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9 jun 2012

Os Gnósticos Templários e a Adoração à Baphomet

Nos difíceis anos da Idade Média, um grupo de monges fervorosos e soldados habilidosos conhecidos como os Cavaleiros Templários se tornou uma das organizações mais poderosas de toda a Europa. Enquanto muitos ainda buscam pela fonte de poder que teria transformado aqueles cavaleiros que vestiam mantos brancos ornamentados por cruzes vermelhas nos homens mais poderosos da Europa, as ligações destes guerreiros santos com a figura incompreendida de Baphomet parece oferecer respostas reveladoras.

Em 1129, a ordem dos Cavaleiros Templários foi reconhecida e apoiada oficialmente pela Igreja Católica, o que a fez crescer em número de membros e também em influência. Como aquela era uma época de conflitos e batalhas muito importantes para o Catolicismo e os reis da França, os poderosos soldados Templários eram muito valorizados.

Por outro lado, havia também os Templários que não iam para os campos de batalha, mas se dedicavam primeiramente aos seus trabalhos de caridade e à sua prática religiosa. Mesmo assim, eles também tinham seu valor reconhecido, pois dominavam técnicas de administração financeira e de construção de fortificações, dois aspectos estrategicamente vitais para as ambições das Cruzadas.

Mas, com a perda da Terra Santa para as forças de Saladino, a Ordem dos Templários perdeu força. Em seguida, os Templários passaram a ser perseguidos pela própria Igreja Católica que os apoiava, bem como pelas forças do rei da França, que era um dos maiores devedores da Ordem.

Para justificar a captura, o julgamento e a morte na fogueira dos Cavaleiros Templários, foram espalhados rumores de que os membros da Ordem cometiam uma série de heresias, apostasias e idolatrias, como a realização de cerimônias secretas e iniciáticas e o ato de cuspir na cruz.

No entanto, certamente nenhum destes comportamentos causou tanto espanto, tanto escândalo e tanta curiosidade como a adoração à figura de Baphomet, uma criatura considerada demoníaca pelos católicos supersticiosos, com cabeça e pés de bode, asas de anjo, corpo andrógino, ostentando uma tocha no alto da cabeça e apontando com uma das mãos para cima e outra para baixo.

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Os intelectos mais frágeis, sustentados por uma inclinação emocional fervorosa à aceitação de dogmas e à intolerância religiosa, vêm considerando o Baphomet como uma representação do próprio diabo. Na verdade, Baphomet representa a harmonia entre os grandes contrastes do universo, ou seja, entre as grandes dualidades da existência, seja por combinar os traços físicos femininos e masculinos, ou ao apontar tanto para o Céu como para o Inferno.

Mesmo que as dualidades universais existam desde o princípio do universo, o nome Baphomet apareceu pela primeira vez no século XI como uma forma equivocada de escrever a palavra Mahomet, forma latina de Maomé, o profeta do Islã. Somente mais tarde aparece como nome do ídolo pagão adorado pelos Templários no século XIV. O termo voltou a ser conhecido no século XIX com o retorno dos debates acerca dos motivos que levaram à supressão dos Templários, mas também com a imagem popularizada nos meios ocultistas por Eliphas Lévi.

É de extrema importância frisar que esta explicação do erro gráfico para a origem do nome Baphomet não é uma unanimidade, mas infelizmente acaba sendo apresentada desta maneira. Muitos são os que combateram esta perspectiva demasiado suspeita, e há versões mais esclarecedoras desde o ponto de vista esotérico, e que serão consideradas mais adiante.

Fato é que a equivalência do termo Baphomet e do nome latinizado de Maomé serviu perfeitamente aos interesses do catolicismo decadente da época, que usou os Templários como bode expiatório (sem trocadilhos!) para a derrota nas Cruzadas, e da realeza falida, que se livrava de seus maiores credores e da vergonha por tantas lambanças militares. Contudo, diversas interpretações posteriores oferecem simbolismos muito úteis que são derivados da palavra Baphomet, indicando que a prática espiritual dos Templários estava fundamentada no pensamento dos antigos gnósticos.

Já no século XVIII, a primeira destas interpretações foi proposta pelo maçom e iluminista Friedrich Nicolai, o primeiro a relacionar os Templários com os antigos gnósticos. De acordo com ele, a palavra Baphomet era formada pelas palavras gregas βαφη μητȢς, baphe metous, que significam Batismo da Sabedoria. Nicolai afirma que os Templários tinham uma doutrina secreta (gnóstica), a qual era acessada mediante graus iniciáticos.

Tanto a doutrina gnóstica como as iniciações que conduziam aos seus princípios teriam sido comunicadas aos Templários diretamente pelos muçulmanos. Em nossos estudos sobre o desenvolvimento do gnosticismo através da história e a transmissão dos princípios herméticos desde as civilizações antigas até os dias atuais, já comprovamos que o mundo islâmico foi o herdeiro das gemas preciosas do esoterismo antigo, recebendo-as diretamente das mãos dos gnósticos e transmitindo-as séculos depois aos europeus, ajudando-os a sair das espessas trevas em que tinham se metido.

No século seguinte, o filósofo e lexicógrafo parisiense Emile Littré publicou em seu Dictionnaire de la Langue Francaise (Dicionário da Língua Francesa) que a palavra baphomet era cabalisticamente formada pela escrita reversa temohopab (tem. o. h. p. ab), uma abreviação da expressão latina templi omnium hominum pacis abbas, que significa “pai do templo da paz de toda a humanidade”. A fonte para esta afirmação seriam os escritos de um certo Abade Constant, que não é outro senão o grande mago e ocultista Eliphas Lévi.

Mais tarde, o professor sufi Idries Shah, proponente da ideia de um sufismo universalista, à maneira do gnosticismo universalista de Samael Aun Weor e do perenialismo que antecede a ambos, propõem que a palavra Baphomet deriva do termo ábare أبو فهمة, abu fihama(t), que significa “pai do entendimento”. A conexão entre a interpretação de Littré e a de Shah permite a compreensão de que o paz da humanidade estaria apoiada na sabedoria, e não na crença que tantos sofrimentos e tribulações trazia e ainda traz ao mundo.

Corroboram com esta linha de pensamento as afirmações Hugh J. Schonfield, um dos estudiosos que trabalhou na tradução dos Manuscritos do mar Morto. Para Schonfield, a palavra Baphomet foi criada intencionalmente através do uso de um dos métodos específicos da Numerologia Cabalística, conhecido como Atbash substitution cipher

Este método de criptografia substitutiva consiste na troca da primeira letra do alfabeto hebraico pela última, da segunda letra pela penúltima, da terceira pela antepenúltima, e assim por diante, até que todas as letras que compõem uma palavra sejam substituídas e uma palavra completamente nova seja formada. Contudo, segundo os princípios da Numerologia Cabalística, mesmo que a forma das palavras sejam diferentes, seu significado é o mesmo.

Assim sendo, Baphomet escrito em caracteres hebraicos corresponde à בפומת. Após a aplicação do método numerológico Atbash, ela se torna שופיא. Convertida para o grego, encontramos a palavra Sophia, que além de significar Sabedoria, também é um dos principais elementos mitológicos reverenciados e aplicados na prática pelos antigos gnósticos. Mesmo distanciados pelo tempo, os Templários e os Gnósticos compartilham da mesma raiz religiosa, que é o emprego da Sabedoria como importante instrumento de redenção da alma.

Todas estas interpretações posteriores são muito mais interessantes, enriquecedoras e esclarecedoras desde o ponto de vista esotérico do que a suposta equivalência entre Baphomet e Maomé, que pelos motivos já explicados era muito conveniente para os católicos que sempre se dedicaram a perseguir os hereges para garantir a manutenção de seu poder e de seus tesouros mais queridos.

Através da comparação destas análises, fica evidente como a superficialidade do intelecto pode ser usada com facilidade para justificar as atrocidades como a perseguição religiosa e a supressão das diferenças. Melhor mesmo é adorar Baphomet, não cegamente como alguns adoram os nomes de Jesus ou as imagens de santos, mas sim como o faziam os Gnósticos e os Templários de ontem e como fazem os Gnósticos atuais, cultivando a gnosis que não conduz à idolatria separatista, mas ao respeito unificador, colocando-nos em contato com os Mistérios do Criador e de sua Criação.

16 Respostas

  1. nousvate

    Para quem sabe ver o bem e o mal fora da própria dualidade “HUMBRAL” pode compreender facilmente a figura de tifhon bafomet. Grande conhecimento e ainda ocultada pelas mentes protecionistas que quer se beneficiar e não compartilhar com a maioria das pessoas. E ate compreensivo, porque a maioria da humanidade ainda não se encontra pronta pra ver a realidades de todas as coisas, para tudo tem sua hora certa.

    Dizem que, os maiores mistérios dos templários foram à descoberta por eles de um grande segredo e que estes segredos a própria capacidade de movimentar forças ocultas através de rituais antiguíssimos. “porque a cabeça de João batista?” porque João batista representa as águas do batismo, ou a própria energia sexual, a cabeça decapitada seria a vitória do espírito sobre a carne ou sobre os desejos carnais.

    Os templários tinham uma idéia de pureza e de união, eles dividiam o mesmo cavalo, e sua veste era branca com o símbolo da cruz, a cruz todas sabe que vem dos cristãos, mas o branco? A veste branca vem da castidade este e o maior calcanhar de Aquiles de todos que entre na senda da auto realização. Eu particularmente não ponho muita energia em grupos que travam em suas vidas um tipo de idealismo, ainda mais nos dias de hoje. A auto realização dentro de a gnose dever ser vista pelo os olhos de lúcifer. E isto e muito difícil de ser alcançado lúcifer e uma porta com duas saídas, tudo depende de nossas escolhas. Todo ser humano tem seu tifho bafomet particular que ganha poder e força conforme vamos abrindo os arcanos da criação.

  2. Denis

    Giordano, parabéns pelo artigo e pela dedicação.

    Parto do princípio que a afirmação da adoração a bafomé pelos gnósticos da ordem do templo não passa de invencionice.

    Nascida em Jerusalém para defender a segurança dos que visitavam, sob o patrocínio religioso e militar (o que já é uma contradição natural – leia-se um dos 10 mandamentos da igreja: “não matarás”), tornou-se imediatamente uma ordem secreta por ser iniciática. Mais adiante, privilegiada pela conquista da palavra perdida nos escombros do templo de Salomão, porém sempre mandados pela igreja, que mais tarde viria a perseguí-los e naturalmente tentar sustentar a nocividade pelo suposto culto a bafomé…

    Talvez a explicação mais coerente parta do princípio que em algum momento alguém não iniciado teve acesso ao templo onde se realizavam as iniciações dos cavaleiros da cruz e tenha se deparado com a enorme estátua do “bicho”, símbolo da reunião de todas as forças dos princípios masculino e feminino, exatamente como no livro da criação.

    Aqui eu peço perdão pela correção da imagem exposta no artigo, ao mesmo tempo que te perdoo porque sei que é bem difícil encontrar a imagem fiel de bafomé que ornava o centro do templo, sob três degraus, onde se via no peito da enorme figura a cruz de cristo, sangrando, imprime a rosa branca, simbolo da mulher, um róseo alaranjado que pouco a pouco toma a cor de sangue… vida que brota da união ativa e a fragilidade passiva e obediente, delicada. Sob a cruz, a letra “G”, de “Geração”. Ali entrava o mestre perfeito, vendado e tateando até encontrar o pedestal para proferir a sua prece, antes das viagens simbólicas e por conseguinte toda a ritualística que termina com um evento bem curioso (*).

    O gnóstico como um verdadeiro crente, segue firme na compreensão da verdade que leva ao conhecimento da causa, havia de passar pelo processo iniciático para unir a fé com a ciência e então experimentar a verdade inteira, sendo piedoso sempre que solicitado e sempre crente na voz profética.

    O gnosticismo dos templários se resume em uma mística que ilumina os evangelhos e os interpreta à luz da razão humana. Esse cavalero da cruz passaria por sete graus para alcançar a plenitude e a essa alturá já teria revisto bafomé algumas dezenas de vezes, porém, adorando a verdade e não como dizia a igreja no final da história.

    Quisera Jacques de Molay ter resistido naquela prisão e conseguido triunfar diante de toda controvérsia do cenário, mas, não foi bem assim… Com muito respeito ao Lèvi (e não apenas a ele), mas, associações, derivações, explicações e outras manifestações sempre serão possíveis (inclusive em tupi-guarani) quando o intelecto é colocado a serviço do convencimento dos não iniciados, principalmente quando a tendência é encontrar uma maneira de criar razão para um evento.

    A nossa sorte é que os princípios basilares do gnosticismo sobrevive e se amplia, com artigos como esse, que geram momentos que nos permitem dispender tempo para compartilhar pontos de vistas particulares.

    Mais uma vez, parabéns pelo tema Giordano!

  3. Olá Denis,

    Obrigado pelas palavras e pela gentil contribuição.

    Uma curiosidade: a imagem que ilustra o artigo era capa do livro Les Mystères de la Franc-Maçonnerie, escrito pelo jornalista francês Léo Taxil.

    Penso que a iconografia e a ritualística maçônica são extremamente valorosas para contribuir para o entendimento da simbologia de Baphomet. A perspectiva iluminista, quando não descarta as verdades religiosas mas antes busca compreendê-las, bem ao modo de Eliphas Levi, promove o encontro da ciência e da religião, extinguindo os erros de ambas.

    Um grande abraço meu amigo!

  4. Oi Giordano!

    Uma vez que os símbolos e as alegorias funcionam como chaves importantes fica difícil dissociar.

    Devido a curiosidade sobre os temas, vários são os assuntos que receberam atenção do mercado editorial nos últimos anos. Alguns trabalhos de pesquisadores e jornalistas são profundos e valiosos, porém, outros, são facilmente questionáveis devido a superficialidade da pesquisa e romantização da realidade para tornar vendável a obra no mercado.

    Quanto mais encontros forem promovidos, mais teremos condições de nos aproximar daquilo que entendemos como realidade. A consciência mundial está evoluindo graças a iniciativas como a sua.

    Abraços,

    Denis

  5. nousvate

    Olá Giordano.

    Boa observação para quem se preocupa com as relações da energia que se manifesta por meios da palavra e por meios de atração a “letra” e muito importante.

    No caso do umbral, o “h” não surte efeito algum na pronuncia da frase, mas a simbologia da letra poder criar uma relação intimamente com seu significado místico e esotérico.

    E como uma frase que nos da à conexão a uma realidade, a frase abre nossa mente para uma realidade, as letras e as frases são chaves que abre certas potencialidades psicológicas.

    E como um psicólogo quando quer saber algo de um paciente eles usam as frases e termos para abrir certas portas da mente. Assim também e a “letra” ela tem poder de atrair a atenção dentro da psicologia humana mesmo que esse esteja inconsciente.

    E como um mantra que a mente não capta seu significa, mas, o subconsciente grava. E mais sedo ou mais trade ela vai ter facilidade de aceitar algo que comece com aquela letra ou frase que ela viu em algum lugar.

    Assim, e como uma letra junto formam frase, A nossa mente forma a frase mecanicamente, mas questiona a letra fora de seu lugar, todas as letras do alfabeto formam milhões de frases mecanicamente, mas a mente ao se deparar com uma letra fora da ordem ela para, e ai que a pessoas pode ser levada a uma realidade

    inconscientemente simplesmente por causa de uma letra.
    “O” h e como um som diferenciado ele chega a ser a pronuncia do zero absoluto. E a uso junto à frase umbral por causa das relações de energia que essas duas realidades representa a ser pronunciada.

    E como “A Ummmm… ou A hummmm… qual a diferencia?

    Grande abraço.

  6. Darshtraitor

    Fiquei com curiosidade sobre o “H” tambem, hsuahsua mas emfim, ainda há varias perguntas pra poucas respostas.

  7. Joao Paulo

    Nouvsate,
    É o mesmo motivo pelo qual você usa “sedo” ao invés de cedo? E pela falta de concordância em “essas dias realidades representa”

  8. Joao Paulo

    Interessante ainda é observar que a alteração de grafia é muito comum na comunicação digital.

  9. Rogério

    Quanta besteira escrita neste artigo! Baphomet é o próprio demiurgo e jamais será o Incognoscível, essa gnose aí é FALSA e serve ao demiurgo e não ao Agnoshos Theos ou Incognoscível. A quantidade de besteira dita pelo Giordano é patética, não sei se começo a rir ou chorar. Baphomet, templários…tudo, na verdade, falsa gnose a serviço do demiurgo, do “bafometh”.

  10. Olá Rogério,

    Agradecemos sua preocupação em nos escrever, mas dispensamos argumentar com qualquer “escrita sombria” que seja fruto de uma leitura precária e da intolerância.

    Que o Mestre Samael ilumine seu coração.

    Abraços Fraternos!
    Paz Inverencial!

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