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Tempo para a Solidariedade | A Saga de Cronos

24 abr 2017

Tempo para a Solidariedade | A Saga de Cronos

O cenário escolhido por Cronos para continuar sua pesquisa foi o Fórum Mundial, na cidade de Porto Alegre, Brasil. A pessoa escolhida foi o sociólogo francês, Gerard de Lamartine.

Cronos iniciou o diálogo da seguinte maneira:

— Longe de doar seu tempo para o bem-estar comum, o que considero ser o princípio da felicidade, tanto neste mundo como no outro, os homens não buscam mais que prejudicar-se mutuamente e expiam esse desregramento através de terríveis padecimentos. Agora, pense na seguinte questão: O que há na cabeça de um grupo de pessoas que decide dedicar seu tempo — vida — para abrir e fortalecer uma entidade beneficente? Entidade que não visa lucro, mas sim o progresso e felicidade do próximo e de sua comunidade. Será loucura? O amor elevado ao extremo?
Diante desta difícil pergunta, o sociólogo respondeu:

— A sociedade humana é a extensão do indivíduo. Se queremos realmente uma mudança radical, um mundo melhor e sem fome, precisamos mudar individualmente. Recordemos que a massa é uma soma de indivíduos. Se cada indivíduo muda, a massa inevitavelmente mudará.

— Cronos diz: “Há dor, fome e confusão em todo o orbe terrestre, mas nada disto pode-se eliminar mediante os procedimentos absurdos da violência. Aqueles que querem dedicar seu tempo transformando o mundo com revoluções de sangue, com golpes de estado e fuzilamentos, estão totalmente enganados, porque a violência somente engendrará novos tempos de ódio, e o que a sociedade precisa é de tempos de paz.” O Dr. Puchkin concorda?

— Sinto que o primeiro passo a ser dado seria a dedicação maior de nosso tempo na compreensão do egoísmo. Somente assim podemos construir um futuro diferente. É necessário também investir parte de nossa vida na busca da compreensão da cobiça e da crueldade, que cada um de nós carrega dentro de si.

— Em tom sereno, Cronos interpelou:

— Mas, parece-me que os “círculos do poder” da sociedade têm manipulado o homem, em meio a todas suas armadilhas mortais.

— Diante da dialética de Cronos, Lamartine conceituou:

— Se a sociedade facilitasse mais o tempo para o homem, então esta trabalharia pela liberdade e felicidade de cada indivíduo. Onde há tempo para a cooperação há progresso; onde se exclui, surge o fracasso.

— Fluindo neste encontro de homens notáveis, Cronos exclama: “Toda organização humana deve valorizar seus períodos de tempo para cooperar de uma e outra forma pelo bem comum. Nós somos uma só família e não devemos atormentar a vida miseravelmente, porque isso é um absurdo”. O que o senhor pensa?

— Sinto que servir é um compromisso interno que surge do grau de iluminação que cada pessoa possui. O ciclo natural na senda social é uma alternância entre o alimento interior dado pelo tempo para a meditação, o estudo e a ação dirigida para fora, através da compaixão. Sai Baba, um grande místico indiano dizia: “As mãos que ajudam fazem mais que as mãos que oram”. Shantideva, outro livre pensador indiano disse: ‘O que quer salvar rapidamente o outro e a si mesmo, deve praticar o grande segredo: a inversão do eu do outros…! Se dou, o que terei para comer? — Esse egoísmo fará de ti um ogro. — De que maneira poderei dar? — Essa generosidade fará de ti o rei dos deuses.

Com uma atitude meditativa, Cronos assim externou seus pensamentos:

“Tenho observado que há uma comum insatisfação com o modelo econômico que se tem hoje. E já que sua nomenclatura seria inspiração para debates intermináveis — neoliberalismo, globalização, economia de mercado —, pergunto-me: Será que vale à pena investir tempo em ações e fóruns sociais para tornar real um mundo melhor?”

Por um momento, os olhos de Lamartine se abriram como as nuvens diante da presença do sol, respirou fundo e expressou:

— Freqüentemente, agimos como se fosse ilícito dispor de tempo para servir ao próximo antes de satisfazer nossas próprias necessidades, o que significa nunca. Estamos tão condicionados a essa idéia, que todos os momentos que são de ação desinteressada, classificamos instintivamente como desocupação. Assim, a desconfiança manifestada para a ação humanitária, o tempo para amar aos outros, a meditação coletiva e nossos conhecimentos são considerados inúteis.

Abraham Maslow, em seu célebre estudo sobre as pessoas auto-realizadas, verificou que todas aquelas psicologicamente saudáveis e sem bloqueios para a criatividade, dedicavam parte de seu tempo a causas que beneficiavam outras pessoas. Comprometer-se e preocupar-se com causas nobres parece ser uma característica natural das pessoas completamente maduras.

Depois de ouvir essas palavras, Cronos questionou novamente a Lamartine, dizendo:

— Fazer nossa parte custa pouco e é mais fácil se o senhor ajuda a outros na medida de suas possibilidades. Mas, isto pode trazer benefícios para a vida profissional?

Após alguns segundos de reflexão, Lamartine respondeu:

— Atualmente, há um grupo de pessoas que está confiante no fato de que chegou a hora de retribuir um pouco de tudo o que receberam e conquistaram até agora em suas vidas profissionais e pessoais.

Por outro lado, um dos principais paradigmas do mundo empresarial está mudando: o mercado começa a valorizar também a capacidade do profissional para integrar-se ao coletivo, de compartilhar tempo, dinheiro e conhecimento com que está ao seu redor. Está se gestando um novo paradigma mundial: o do equilíbrio entre conceder e conquistar.

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