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1 out 2006

As Ondas e o Oceano

Quando as pessoas começam a meditar, sempre dizem que seus pensamentos estão desenfreados e tornam-se mais agitados do que nunca. Mas devemos nos tranqüilizar pois esse é um bom sinal. Longe de significar que seus pensamentos estão muito agitados, isso mostra que ficamos mais tranqüilos e estamos finalmente conscientes do quão ruidosos são nossos pensamentos e sempre foram. Não devemos nos desencorajar ou desistir. O que quer que surja, apenas mantenhamo-nos presentes e continuemos voltando-nos para a nossa respiração, mesmo no meio da maior confusão.

Tal como o oceano tem ondas e o sol tem raios, a radiância própria da mente são seus pensamentos e emoções. O oceano tem ondas, mas não é particularmente perturbado por elas.

As ondas são a mesma natureza do oceano. As ondas aparecem, mas para onde vão? De volta ao oceano. E de onde vêm? Do oceano. Do mesmo modo, pensamentos e emoções são a radiância e a expressão da verdadeira natureza da mente. Eles surgem na mente, mas onde se dissolvem? Na própria mente. O que quer que apareça, não o encare como um problema particular; se você não reage de maneira impulsiva, se sabe ser apenas consciente, isso assentará novamente em sua natureza essencial.

Assim, não importa que pensamentos e emoções apareçam, permita que eles venham e assentem, como as ondas do oceano. Não importa o que se perceba pensando, deixe esse pensamento surgir e se assentar, sem interferência. Não se apegue a ele, não o alimente, não lhe preste demasiada atenção; não se agarre a ele e não tente dar-lhe solidez. Nem siga ou convide os pensamentos; seja como o oceano olhando para suas próprias ondas ou o céu do alto observa as nuvens que passam por ele.

Um estudante chamado Apa Pant, era um destacado diplomata e autor indiano que serviu como embaixador da Índia em várias capitais ao redor do mundo. Ele foi até representante do governo da Índia no Tibet, em Lhasa, e noutro momento do Sikkim. Era praticante de meditação e yoga, e cada vez que via meu mestre perguntava-lhe “como meditar”. Seguia uma tradição oriental em que o estudante continua interrogando com uma pergunta simples e básica, repetidamente.

Apa Pant me contou essa história. Um dia nosso mestre estava observando uma “Dança do Lama” em frente do palácio-templo em Gantok, capital do Sikkim, e ria-se das cabriolas do atsara, o palhaço que apresentava divertimentos leves entre as danças. Apa Pant continuava assediando nosso mestre e, desta vez, quando este respondeu, deixou claro que seria a resposta final e definitiva:

“Veja, é isso aqui: quando o pensamento passado acaba e o futuro ainda não começou, não há um intervalo?”

“Sim”, disse Apa Pant.

“Pois é, prolongue-o: isso é meditação”.

Trecho extraído do livro O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche

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