Bem-vindo a Sociedade Gnóstica Internacional

Tempo para o Espírito | A Saga de Cronos

1 maio 2017

Tempo para o Espírito | A Saga de Cronos

Cronos decidiu assistir a uma reunião de monges representantes de diferentes filosofias e regiões do mundo que participavam de um encontro ecumênico, que tinha como cenário as harmônicas instalações de um monastério zen, localizado em meio a uma maravilhosa paisagem nos arredores do Monte Fuji, no Japão.

Num momento estratégico, Cronos aproveitou para expressar:

— Tenho observado que o homem moderno é obrigado a gastar tempo para comer e dormir, já que estas são necessidades físicas. Mas, o que dizer das necessidades espirituais? Sabemos que elas requerem ser satisfeitas. Gostaria de conhecer vossas observações e de perguntar-vos: por que o homem se transformou em um escravo do tempo?

Um monge taoísta, respeitosamente solicitou permissão para falar, e disse:

— A sabedoria da Segunda Jóia do Dragão Amarelo nos diz que somos escravos do tempo pela própria mente, que é, em si mesma, uma cárcere
muito dolorosa; ninguém tem sido feliz em razão dela. A mente faz desditosa toda criatura. Os momentos mais felizes que temos na vida tem sido sempre na ausência da mente. Tem sido um instante, sim, mas que não poderemos nos esquecer nunca. Em tal segundo temos experimentado o que é a felicidade infinita. É necessário aprender a dominar a mente, não a alheia, mas a própria. Há que dominá-la se queremos independência dela. Temos que nos tornar independentes da mente porque ela é uma cárcere “temporal”, onde todos estamos prisioneiros. A sabedoria do Dragão Amarelo enfatiza que o passado condiciona nossa vida presente. Temos que viver de instante em instante. A vida é um eterno agora e um eterno presente.

Depois de um profundo e místico silêncio, um monge franciscano pediu a palavra dizendo:

— Em nossa Bíblia Sagrada, Efésios, 5:16, o Senhor nos diz: “Comprai para vós o tempo oportuno, porque os dias são inócuos”. Também escreveu o Sábio Rei Salomão: “Todos têm seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito abaixo do céu”. Há muita gente preocupada em adicionar mais anos em sua vida, mas o essencial seria preocupar-se em adicionar mais vida em seus anos, através da prática diária dos exercícios espirituais. O homem pode libertar-se das preocupações se pratica cada ação ao longo da vida como se fosse a última, evitando perda de tempo e o inconformismo diante do que lhe foi destinado, porque o potencial de cada momento é infinito.

Estas palavras serviram de inspiração para que os monges presentes se pusessem cada vez mais em atitude meditativa.

Diante desse silêncio meditativo, Cronos perguntou:

— E o que me podem dizer à respeito das aspirações humanas de conquistar a ‘imortalidade”?

— E, em meio à egrégora do ambiente do monastério em que se irradiava muita paz, um monge budista, pronunciou estas palavras:

— O segredo da vida espiritual está na forma como se governa a vida, através de uma reta conduta, porque o melhor critério da verdade é a prática. É de vital importância para nosso crescimento espiritual destinar uma grande parte do nosso tempo para a meditação, estudo dos livros sagrados e auto-observação; fazendo o melhor que podemos de nossa existência. À respeito, Krishna amplia: Que o motivo de tuas ações e de teus pensamentos seja sempre o cumprimento do dever. Faça tua tarefa sem buscar recompensa, sem preocupações com teu êxito ou fracasso, com tua ganância ou prejuízo pessoal. Mas não caias na ociosidade ou na inércia — perda de tempo —, como muitos que se perdem na ilusão de obter recompensa por suas ações. Somente conseguiremos ser realmente espirituais diante dos problemas que se nos apresentem no curso da vida, quando esquecermos os paradigmas e os condicionamentos materialistas, e passarmos a viver o aqui e o agora. Em relação à conquista da imortalidade direi que os sentidos nos dão as sensações de calor e frio, de prazer e de dor. Essas mudanças vão e vêm porque pertencem ao que é temporário, impermanente e inconstante. O Bhagavad-Gita ensina: “O homem que não se deixa mais atormentar por estas coisas, mas se conserva firme e inalterável em meio ao prazer e à dor, esse possui a verdadeira estabilidade interna e entrou no caminho que leva à imortalidade! O ambiente meditativo, que havia se transformado em paz, recebeu um toque de harmonia dado pelas enigmáticas palavras de um monge zen:
No budismo zen, hishiryo é o pensamento que passa pelo ponto zero do tempo, o pensamento que as razões e as considerações pessoais não alcançam. É a consciência universal que segue a ordem do universo e o movimento da natureza. Conforme nosso ponto de vista individual, distingue-se o tempo, a vida e a morte. Mas, do ponto de vista da vida cósmica, tempo, espaço, vida e morte não estão separados. O zen existe à margem do dualismo criado pela nossa mente fechada no espaço-tempo. Temos que voltar à unidade de todas as coisas. Neste mal, chamado mundo moderno, a sociedade e a educação têm programado nossos comportamentos, nossa visão do tempo e nosso modo de vida. A compreensão da ilusão do tempo e sua relatividade apaga a dualidade e reequilibra nosso corpo e nosso cérebro, faz-nos voltar às condições normais. O corpo se torna naturalmente forte (porque não depende do tempo), a respiração profunda (porque não há ansiedades) e o espírito amplo e aberto ( porque alcançou um estado atemporal).

Deixe um Comentário