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Tempo e Heurística | A Saga de Cronos

17 abr 2017

Tempo e Heurística | A Saga de Cronos

Neste momento, o lugar escolhido por Cronos é Moscou, onde se reuniu com psicólogo soviético, V. N. Puchkin, do Departamento de Materialismo Dialético, da Academia de Ciências da URSS.

Para “quebrar o gelo”, característico dessa região, Cronos comenta que quando visitou o México, decorou o trecho de uma canção interpretada por alguns mariachis na Praça Garibaldi, na capital mexicana. Essa parte da letra da canção dizia assim: “Sábia virtude de conhecer o tempo. À tempo amar e desatar-se à tempo. Como diz o refrão, dar tempo ao tempo, que de amor e dor alivia o tempo”.

Enquanto Cronos fazia esse comentário, Puchkin dividia seu olhar entre Cronos e um tabuleiro de xadrez que estava sobre a mesa de seu escritório. Cronos, captando a admiração que Puchkin nutria pelo xadrez, perguntou:

— O senhor tem alguma razão especial que o motive a admirar o xadrez?

— O xadrez alegoriza o jogo da vida. Nós somos simples fichas movidas por forças ocultas desconhecidas do homem. Atualmente, quase não temos tempo para pensar, razão pela qual cada jogada da vida é marcada pelo erro.

— Os diferentes graus de percepção interna do tempo podem gerar situações dolorosas? Questiona Cronos.

— Soluções simples para necessidades complexas. O círculo vicioso de tensão-dor-tensão traz como conseqüência o esgotamento nervoso. Por influência deste esgotamento, muita gente não vai além do dia de hoje. Por outro lado, há o fato de que o domínio do tempo permite passar de um estado de tensão penosa a uma de serenidade e, por sua vez, de maior eficiência.

— Resulta em algum benefício o deixar as coisas para amanhã, confiando no êxito alcançado no passado? Perguntou Cronos.

— O fato de que as coisas tenham caminhado bem no passado pode ser uma atração fatal. Repete-se o comportamento do passado porque se sente satisfação com o que se está fazendo, e não se percebe ameaça alguma até que possivelmente seja muito tarde. Por isso, uma causa profunda da resistência à mudança é que o ser humano pode não sentir a necessidade do mesmo. Em outras palavras, não percebe ameaça alguma em relação ao futuro, que o obrigue a mudar o que aparentemente tem funcionado bem no passado.

— O que gera um problema não solucionado? Indaga Cronos.

— Dor, tormento e aniquilamento. O estado emocional que gera um problema tão grave quanto o de ter sido despedido, está caracterizado por uma terrível sensação de apreensão em relação ao futuro. Este momento é uma dos mais delicados da vida de uma pessoa, porque terá que controlar-se para não entrar em pânico.

— Mas, no caso de se ter uma boa atitude diante da crise, este período dará origem a uma descoberta interior, que redundará num crescimento que permitirá descobrir forças ocultas que estão à espera de entrar em ação, graças aos estímulos que dá o exercício psicológico da vida. É possível ser feliz sem solucionar os problemas? Raciocina Cronos.

— Todos têm problemas. Não há ninguém que não tenha problemas. Todos têm problemas pessoais e profissionais, práticos e teóricos. Da solução deles depende nossa sobrevivência e felicidade. Por isso é tão importante solucioná-los à medida que vão aparecendo.

— Qual é o método que o senhor recomenda? Sublinha Cronos.

— Eu recomendo a programação da mente, com a finalidade de utilizar conscientemente as riquíssimas informações contidas no subconsciente, através do que chamo de intuição heurística. Esse método parte do pressuposto de que em nosso subconsciente existe uma capacidade maravilhosa que tem o poder de fazer verdadeiros milagres. Daí nasce a premissa de que o ser humano vive distante de seus limites. A intuição heurística é a musa da criatividade, do conhecimento e a da solução de problemas.

— Em poucas palavras, poderia definir-me o que é intuição heurística? Grifa Cronos.

— É uma forma de conhecimento direto, no qual a solução de um problema prático ou imaginário é encontrada de um modo imediato, repentino, não consciente e sem dados suficientes. A intuição heurística é a capacidade de penetrar no núcleo das coisas, para captar a quintessência e descobrir as leis e os princípios pelos quais eles reagem. A intuição somente entra em ação quando há um problema que não encontra solução satisfatória pelos conhecimentos empíricos e lógicos.

— Quais seriam as regras fundamentais para se fazer uma auto-sugestão necessária para a manifestação da intuição heurística? Enfatiza Cronos.

— Primeiro, ter um problema não solucionado pelos meios comuns. Segundo, estar com um desejo ardente e imperioso de solucionar o problema, de descobrir a verdade, de conhecer a causa e o motivo dos momentos críticos. Terceiro, colocar correta e concretamente o problema a ser resolvido.

— Todos os problemas têm solução? Destaca Cronos.

— Na maioria dos casos a solução é positiva. Mas, temos que dar muita importância à dedicação de um tempo adequado para encontrar um método eficiente para solucionar esses problemas que, no fundo, são meros desafios à nossas capacidades intelectuais e emocionais.

Por outro lado, há o fato de que o acúmulo de erros gera mais problemas. O excesso de problemas resulta numa crise. E a aglomeração de crises tem como conseqüência um estado de caos não desejado. Portanto, ou solucionamos nossos problemas sem deixá-los para amanhã, ou sucumbimos nesse caos.

Depois de escutar essas palavras, Cronos dirige-se ao tabuleiro de xadrez que está sobre a mesa de Puchkin, move um peça e exclama:

— Xeque…!

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