanto os animais, grunhindo de dor, eram chamuscados, tostados e finalmente carbonizados.

Segundo relato do antropólogo James Frazer, constatamos que a mentalidade cristã supersticiosa da época atingia níveis espantosos. Mesmo quando não havia uma “festa” que “motivasse” a brutalidade, era costume atirar um barril cheio de gatos em uma fogueira. O objetivo era recolher as cinzas e levá-las para casa, pois isso traria boa sorte.

Os monarcas franceses assistiam a esses espetáculos, e chegavam até mesmo a iniciar o incêndio da fogueira, desempenhando um papel de destaque no evento. O último a desempenhar esta função foi Luís XIV, que após cumprir com a horrível formalidade, ofereceu um suntuoso banquete em seu palácio. Assim, mantinha a população distraída em benefício de seus próprios interesses, hábito comum entre governantes de todas as épocas, desde imperadores até presidentes.

Em maior ou menor grau, o fanatismo de qualquer espécie leva o ser humano a se comportar de maneiras absurdas. Nestes tempos em que o direito dos animais vem se tornando um movimento cada vez mais importante em nossa sociedade, este olhar para trás realça a dívida que o ser humano contraiu com seus mais antigos companheiros.

7 Respostas

  1. elisa sartini

    EU AMO GATOS,TENHO 6.ESSES RELATOS CHEGAM A ME DAR ENJOO.LUTO MUITO PELOS DIREITOS DESTES FELINOS Q AINDA HOJE SÃO DISCRIMINADOS…

  2. Pingback : A História do Gato Doméstico

  3. renatakavinne123

    Boa noite!

    Acho um absurdo como tem pessoas que odeiam gatos sem ao menos terem uma explicação para isso. Quando pergunto o porquê, não sabem ter um argumento sequer que justifique o não gostar.
    Acredito que isso deve se remeter às crenças da Idade Média que está ainda viva até hoje para muitas pessoas e que ficaram impregnadas no perispírito das mesmas que é um imenso HD que deixa os registros de outras vidas.
    Talvez essas pessoas tenham sido até seres que participaram desses massacres de gatos em rituais cristãos.
    Eu tenho 2 felinas, são minhas preciosidades, são lindas, exuberantes, elegantes e minhas amigas!
    Que essas pessoas que não gostam e maltratam os gatos e qualquer outro tipo de animal, desejo do fundo do meu coração que despertem a consciência para o bem, e se elevem como ser humano.
    Abraços fraternos!
    Renata – Rio de janeiro

  4. Olá Renata, obrigado pelas suas palavras!
    Os gatos nada mais são que elementais da natureza, assim como nós.
    Que possamos todos despertar a consciência e ser como São Francisco de Assis, o protetor de nossos irmãos menores!

    Abraços Fraternos,
    Paz Inverencial!

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