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O Paradoxo do Tempo | A Saga de Cronos

5 dez 2016

O Paradoxo do Tempo | A Saga de Cronos

Os habitantes da cidade de Nova Iorque parecem viver em meio ao caos; dão a impressão de que nunca têm tempo, paradoxalmente tendo tantas horas disponíveis. Aparentemente vivem mais, mas perdendo tempo para fazer tantas coisas, que resulta na necessidade de mais tempo ainda para desfrutá-las. Fizeram desse extravagante bem uma arma competitiva. Trocaram esse extravagante bem pela escravidão à velocidade. Será que se fossem sábios desistiriam da pressa e se dariam mais tempo para olhar para o interior de si mesmos?

Essas eram as reflexões de Cronos quando caminhava pelas ruas de Manhattan, no coração financeiro do Planeta.

Cronos decidiu que desta vez se dedicaria a realizar suas pesquisas com algumas das pessoas que fosse encontrando em seu caminho.

Então, aos que escolhesse, se propôs a fazer sua típica pergunta: para você, o que significa o tempo?

E as respostas que obteve no caminho foram estas:

Uma senhora de idade madura respondeu:

― Houve uma época em que sabíamos o que era o tempo. O tempo que os homens gastavam no emprego remunerado determinava quanto tempo iriam dispor para o convívio com suas famílias; e o tempo que as mulheres gastavam cuidando de seus filhos determinava quanto tempo iriam dispor para trabalhar.

Um taxista, um pouco ressentido, expressou:

― Algumas pessoas têm mais tempo do que precisam para fazer suas coisas, e outras têm pouco tempo para fazer tudo o que querem.

Um empresário disse:

–Temos de redefinir o tempo e as palavras a ele vinculadas. Vislumbro um momento em que não mais será possível estabelecer uma distinção exata entre trabalho de tempo integral e de meio período, assim, a aposentadoria se tornará uma expressão puramente técnica, indicando um direito à benefícios financeiros em que hora-extra parecerá um conceito fora de moda tal qual o de empregada doméstica hoje em dia.

Um executivo, muito animadamente, exclamou:

― As empresas estão agora repensando o tempo para benefício próprio. É como se tivessem finalmente se dando conta de que uma semana perfaz um total de cento e sessenta e oito horas, e não de quarenta. Os ativos imobilizados não produzem dinheiro. Então, por que mantê-los fechados por cento e vinte e oito horas por semana, quando a metade do mundo ainda está desperta do sono, quando é nesse período, em especial nos finais de semana, que os clientes gostam de fazer suas compras, ou quando muitas pessoas gostam de trabalhar enquanto outras dormem? Nenhuma barreira do tempo é agora intocável!

Um financista enfatizou:

― O tempo mostrou ser ele mesmo um valor caótico. Alguns gastam dinheiro para economizar tempo, outros gastam o tempo para economizar dinheiro.

Um psiquiatra esclareceu:

― As empresas querem menos gente trabalhando mais tempo, porque isso as faz economizar muitas despesas, e, paradoxalmente, os indivíduos querem dinheiro. Essa troca de tempo por dinheiro criou um ciclo insidioso de trabalho e gastos, pois as pessoas buscam cada vez mais o consumo para trazer satisfação e, ao mesmo tempo, significado para suas vidas. Atualmente, o tempo para muitos resulta em mais desiquilíbrio do que equilíbrio. Isso significa que suas vidas também estão desequilibradas.

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