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28 nov 2016

Jogos e Gnosticismo Contemporâneo

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Olá!

Se você está se perguntando neste momento:

“Jogos e Gnosticismo… será que eu li direito?”

A resposta é sim, seus olhos não estão te enganando!

Ao longo de milênios, muitos métodos foram e ainda são utilizados para educar nosso intelecto, treinar nossos sentidos e despertar nossas consciências. Expressões artísticas como o teatro, música, literatura, artes marciais e assim por diante, sempre estiveram carregadas de conhecimentos, símbolos e mensagens, muitas vezes ocultos, e que de uma maneira ou de outra tocaram as mentes, corações e espíritos inquietos de muitos seres que vivem e viveram neste planeta.

Você certamente está familiarizado com algum deles, mesmo que não profundamente. Pode ser que não tenhamos praticado ou estudado um ou outro, mas uma coisa todos temos em comum: em algum momento de nossas vidas jogamos. Toda criança brinca e joga, aprende, treina seus sentidos, desenvolve seu intelecto, estabelece relações emocionais com seus amigos e começa também a tomar consciência de muitos aspectos de sua vida e de si mesma.

E é para isso que estamos aqui hoje, para falarmos de jogos e as grandes possibilidades que os mesmos trazem para educar nosso intelecto, treinar nossos sentidos e despertar nossas consciências! Porém, um aviso: se você espera ler neste artigo sobre o significado oculto do xadrez e outros jogos clássicos ou antigos, está no lugar errado: GAME OVER!

Sim, é isso mesmo que você está imaginando, vamos falar sobre jogos contemporâneos! Fliperamas, videogames, jogos de computador e RPG’s (Role Playing Games). Insira a ficha, aperte Start, pressione Enter, preencha a ficha do seu personagem! Soa familiar? Então você está no lugar certo.

Vamos começar pelos RPG’s!

Jogos de interpretação (quase como no teatro) onde o jogador cria e imagina um personagem e o interpreta em um mundo fictício junto de outros jogadores. Simples, não? Uma peça de teatro ou ópera, por exemplo, podem ser apenas uma fonte de entretenimento, porém, elas podem também ser utilizadas para transmitir conhecimentos e levantar questionamentos.

Um jogo de RPG de mesa pode atingir os mesmos objetivos ou até mesmo ir mais longe! No RPG lida-se muito com arquétipos em manifestações mais ou menos modernas. Guerreiros, magos, cientistas, mercadores e mais uma infinidade de formas são usadas pelo jogador para manifestar seu personagem.

A parte interessante é que normalmente o jogador manifesta através do seu personagem virtudes e defeitos psicológicos que normalmente não manifesta ou não percebe em sua vida cotidiana. Além de estimular muito a criatividade do jogador, aumentar sua cultura intelectual e, claro, ser muito divertido, o jogo de RPG é um prato cheio para aqueles que desejam se conhecer profundamente e despertar cada vez mais sua consciência. Jogue uma partida quando puder e entenderá logo na primeira sessão de jogo tudo que foi dito aqui.

E os jogos eletrônicos?

Os jogos eletrônicos vieram para ficar. Nunca antes, na história conhecida de nossa civilização, o ser humano conseguiu manifestar de maneira tão detalhada, fantástica e deslumbrante a sua criatividade, conseguindo criar experiências capazes de divertir, ensinar e tocar consciências de maneira tão direta. Parece exagerado, certo? Mas não é!

Tudo que tocamos ou criamos leva consigo nossa ˜assinatura˜. Diz algo sobre nós. Através dos jogos eletrônicos nós temos a oportunidade de manifestar idéias, pensamentos, sentimentos, conceitos, questões e símbolos, de maneira viva e dinâmica. Coisas estas que estavam limitadas por seu meio, como livros e filmes por exemplo, onde a interação é passiva. Em grande parte dos jogos você interage ativamente com o que está acontecendo. Pode parecer pouco mas esse simples detalhe abre um horizonte de possibilidades quase infinitas.

Você não se coloca no lugar do personagem principal como em um livro. Você é o personagem principal. Suas ações moldam a história. Moldam seu personagem. Geram consequências. Certamente a limitação tecnológica não permitia aos jogos eletrônicos de 20 anos atrás terem uma interação tão complexa. Hoje, com o avanço que temos feito, isso já é possível.

Quer dizer que devemos ignorar os jogos mais antigos? Definitivamente, não.

Alguns jogos antigos tem símbolos fantásticos e histórias muito ricas e tão boas quanto os melhores livros. Ainda que o jogo apenas te guie e suas opções sejam limitadas a jornada vale a pena. Assim como obras de arte passam mensagens diferentes através de técnicas diferentes. Épocas diferentes. O mesmo se dá com os jogos eletrônicos. A pintura da Monalisa não faz da pintura de um pano de prato algo menos nobre. Ambas tem propósitos diferentes. Porém, há beleza nas duas coisas para aquele que souber vê-las e utilizá-las da maneira correta.

Estamos comparando jogos à obras de arte? Sim, certamente.

Você pode ler um clássico como a Odisseia, absorver seus conhecimentos, interpretar os símbolos. Hoje você pode também aprender ativamente através dos jogos. Podemos, inclusive, ir mais além disso. Há jogos onde cada ação, cada escolha, gera consequências levando o jogador, muitas vezes, a questionar suas ações, a si e até mesmo a realidade. Um exemplo é o jogo The Stanley Parable. Vejamos a tradução da sinopse sobre o jogo:

˜The Stanley Parable é um jogo de exploração em primeira pessoa. Você será o Stanley e não será o Stanley. Você seguirá a história e não seguirá a história. Você terá escolhas e não terá escolhas. O jogo terá um fim e nunca terá um fim.˜

Ficou curioso? Deveria! Este jogo, até hoje, é capaz de gerar choques conscienciais capazes de perturbar positivamente muitas pessoas. Não é à toa que muitos se referem ao mesmo como uma obra de arte, provocativo ou simplesmente genial. Se houvesse uma categoria “Jogos Gnósticos” este jogo certamente estaria no topo da lista.

Mas isto quer dizer que todo jogo tem um significado, símbolos, um “propósito maior”? Não e não há o menor problema nisso. Jogar pelo prazer de jogar, interagir com outras pessoas ou apenas jogar com a intenção de se divertir é tão válido quanto a outra opção.

Além de tudo que já foi mencionado, os jogos podem treinar também nossa concentração, criatividade, raciocínio lógico, ajudar a treinar línguas estrangeiras e ajudar a desenvolver muitas outras características positivas. O potencial para o desenvolvimento humano em ambas as opções é fantástico.

Assim como todas as coisas, o excesso e a má utilização podem trazer malefícios. Livros podem iluminar através do conhecimento contido neles assim como podem propagar ódio e a chamada ignorância ilustradaNós escolhemos utilizar esta ferramenta fantástica da melhor maneira que for possível e convido você, leitor a fazer o mesmo.

Então, mãos à obra! Ou nesse caso, ao controle… teclado… mouse… acho que você entendeu a ideia!

Fique ligado aos próximos artigos sobre o assunto! Nos vemos em breve!

4 Respostas

  1. Sandro José Moulepes

    Maravilhosa matéria, obrigado pelo convite! Parabéns a todos.

  2. Sandro de Paiva Neto

    Hoje existe uma gama de jogos utilizados por psicoterapeutas para treinar o poder de concentração e de relaxamento, onde a frequência das respirações ditam o equilíbrio do jogo.
    Só tomemos cuidado com o vício, pois os jogos liberam muita dopamina.
    Parabéns pela matéria, muito instigadora.

  3. Genaldo Luis Sievert

    Parabéns! Compartilhei com os Irmãos de Loja. Realmente distinto o seu pensamento sobre o assunto.

  4. Gustavo

    Achei que você ia falar de Xenogears, embora Final Fantasy VII e X envolvem temas gnósticos também

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