Bem-vindo a Sociedade Gnóstica Internacional

11 abr 2017

A Aristocracia dos Intocáveis

/
Publicado por
/
Comentários0

Poucos sabem, mas certa feita [1] o mestre Samael cunhou o termo “os intocáveis” para se referir aos gnósticos antigos no ensinamento ou na instituição que se julgavam superior aos demais e, por isso, fechados à qualquer nova diretiva ou instrução trazida por membros mais novos.

O mestre Samael falou que não é para existir nenhum “intocável” nas instituições gnósticas e que os mais antigos deveriam respeitar e até mesmo acatar aos mais novos quando a situação institucional o pedisse.

“Os intocáveis” de hoje em dia são caracterizados por estarem fechados em si em uma aristocracia intelectual ou emocional que se utiliza da roupagem gnóstica.

Um indivíduo chega ao ponto se tornar um “intocável” quando, com o passar dos anos e das provações esotéricas, fracassa em um ou outro ponto onde seria necessário a expressão espontânea e natural de sua consciência para resolver o enigma daquele instante. Algo totalmente novo é necessário, uma quebra de paradigma. Porém há uma falha. Esse fracasso esotérico se repete sempre para o mesmo enigma e ao não conseguir resolver o quebra-cabeças em pauta a pessoa se adapta negativamente ao redor de um outro sistema mecânico, egoico e estático revestido da terminologia gnóstica contemporânea.

Dessa forma o indivíduo fica estancado em seu progresso espiritual (iniciático) porém reforça negativamente valores negativos, intelectuais ou emocionais, como que para convencer-se (e aos demais) de que está indo muito bem no caminho espiritual da autorrealização íntima do ser.

Ledo engano. Não há progresso nesse caso. Apenas há expressões condicionadas da consciência sob um aparente novo sistema que leva uma roupagem gnóstica. E assim se perdem muitos anos de vida “patinando” no mesmo lugar e tornando-se cada vez mais insuportável no convívio. Quiçá convençam os mais novos por algum tempo…

É fácil reconhecer um “intocável”. São aqueles aristocratas do intelecto ou da emoção inferior. Vejam uns exemplos:

– Aquele senhor antigo do centro gnóstico que sempre tem uma frase do mestre Samael na ponta da língua para usar em qualquer situação como um ensinamento pragmático, inviolável e atemporal;

– Aquela senhora antiga do centro gnóstico que delega o seu trabalho, a sua proteção e o seu progresso espiritual aos “mestres do invisível” sempre afirmando com o senso crítico desligado que eles são onipresentes e deles dependem toda a nossa sorte e que “não devemos meter a mente” em nada;

– Aqueles que quando são confrontados pelos “jovens rebeldes e revolucionários” com perguntas cujas respostas não estão escritas em nenhuma obra esquivam-se intelectualmente sempre desaguando em uma letra morta previamente memorizada com uma autoridade absoluta.

É realmente lamentável que as pessoas cheguem nessa situação. Respeitamos toda e qualquer pessoa, de verdade. Mas é uma pena que sigam até o fim de suas vidas delegando sua guiatura espiritual à terceiros (aristocracia emocional) ou congelados no tempo em uma letra morta (aristocracia intelectual).

Que fique essa reflexão para que nós, individualmente, não nos tornemos um “intocável”.

Na nossa humilde opinião e falando em termos esotéricos referente às iniciações íntimas, queremos dizer que “os intocáveis” são aqueles que “morreram” durante a tentativa de travessia do primeiro pequeno deserto esotérico que iniciaria na oitava iniciação de mistérios menores e persistiria até a conclusão da primeira iniciação de mistérios maiores.

O deserto esotérico é uma condição íntima caracterizada por uma longa solidão espiritual onde o iniciado se vê sozinho e desprovido de toda luz que não seja aquela que ele já tem encarnada (que é muito pouca, diga-se de passagem). No deserto esotérico nenhuma prática funciona. No deserto esotérico não se sente mais a inspiração de outrora. No deserto esotérico os defeitos, antes reprimidos, agora se manifestam irrestritamente. Alguns carmas são cobrados e muitos nexos negativos são criados. Essa é uma situação difícil, até mesmo deseperadora, que pode durar muitos anos cronológicos. São anos e anos de solidão, de fome espiritual, de sede espiritual, de trevas, de frio, etc.

A passagem pelo deserto esotérico nos lembra a quarta hora de Apolônio [2][3]:

“O neófito vagará de noite entre os sepulcros, experimentará o horror das visões, se entregará à Magia e à Goécia.”

Não é incomum encontrarmos aqueles iniciados que em um passado eram grandes paladinos da Gnosis e verdadeiros exemplos de autossuperação entregues aos mais terríveis erros: aqueles que eram verdadeiramente castos entregam-se à fornicação, à masturbação. Aqueles que eram abstêmios entregam-se às bebidas, às drogas. Aqueles que eram fiéis entregam-se aos adultérios sem limites. Os grandes divulgadores da gnosis pura acabam trazendo novas doutrinas retiradas do abismo. E por aí vai…

É algo que, para um observador externo que não conhece os mistérios esotéricos em primeira mão ou que não tem a devida cultura esotérica, soa extremamente incompatível com a Gnosis. Mas podem acreditar, esse É um processo dentro do caminho.

Pouquíssimos duram até o final do deserto. Muitos desistem do caminho por completo e aí vemos situações de divórcios, situações de revolta com as instituições gnósticas, situações de contrariedades com Samael e sua doutrina, situações de doenças, etc. É justamente na fuga do deserto esotérico que começa a se formar o aristocrata do intelecto ou da emoção inferior, aquilo que o mestre Samael chamou de “intocável”.

Bem, agora que entramos nesse assunto do deserto esotérico vamos seguir um pouco mais nele:

Terrível é a solidão do deserto esotérico . É claro, tudo tem um fim. Não há mal (nem bem) que dure para sempre.

Depois de um longo tempo MANDATÓRIO de sofrimento incalculável chega-se ao fim da travessia, chega-se ao final do deserto. Quem chegou até aqui realmente é um heroi, mas isso não é tudo. Para sair do deserto de fato é necessário um último esforço. É necessário algo que nunca foi feito antes, um feito inédito, uma coisa não-escrita, algo que ninguém poderá aconselhar a pessoa, nem mesmo seu real ser interno poderia dar a chave para esse enigma. É algo que depende da própria pessoa, do iniciado. E o que será isso, pergunta-se o leitor? Qual seria o enigma final do deserto esotérico? Responderemos agora…

O enigma é o Real Ser Interno. A resposta ao enigma é o autodescobrimento Dele. E a forma em que isso ocorre é através de um insight inédito que perfura o continuum espaço-tempo do universo individual dessa Consciência que somos nós. Em outras palavras, a pessoa experimenta um samadhi. E não, não é necessário estar em uma “meditação formal” para isso acontecer [4]. É uma vivência íntima resultante de uma autorevelação.

Ao resolver esse enigma final se sai do deserto e aí sim começa a se trilhar o verdadeiro caminho. Por que, convenhamos, as iniciações de mistérios menores são para os candidatos à prova, são apenas testes de força de vontade para seguir um caminho que ainda não começou de fato. O verdadeiro trabalho começa com as iniciações de mistérios maiores, com o magistério do fogo…

“O Sol levantou-se, o fantasma do tempo desvaneceu-se, a palavra perdida foi encontrada!”

——————————————

[1] http://www.supergnosis.com/Content/pdf/gran-manifiesto-gn%C3%B3stico-internacional-1976.pdf

[2] http://supergnosis.com/w/manual-de-magia-practica/13-la-muerte/#21

[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuctemeron

[4] http://supergnosis.com/w/los-misterios-del-fuego/leccion-xiii/#41

Deixe um Comentário