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Renunciando à Vida | A Saga de Cronos

10 abr 2017

Renunciando à Vida | A Saga de Cronos

Arthur Gold possuía o título de doutor e havia se dedicado principalmente à filosofia científica e a tudo relacionado à “consciência-corpo”. A sede de suas pesquisas estava em um dos laboratórios da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, EUA. Este é o cenário de onde Cronos continuou sua investigação.

Cronos iniciou o diálogo com o doutor Gold, fazendo a seguinte pergunta:

— Por que será que os integrantes da sociedade moderna não sabem viver o presente, e somente sobrevivem das cinzas do passado?

— O domínio do tempo não é uma atitude intermitente. Se não é aplicada nas vinte e quatro horas do dia, é um engano. É como se fazer regime no almoço e não no jantar.

— Será que, pelo fato de não poder viver este convulso presente, pretendemos, como o avestruz, fugir de nossos problemas, escondendo nossa cabeça na estéril terra do passado? Interpelou Cronos.

— O bom uso do tempo, como as demais coisas essenciais da vida, não se ensina nas universidades. Nisso somos autodidatas.

— Pode ser que, ao nos refugiarmos em nossos dias passados, pretendemos fugir de nosso efêmero futuro? Grifou Cronos.

— É um resultado lógico o fato de que não se pode dominar o tempo se não se sabe o que é que se quer da vida.

— Penso que o homem de tanto desejar viver no passado, pode terminar seus dias como relata a lenda de Orfeu, que por causa de suas dúvidas e impaciência olha para trás, fato que dá origem à perda definitiva de sua amada Eurídice.

— Eu diria que dedicamos migalhas de nosso tempo a uma enormidade de prazeres, em lugar de aproveitar realmente o que nos convém.

— O senhor acredita que vale à pena refletir e meditar sobre nosso passado, para compreender melhor o tempo e a nós mesmos? Questionou Cronos.

— A maioria das pessoas possui uma experiência submissa em seu passado: rotinas, preconceitos, domesticidades. Poucos escolhidos variam, avançando sobre o futuro. Ao contrário de Anteo, que tocando o solo, cobrava novos alentos. E retomava forças cravando suas pupilas nas constelações longínquas e aparentemente inacessíveis.

— Através de minhas investigações, observei que o ser humano é capaz de renunciar a tudo, menos ao seu passado e à dor! Ressaltou Cronos.

— Precisamos lembrar que a maioria de nossas crenças são generalizações sobre nosso passado, baseadas nas “interpretações’ de experiências prazerosas”. Por isso, o desafio é triplo: No primeiro desafio, pode-se observar que a maioria de nós não decide conscientemente em que vamos crer. No segundo, nossas crenças freqüentemente se baseiam na má interpretação das experiências passadas. No terceiro, uma vez que adotamos uma crença, esquecemo-nos que se trata somente de uma interpretação pretérita.

— Sempre digo que, para o otimista, o passado nunca equivale ao futuro. O que o senhor pensa sobre isso? Reflexiona Cronos.

— Eu diria que sua reflexão constitui um novo paradigma a ser pesquisado. Além disso, de acordo com certas tradições milenares, a partir de determinado ponto do caminho espiritual, a prática da eliminação psicológica do passado pessoal é inevitável.

— Como podemos libertar-nos do paradigma de “viver no passado’”? Diz Cronos.

— Observando, imitando e obedecendo à natureza. Temos, por exemplo, o rio, que nunca corre sua correnteza para trás.

— Por que as pessoas podem experimentar tanto sofrimento e, contudo, negar-se à mudar? Discorreu Cronos.

— Porque ainda não experimentou dor suficiente, e porque não chegou ainda ao umbral emocional.

— Toda mudança exige uma nova e profunda educação? Ponderou Cronos.

— As velhas idéias devem ser descartadas para abrir espaço suficiente  às idéias inovadoras. Se alguma pessoa deseja criar mudanças consistentes e perduráveis em seu comportamento, deve renunciar às crenças do passado, que o mantém falsamente neste presente, e fazer estas perguntas: Estou aberto para o novo? É flexível meu modo de pensar? Quais são os paradigmas de meu passado com os quais está condicionada minha mente?

— Diga-me quais são os benefícios das chamadas “regressões”? Perguntou Cronos.

— Voltar ao passado para conhecer nossos erros, e para não cair mais neles. Retornar ao passado para tomar consciência de nossas virtudes, e para fortalecê-las neste presente, para projetar um futuro melhor. Viajar no passado para compreender nossos traumas que condicionam nosso presente, e libertar-nos deles. Mas, também, devemos cuidar dos perigosos extremos: o do ancião que com sua mente vive petrificado no passado e do o jovem que somente sonha com o futuro.

— Concordo com você, expressa Cronos. Eu penso que: “Em cada regressão abre-se uma janela para o tempo, libera-se uma válvula de escape, lava-se a alma e volta-se ao presente mais fortalecido”.

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