Bem-vindo a Sociedade Gnóstica Internacional

5 jul 2012

Mitologia e Guerra nas Estrelas: Guias e Mentores

Nas mais diversas tradições mitológicas, os mentores são aqueles sábios que instruem e acompanham o herói em sua jornada. Ao longo da saga mitológica de Guerra nas Estrelas, os personagens Yoda, Obi-Wan Kenobi e Qui-Gon Jinn exercem a função de guias espirituais e filosóficos dos heróis Anakin e Luke Skywalker, agindo como uma combinação de magos, sacerdotes e professores.

Eles possuem poderes mágicos, serenidade mental e grande sabedoria, os quais refletem uma vida de estudo, disciplina e experiência prática. Os mentores são personagens centrais na evolução do herói através de sua jornada, oferecendo instrução e treinamento nos caminhos da Força, ou seja, ajudando a desenvolver os valores e as habilidades necessárias para a superação de obstáculos.

De início, os mentores oferecem um senso de identidade ao herói, como faz Obi-Wan Kenobi ao revelar as origens de Luke Skywalker, pois este pensava que seu pai, Anakin Skywalker, era navegador de um cargueiro, e não um Jedi.

Nos momentos em que o herói se sente perdido, confuso e até mesmo desesperado, o que normalmente ocorre no início da jornada, o mentor aparece para injetar ânimo e confiança, além de recordar os propósitos que o trouxeram até ali.

Os mentores Yoda, Obi-Wan Kenobi e Qui-Gon Jinn, representam uma tradição mítica que encontra representantes clássicos em Galdalf, em Merlin, em Morpheus e em diversas histórias das mitologias universais.

Na aventura grega a Odisseia, antes de partir em sua jornada, Ulisses encarrega um velho amigo da família chamado Mentor para que cuide de seu filho. Se os mentores representam os laços entre Deus e o Homem ou entre professor e aluno, eles também representam a ligação entre pai e filho, como pode ser visto na forma carinhosa com que os Skywalkers são tratados pelos seus mestres.

Assim como em muitas narrativas mitológicas, há em Guerra nas Estrelas um mentor que aparece sob uma forma um tanto quanto incomum. O pequenino Yoda é verde, orelhudo, fala esquisito e tem problemas com a concordância verbal e nominal. No entanto, apesar disso tudo, ele era considerado o Jedi mais respeitado e mais poderoso, com ou sem o seu sabre de luz.

Veja a Série Completa:

Mitologia e Guerra nas Estrelas: Parte 1
Mitologia e Guerra nas Estrelas: Parte 2
Mitologia e Guerra nas Estrelas: Parte 3
Mitologia e Guerra nas Estrelas: Parte 4
Mitologia e Guerra nas Estrelas: Parte 5
Mitologia e Guerra nas Estrelas: Parte 6
Mitologia e Guerra nas Estrelas: Parte 7

Um dos maiores heróis gregos, Aquiles, foi enviado para estudar com o centauro Quíron, uma criatura metade homem e metade cavalo, que vivia em lugar tão isolado quanto Dagoba, o lar de Yoda. Foi de Quíron que Aquiles aprendeu todas as habilidades que o transformaram num herói, como a destreza na guerra e a capacidade de usar a fala com eloquência.

Normalmente, os mentores cumprem uma tarefa muito importante para que o herói seja capaz de seguir com sua jornada. Ele entrega um presente especial num momento crucial da história, algo que será útil como uma espada, um anel mágico, um encantamento ou um sabre de luz. Este objeto representa uma espécie de conhecimento, algo que confere o discernimento.

Assim como Luke Skywalker, que ao receber o sabre de luz de seu pai faz sua entrada no mundo dos Cavaleiros Jedi, o rei Arthur também recebe a espada que pertencido ao seu pai, e ela o confere o direito de ser o legítimo rei da Inglaterra. Frodo, o herói de O Senhor dos Anéis, ingressa na Fraternidade do Anel no momento em que toma para si o Um Anel, apesar de sua aparente desqualificação como guerreiro.

Os heróis de Guerra nas Estrelas aprendem os ensinamentos dos Mestres Jedi, que combinam ética, espiritualidade e disciplina física. Os mentores são indivíduos comprometidos com a luta entre o bem e o mal, que são representados pelo conflito entre a República e o Império, e estão dispostos a dar suas vidas nesta batalha.

Em muitos sentidos, os Jedis são como os antigos Samurais, os guerreiros japoneses conhecidos por sua disciplina, sua lealdade e sua grande habilidade com a espada. A própria palavra Jedi foi inspirada pelos filmes jidaigeki, os filmes japoneses que retratam a vida e as batalhas dos antigos samurais, dos quais George Lucas era um grande fã.

Os ensinamentos mais importantes que os Mestres Jedi diz respeito à Força, um fenômeno de natureza espiritual capaz de provocar efeitos no mundo material, muito parecido com a magia ou o sacramento, operados por magos e sacerdotes. De acordo com estes ensinamentos, a Força é o que dá poder aos Jedi, ao mesmo tempo que mantém a vida e a coesão de todo o universo.

A ideia da Força é tão universal que pessoas de todas as religiões são capazes de reconhecer nela seus próprios deuses ou poderes inteligentes que criam, sustentam e destroem universos. De início, o Aprendiz Jedi é chamado a ter fé na Força, mas ao mesmo tempo começa a experimentar seu poder através da sobreposição da intuição sobre a razão, do dom da profecia, da comunicação com entidades de outros planos e da manipulação telecinética de objetos.

Os Jedis entendem o funcionamento do universo através do conceito da Força. Numa das cenas de O Império Contra-Ataca, o mestre Yoda ensina Luke Skywalker sobre ela dizendo que é uma energia que cerca e une a todas as coisas, e com isso busca levar seu Aprendiz a compreender que ele e a Força são a mesma coisa, afirmando que somos seres luminosos e não apenas a rude matéria.

Como é tão abstrata quanto Deus, a Força não pode ser vista nem tocada, mas é possível senti-la em todos os lugares e em todos os fenômenos, entre Luke e Yoda, a árvore e a pedra. E nem é preciso acreditar em Deus para entender o poder mitológico da Força, pois basta entender que ela confere ao herói a perspectiva da existência de um mundo para mais além das fronteiras da subjetividade.

Os múltiplos níveis de compreensão e manipulação da Força correspondem à Iluminação da qual tanto falam as diversas religiões através de suas próprias alegorias. No universo de Guerra nas Estrelas, esta Iluminação é alcançada apenas mediante o sacrifício. Aqueles que buscam o poder da Força devem estudar, praticar e submeter-se a rígidas disciplinas.

Mais que isso, é preciso sobrepujar o ceticismo e a racionalidade que gera dúvidas. Quando o jovem Luke Skywalker fracassa em retirar sua espaçonave da lama em Dagoba, ele acaba considerando aquela tarefa impossível. Então, o pequenino Yoda, aparentemente sem muito esforço, desloca a nave e a coloca no solo em segurança. Luke diz que não acredita, e Yoda responde que é por isso que ele falha.

Ao se aproximar da Iluminação e do manejo da Força, o Aprendiz não pode receber todos os verdadeiros conhecimentos gnósticos de mão beijada. Esta sabedoria gnóstica corresponde à experimentação direta da Força, o que é bastante diferente de todos os conceitos a respeito da Força que o Aprendiz recebeu até então. Ele precisa conquistar esta sabedoria por seus próprios esforços.

Em determinado momento da sua jornada, o herói se dá conta que o mentor não pode ficar ao seu lado para sempre. Os três mentores de Guerra nas Estrelas morrem, deixando os heróis confusos e desamparados. Mas é crucial para o seu desenvolvimento que o mentor não esteja mais ao seu lado. Se eles não vão embora ou morrem, o herói jamais saberá se realmente se apropriou do verdadeiro conhecimento.

Num sentido religioso, depois que as pessoas morrem, algo delas sempre permanece conosco. Algumas tradições sustentam que os espíritos permanecem ao nosso lado para nos ajudar, enquanto outras afirmam que eles renascem em nossa descendência. Na jornada do herói, o mentor que se foi permanece presente através de seus ensinamentos, como Obi-Wan Kenobi quando aparece para Luke Skywalker, como uma voz que o guia ao penetrar na Estrela da Morte, ou em sua forma energética imersa na Força ao fim da batalha de Endor.

Por mais valiosa que seja a relação com nossos mentores, eles acabarão partindo. O dever do herói é seguir em frente, descobrindo os ensinamentos de seu mestre em sua própria jornada, conferindo assim imortalidade à sua obra e aos seus ensinamentos. Desta forma, o mentor continuará vivendo dentro do herói, e sobreviverá para sempre enquanto ele recordar e aplicar os seus ensinamentos.

Veja a Série Completa:

Deixe um Comentário