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Tempo Light | A Saga de Cronos

13 mar 2017

Tempo Light | A Saga de Cronos

Desta vez, Cronos optou por fazer uma vista à Universidade de Nothern Colorado, EUA, onde manteve um interessante diálogo com a professora e doutora em Filosofia, Laila Hudson. Cronos iniciou com este argumento:

— Venho observando que nesta época não há tempo nem para degustar os alimentos como bons gourmets. O nível de qualidade de vida se transformou em algo superficial como as águas estancadas depois da chuva. Está faltando a profundidade característica dos oceanos insondáveis, onde há vida em abundância. Qual é o seu sentir sobre esta reflexão?

A professora doutora Laila Huston respondeu:

— A história temporal da civilização mostra uma infinita inquietude de perfeições, que grandes homens pressentiram, anunciaram ou simbolizaram. À frente desses visionários, em cada momento da peregrinação humana nota-se uma força que obstrui todos os caminhos: a superficialidade, que é uma incapacidade de ideais. No início deste novo milênio, há uma marcante falta de ideais pelos quais se poderia lutar.

— Como pode o homem gerar uma energia pró-ativa, com a qual possa lutar contra os efeitos do “verdugo do tempo” que destrói toda ilusão, obtendo uma liberdade temporal para não deixar-se apanhar nas redes da mediocridade e superficialidade que podem transformá-lo em um homem light? Enfatizou Cronos.

— Antes de tudo, dedicando mais tempo para pensar para que possa compreender que a excessiva prudência dos superficiais ou light paralisa para sempre as iniciativas mais fecundas dos homens profundos que chamaríamos de livres pensadores.

— A senhora acredita que uma pessoa light possa perceber o valor que o tempo possui? Grifou Cronos.

— Não, porque seu tempo está dedicado às banalidades. Esse tipo de pessoa tem uma conduta gregária; enquanto que para um livre pensador da realidade — o presente — não mata seu idealismo de um futuro melhor, mas, sim, o fortalece.

— Será que esse outro grupo de pessoas que não entram na classificação de light, estão realmente preocupadas em valorizar o tempo? Sublinhou Cronos.

— Todo individualismo no bom sentido, assim como a busca de qualidade de vida como atitude, é uma rebelião contra os dogmas e os falsos valores  respeitados nas sociedades de estimas vãs — que cada época histórica da humanidade apresenta —, revela energias estancadas por obstáculos que dão origem  a esse outro grupo que se caracteriza por seu espírito gregário.

— É possível conquistar um tempo afetivo para que se possa compartilhar com as pessoas, para que os relacionamentos emocionais não sejam superficiais? Falou Cronos.

— Há homens light no limite médio de sua raça, de seu tempo e de sua classe social, também os há de nível superior. Entre uns e outros, oscila uma grande massa impossível de caracterizar por inferioridades e excelências.

— É possível que o homem light valorize o tempo e a vida, não somente pelos lucros econômicos, mas também pela saúde e o amor que representam em suas vidas? Destacou Cronos.

— A vida vale pelo uso que fazemos dela e pelas obras que realizamos.

— A rotina e o imediatismo podem ser agentes causadores de tanta superficialidade? Interrompeu Cronos.

— A rotina é um inimigo escondido que acompanha os tempos de ócio, síntese de todas as renúncias, que dá origem ao mau hábito de renunciar ao ato de pensar.

— E o paradigma da conquista do êxito em tempo relâmpago? Destacou Cronos.

— Olhar de frente o êxito equivale a jogar-se num precipício: retrocede-se à tempo ou se cai nele para sempre. Considero que a atitude mais equilibrada é a de não correr freneticamente atrás do êxito, triunfar à tempo e merecidamente é a mais favorável chuva para qualquer germe de excelência de vida.

— O homem light, hipnotizado pelo ilusório, poderia dar um novo sentido ao tempo, que é viver cada segundo como se fosse o último de sua existência? Diz Cronos.

— A medida social do homem está na duração de suas obras. Atrás do homem superficial aparece o antepassado selvagem, que conspira em seu interior acossado pelo apetite de atávicos instintos e sem outra inspiração que a da depressão e do vazio existencial.

— As pessoas que integram a sociedade moderna, submersas em tantas superficialidades, poderiam entender que a cada minuto de um dia, perde-se um minuto a mais em suas vidas? Realçou Cronos

A professora-doutora Hudson tomou em suas mãos um relógio de areia e colocando-o diante dos olhos de Cronos disse: “Tenha as mãos abertas e toda a energia do tempo passará por elas. Fecha as mãos e somente vai obter alguns segundos de vida. Muitos nascem, poucos vivem”!

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