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As Origens Gnósticas da Obra de Gurdjieff

3 jul 2015

As Origens Gnósticas da Obra de Gurdjieff

Num importante acontecimento que tornou ainda mais evidente o caráter perene e universal da Gnosis, pesquisadores descobriram ainda no ano de 1998 certos documentos que revelam as profundas ligações entre o conjunto de conhecimentos transmitido pelo sábio George Ivanovitch Gurdjieff, o qual ficou conhecido como O Quarto Caminho, e o Gnosticismo Cristão Esotérico.

Os escritores Kathy Hurley e Theodorre Donson receberam das mãos de uma freira britânica um livro que deixou às claras as fortes conexões entre a doutrina elaborada por Gurdjieff com a dos Padres da Igreja, os teólogos dos primeiros séculos do Cristianismo, entre os quais encontram-se personagens gnósticos como Clemente de Alexandria, Origines, Ambrósio, Tertuliano, Santo Agostinho e Justino Mártir.

Entre as várias histórias que cercam a misteriosa figura de Gurdjieff existe aquela que recorda como certo dia um de seus discípulos mais famosos, o filósofo russo Boris Mouravieff, teria perguntado ao seu mestre qual era a origem de seu ensinamento esotérico. À esta pergunta, Gurdjieff teria oferecido como resposta, além de um sorriso insinuante, a curiosa frase: “Talvez eu o tenha roubado.”

A este seu sistema de princípios que conduzem à transformação individual e ao crescimento interior, G. I. Gurdjieff deu o nome de Quarto Caminho, afirmando que este caminho transcende os tradicionais e mais conhecidos três caminhos do monge, do faquir e do iogue. Além disso, Gurdjieff ensinou que o Quarto Caminho deve ser vivido em meio à sociedade e suas demandas, e não no isolamento em alguma comunidade formada por indivíduos que pensam, sentem e agem de maneira semelhante.

Sobre as origens do Quarto Caminho, Gurdjieff afirmou várias vezes nos últimos anos de sua vida que ele estava ensinando nada mais do que o Cristianismo Esotérico, ou seja, a interpretação esotérica dos ensinamentos cristãos. E de fato, o que o livro que Hurley e Donson receberam da freira britânica contava era que este conhecimento é o mesmo praticado pelos Padres da Igreja, os místicos dos primeiros séculos que privilegiavam a experiência direta de Deus ao invés das crenças e doutrinas.

Este livro, entregue pela freira aos pesquisadores, chama-se A Different Christianity (Um Cristianismo Diferente), publicado em 1995 e escrito pelo erudito britânico Henry Robin Amis, falecido no ano passado (2014). Trata-se de um livro que apresenta o núcleo esotérico original do Cristianismo Primitivo, tal como praticado pelos antigos Padres da Igreja, dando ênfase para o seu objetivo de trazer a iluminação para a vida cotidiana de seus adeptos.

Os Padres da Igreja tiveram seus ensinamentos guardados nos Monastérios Ortodoxos da Rússia e da Grécia, onde a expressão mística no Cristianismo é mais pronunciada. É sabido também que Gurdjieff recebeu primorosa educação cristã diretamente de sacerdotes ortodoxos russos.

A própria forma de trabalho de Gurdjieff, estabelecendo grupos que passavam longas jornadas juntos e, em boa parte do tempo, em completo isolamento do resto da sociedade, espelha-se no ascetismo dos Padres da Igreja. Em outra parte interessante de sua história, Gurdjieff teria planos de levar seus discípulos ao Monte Athos, para que lá se conectassem com a autêntica tradição cristã gnóstica.

Segundo os pesquisadores que fizeram a descoberta, Gurdjieff era inteligente a ponto de ter certeza que a forma mística através da qual ele recebera os ensinamentos do Cristianismo Gnóstico Esotérico não teriam impacto suficiente na sociedade européia da época. Assim, o sábio Mestre teria composto um sistema independente de religiões, o qual ficou conhecido pelos discípulos como “O Trabalho”.

E a síntese deste Trabalho acabou se tornando uma poderosa ferramenta de conhecimento espiritual, quando foi incorporada à doutrina do Gnosticismo Contemporâneo, formulada por Samael Aun Weor, o grande mestre gnóstico do século passado. Assim, quando a doutrina de Gurdjieff se converteu numa engrenagem conceitual e prática desta atualização do Gnosticismo, ela foi assimilada pela própria corrente mística que a deu origem, fechando assim um esplêndido ciclo que atesta a imortalidade da GNOSIS.

10 Respostas

  1. Lilian

    Que aspectos do Trabalho representam conhecimentos adquiridos da Tradição Gnostica. Gostei da sua matéria mas gostaria de saber se há algum elemento específico que possa citar.

    Obrigada,

    Lilian

  2. Olá Lilian,

    Obrigado por sua mensagem. Realmente a matéria não explicita quais as relações entre o Trabalho e os referidos fundamentos gnósticos nos quais ele se baseia.

    Acredito que a mais clara relação entre estas duas tradições – ou versões de uma mesma tradição, uma antiga e outra moderna, como afirma a matéria – possa ser encontrada no trabalho com os centros inferiores e superiores.

    O ensinamento dos primeiros cristãos-gnósticos afirmava a necessidade de renunciar ao desejo pelas coisas mundanas, às emoções negativas e ao conhecimento humano ordinário. Em troca, estimulavam a busca por uma vida de hábitos simples, pela devoção e pelo conhecimento divino – ou Gnosis.

    Estas três renúncias e estas três aspirações correspondem ao trabalho com os centros da máquina humana, seu domínio e equilíbrio, bem como o despertar dos centros intelectual e emocional superiores.

  3. odacir do prado rocha

    o conhecimento gnóstico já existe ha muito tempo,foi ocultado pelas religiões por mostrar a forma diferente e sem interesses materiais e filosóficos.

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  5. “Em seguida, a quarta forma diferente das outras maneiras em que a principal exigência feita em cima de um homem é a demanda para o entendimento. Um homem não deve fazer nada que ele não entende, a não ser como um experimento sob a supervisão e orientação de seu professor. Quanto mais o homem entende o que ele está fazendo, maior será o resultado de seus esforços. Este é um princípio fundamental da quarta forma. Os resultados do trabalho são em proporção com a consciência do trabalho. No ‘fé’ é necessário no quarto caminho, pelo contrário, a fé de qualquer natureza se opõe ao quarto caminho. No quarto como um homem deve certificar-se da verdade do que lhe é dito. E até que ele está satisfeito, ele não deve fazer nada.” – Gurdjieff

  6. Jose Carlos

    Pelo que já li no quarto caminho, não vejo nenhuma conexão com o movimento Gnóstico, muito pelo contrário, Samuel teve outra postura, ideologia, quanto aos seus ensinamentos. A forma e o modelo pelo qual Samuel transmitiu a sua doutrina tornou-se para muitos radical e foge das verdades superiores.
    Em hipótese alguma a alma humana poderá ser doutrinada , visto sua ação como livre arbítrio. Vivemos outra época no qual as idéias e os ideais são transformado, conscientemente numa religiosidade pessoal, não mais formalizada por conhecimentos ultrapassados e sem comprometimento com a irmandade universal. Vivemos sim numa esfera religiosa evolutiva, mas desconhecemos em muito a religião revelativa. Mas devemos compreender que uma coisa não pode seguir sem a outra, se por um lado temos religiões transformada num mecanismo formulado pela falta de consciência, por outro temos uma religião consciente e muito mais dinâmica que afere ao buscador torna-se mais potencializado pelo seu conteúdo mais abrangente e eficaz. O quarto caminho pode ser um bom condutor, contudo, está muito longe da perfeição.

  7. Olá Jose Carlos,

    Obrigado pelo seu comentário.

    Para ver a conexão entre o Quarto Caminho e os ensinamentos gnósticos de Samael Aun Weor é necessário estudar os dois com objetividade e seriedade, não basta ler uns quantos fragmentos, ouvir murmúrios que ecoam aqui e acolá e reproduzi-los sob o pretexto da obsolescência das doutrinas e do relativismo moderno que degenera a religiosidade contemporânea.

    É preciso ser comprometido e profundo para compreender a doutrina dos Mestres.

    Sugerimos dedicar-se aos estudos com mais paciência e comprometimento, e se desejar orientação e alguém versado em ambas as correntes às quais você se dedica a criticar para sanar suas dúvidas, conte sempre conosco.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

  8. pedro servio

    Sou muito sensível à tese sufi q qualquer escola termina com a morte se seu mestre.

    Há necessidade de um mestre vivo para reinterpretar e dar continuidade aos trabalhos.
    Os ensinamentos anteriores podem ser a base (ou não) para a continuidade, mas ensinamentos cristalizados e repetidos sem um mestre vivo que de alma aos mesmos é como um crisálida vazia, cuja borboleta já voou…

    Sou muito simpático às ideias de G. e também ao que suponho ter sido os ensinamentos dos primeiros gnósticos, mas sou também muito desconfiados dos “acadêmicos” que devoram as obras existentes e tentam construir sobre elas…

    Procuro um mestre vivo, que afirme com autoridade e sabedoria seus conhecimentos, aurídos provavelmente em fontes já conhecidas e tradicionais, mas que tenha sua forma e autoridade própria.

    Quem souber de algum por favor me indique…

  9. Olá Pedro,

    Muito obrigado pela sua mensagem.

    Nos estudos gnósticos indica-se buscar o Mestre Interno, o Real Ser, através do aperfeiçoamento da alma mediante os Três Fatores de Revolução da Consciência.

    Mestres, Adeptos, Gurus e Avatares apenas podem nos indicar o caminho, e nós temos que percorrê-lo sob a orientação de nosso próprio Mestre Interno.

    Esta é uma das principais premissas gnósticas.

    É certo que há outras correntes espiritualistas, cada uma com seus próprios Mestres e suas próprias ideias de desenvolvimento interior, mas nós da Sociedade Gnóstica nos limitamos a orientar acerca da proposta gnóstica e dos estudos gnósticos

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

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