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Cronobiologia | A Saga de Cronos

2 jan 2017

Cronobiologia | A Saga de Cronos

A capital do México é uma cidade moderna e cosmopolita, onde o passado e presente se unem em um eterno agora. Nesta metrópole, Cronos marcou sua presença.

Desta vez, Cronos, por meio de seu engenho e artimanhas, conseguiu visitar o luxuoso escritório do dono de um dos shoppings mais importantes da capital mexicana.

Dentro das instalações decoradas com bom gosto, encontrou duas pessoas: um empresário elegantemente vestido e uma jovem muito atraente.

― Permita-me apresentar-me: meu nome é Cronos ― foram suas primeiras palavras.

A expressão do empresário e da jovem foi de assombro. Percebiam algo estranho nesse homem que chamava a atenção, mas não podiam compreender seu ar de mistério. Logo após ter recuperado seu estado emocional, o dono do shopping apertou a mão de Cronos, dizendo:

― Sou Jorge Polanco, e estou a seu dispor. Esta é minha filha, doutora Guadalupe.

Depois de acomodar-se em uma das confortáveis poltronas do local, o senhor Polanco diz:

― Diga-me, qual é o motivo de sua visita?
― Fazer algumas perguntas sobre o tempo.
― Inicialmente, o que posso responder-lhe é que estou necessitando de que o dia tenha mais de vinte e quatro horas. Vivo estressado e estou sempre numa contínua corrida contra o tempo.

Justamente nesse momento, o senhor Polanco passa a ter um terrível ataque de tosse.

― Posso ajudá-lo em algo? ― pergunta Cronos.
― Não se preocupe senhor. Acontece que meu pai já sofreu quatro ataques cardíacos, ― comenta, um pouco nervosa, a doutora Guadalupe. Há vários anos, venho aconselhando meu pai para que mude seus hábitos de trabalho e busque qualidade de vida, mas ele é rebelde e não dá atenção aos meus conselhos. Meu pai se esquece de que sou uma profissional da medicina e só me vê como sua filha.

Por suas palavras, ― diz Cronos ― percebe-se que a senhora valoriza a qualidade de vida no trabalho.

― Desde o primeiro ataque cardíaco que meu pai sofreu, passei a inteirar-me mais profundamente sobre as alternativas existentes para o bom desempenho no trabalho, sem prejuízo à saúde.
― E qual o conceito que a senhora tem sobre o tempo?
― O conceito que uma pessoa tenha sobre o tempo pode matá-la, opina o doutor Larry Dossey, cientista e pioneiro da nova ciência chamada Cronobiología, estudo que investiga a forma como o tempo se inter-relaciona com a vida.
― Com a vida? ― exclamou Cronos.
― Sim! Um dos males mais comuns da nossa sociedade é a “enfermidade do tempo”, no que diz respeito à pressão do tempo e à pressa, que causam angústia e tensão. Esses sintomas predispõem suas vítimas ― como no caso de meu pai ― à arteriosclerose coronária e apoplexia cerebral, duas freqüentes causas de morte.
― Quais outras descobertas fez a medicina moderna com relação à “enfermidade do tempo”?
― Dossey descobriu que estes e outros males induzidos pelo estresse, tais como úlceras pépticas e as enxaquecas freqüentes, podem ser tratadas com sucesso através de técnicas simples, o que leva as pessoas a mudarem sua maneira de pensar sobre o tempo.
― Então, há uma íntima relação entre tempo e saúde?
― O doutor Dossey se interessou pela relação tempo-saúde, quando passou a observar o grande número de pacientes que insistiam em permanecer com seus relógios de pulso nos quartos de hospital, embora não tivessem de respeitar horários. Todos eles eram cronomaníacos, pessoas que desde a infância haviam sido condicionadas a programar suas vidas conforme o relógio imposto pela sociedade, e sentiam-se inseguras sem a muleta mental representada por um medidor de tempo.
― Posso deduzir que existe um “tempo biológico”? Interpelou Cronos.
― O tempo da Natureza difere muito, quase sempre, das divisões de nossos relógios. A “hora biológica” natural para a maioria dos adultos, conforme descobriram os cientistas, é de uns sessenta e três minutos. Isso significa que, se a maioria das pessoas se colocasse em uma caverna, onde não houvesse noção do tempo exterior, funcionariam em ciclos de vinte e quatro horas e meia à vinte e cinco horas e meia, e assim perderia um dia de cada mês. Quase todos os seres vivos de nosso mundo possuem seus próprios relógios biológicos, sincronizados com o ritmo da Natureza.
― Doutora Guadalupe, pode dar-me um exemplo desses relógios biológicos?
― Estes relógios biológicos não são exatos no que respeita ao sentido mecânico, automático. Ajustam-se às mudanças do meio. Os mais conhecidos destes relógios são os ritmos circadianos (do latim circa, ao redor de, e dies, dia), que foram detectados nos mutantes fluxos de reações químicas, oscilações térmicas e outras mudanças do organismo, que ocorrem aproximadamente a cada vinte e quatro horas.
― Para vocês, os médicos, quem determina a hora e corrige estes relógios viventes? Falou Cronos.
― Nossos corpos, como os de quase todos os seres orgânicos, podem reconhecer as mudanças da luz. Na base de nosso cérebro, um diminuto conglomerado de células nervosas ― os núcleos supraquiásmicos (NSG) ― selecionam a luz que chega a nossos olhos, e não só distingue o dia da noite, mas também responde a diminutas mudanças na duração do dia, na luminosidade e som. Os NSQ, funcionando como uma espécie de marca-passo biológico enviam mensagens que marcam o tempo nos centros que, entre outros processos, controlam o sonho e a vigília, o crescimento e a sexualidade.
― A mente pode alterar de outras formas os ritmos biológicos? Perguntou Cronos.
― As pessoas que já estiveram a ponto de morrer freqüentemente descrevem a lembrança de toda sua existência, que passou por elas como um relâmpago. Quem sofreu acidentes graves informam que, no momento do acidente, tudo pareceu ocorrer em câmara lenta. Ao que parece, isto é um mecanismo de sobrevivência que trazemos no cérebro, a capacidade de incrementar várias vezes a velocidade normal de percepção, que torna mais lento o mundo, dando à vítima tempo para pensar em algum recurso para evitar o desastre.
― Então, a tirania do tempo na sociedade moderna dessincronizou os relógios corporais? Enfatizou Cronos.
― Os cientistas descobriram que quando os relógios corporais se dessincronizam entre si, há diminuição do rendimento físico e mental. Quando o tempo do relógio está dessincronizado com nossos ritmos naturais internos, o resultado é o estresse.

Cronos, então, depois de ter escutado todas as observações da doutora Guadalupe, dirige-se ao senhor Polanco, que já respirava com normalidade, mas que continuava um pouco pálido:

― Senhor Polanco, como é possível que o senhor, tendo uma filha com tantos conhecimentos como estes, não se decidiu em mudar seus maus hábitos, que estão fazendo diminuir seu tempo de vida?
― Vou responder-lhe com sinceridade. Sofro de outro mal, chamado de “a enfermidade do amanhã”. Amanhã vou ao médico, amanhã vou organizar meu tempo.
― Se o senhor me permite, vou fazer-lhe duas perguntas antes de retirar-me.
― Faça-me a primeira. Expressou Polanco.
― Em que valor está estimada sua fortuna?
― Aproximadamente em US$ 200.000.000. E a última pergunta?
― Se o senhor tivesse conhecimento de que somente lhe resta um ano de vida, estaria disposto a trocar toda sua fortuna por mais tempo biológico?

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