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Tempo para Amar | A Saga de Cronos

27 fev 2017

Tempo para Amar | A Saga de Cronos

Cronos, em São Paulo, transmite a Sophia Carvalho, uma importante sexóloga, as seguintes reflexões: Atualmente, as maiorias das pessoas estão tão exaustas com os “ciclos” e becos sem saída da sexualidade, que começam a perguntar-se se realmente existe esse fenômeno chamado Amor.

Cronos, admirando a beleza de Sophia, pergunta:

— De acordo com seu ponto de vista, quanto tempo é necessário para uma relação sexual?

— Com os avanços da Ciência, pode-se obter uma ereção instantânea, através da simples ingestão de um comprimido azul, portanto, pode durar alguns tantos minutos.

— Isto dá prazer? Perguntou Cronos.

— Atualmente o tempo está se tornando quase virtual. Nesta rapidez impressionante, valoriza-se o paradigma do instantâneo. Tudo está se tornando prático e impessoal. Afinal, todo mundo quer fazer muito sexo, mas, o que fazer? Porque, afinal, o tempo corre!

— E os tempos sexuais da juventude? Pergunta Cronos.

— A síndrome da falta de tempo contagia as gerações mais jovens de maneira aterrorizante. Jovens estressados, preocupados com o que vai acontecer depois, deixando escapar por entre os dedos as delícias do agora. Tendo uma vida inteira pela frente, a juventude prefere “fazer sexo”, optando pela lei do mínimo esforço, no que se refere ao relacionamento sexual e afetivo. Vivem em estado de “urgência”, como quem tem a certeza de que o fim do mundo está próximo.

— Quanto tempo é necessário para amar? Indaga Cronos.

— Uma investigação da Universidade de Maryland (EUA) demonstrou como os americanos gostariam de gastar seu tempo diariamente: prefeririam dormir quatrocentos e oitenta e seis minutos, gastar vinte e seis minutos visitando alguém e outros vinte comendo fora. Esportes, leitura, relaxamento e igreja aparecem praticamente empatados com sete minutos e vinte segundos em média. Classificam-se em último lugar: o sexo, conversar com as crianças — um minuto — e beijos e abraços, —  pasmem! — menos do que isso. Males como a ansiedade, relacionada ao medo do futuro, ou culpa e apego — características de quem vive no passado — fazem parte de males como falta de amor, impotência e esterilidade. Estresse e alienação em relação aos próprios sentimentos são resultantes da necessidade criada pela sociedade ocidental de ocupar a maior parte do tempo de forma mais rentável.

— Para os senhores, os sexólogos, é possível que exista um tempo para amar absolutamente livre de preocupações? Questionou Cronos.

— Não! Porque ócio e vazio são as novas enfermidades modernas geradas pela falta de tempo para amar.

— Pode-se amar a muitos ao mesmo tempo?

— O homem pode amar a muitos sem desejá-los, e desejar a muitos sem amá-los. Portanto, estou certa de que não se pode amar e desejar ao mesmo tempo, senão a um único ser, ainda que isso seja muito raro e uma exceção à regra.

— Tenho observado que no atrativo jogo do amor e suas vicissitudes, o par tem escrito sua história no transcurso do tempo. Não é o mesmo o que ocorreu nos anos 1970, 1980 ou 1990. Claro é que nesta década há singularidades próprias de um tempo de desencanto, mas também muito interesse no crescimento e na realização pessoal, vincular e social. Como se vê, tudo é um desafio, além do mais, diário. A senhora está de acordo com essa observação? Interpelou Cronos.

— A autêntica felicidade é outorgada àquele casal que não se deixa dominar pela inércia e o tédio, mas que constrói com corpo e alma um áureo arco tenso de si mesmo. O homem e a mulher se encontram na síntese do Universo. A essência da sabedoria é o Amor.

— Doutora Sophia, crê que o prazer é momentâneo e o êxtase infinito. E a senhora, o que pensa? Interrogou Cronos.

— Sob meu ponto de vista, o paradigma do prazer corresponde ao século passado, e o paradigma do êxtase corresponde às novas gerações do Terceiro Milênio. Além disso, o homem sexualmente incompleto não pode ser sacerdote nem mago, porque é pelo Fogo Divino que dever converter-se em Luz que o leva ao Ser, que vive em seu próprio corpo. Sob outro ponto de vista, o grande mistério dos mistérios é expresso por Sócrates, ao repetir as mais profundas palavras do conhecimento, que lhe dissera sua sábia mestra Dótima: “Até aí, pudestes acaso obter a iniciação dos Mistérios de Eros; não sei, porém, se conseguirás segui-los, se alguém te expusera com clareza para onde irás conduzir esta iniciação, ou seja, o ensinamento da contemplação, da consumação e da transmutação”.

Cronos emocionado, agradecendo as respostas da doutora Sophia, despediu-se, expressando estas palavras: “O homem e a mulher isolados são impotentes e estéreis, mas, juntos, têm o poder de salvação e de imortalização”. O tempo é a matéria-prima para o Amor.

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