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O Sacrifício do Egoísmo e o Nascimento do Altruísmo

14 ago 2013

O Sacrifício do Egoísmo e o Nascimento do Altruísmo

Há algumas semanas atrás, uma de nossas reflexões gerou bastante repercussão num pequeno grupo de buscadores em que comungamos intuições. Escrevemos que “o egoísmo é sacrificado no altar do grupo, e assim nasce o altruísmo.” Para nós, esta ideia reflete o 3º Fator de Revolução da Consciência, como chamamos gnosticamente o Sacrifício pela Humanidade através do serviço.

Com isso, queremos dizer que toda vez que nos lembramos da nossa essência comum através do despertar da consciência, caem os limites do ego e somos novamente um conosco mesmos, com nossa verdadeira identidade, e também com o outro, ocorrendo a comunhão espiritual. Quando se está em vigília, o altruísmo é vivido de momento a momento, nos detalhes, indo muito além da caridade.

No entanto, a caridade e o altruísmo ainda são vistos como um sacrifício, que carrega o peso da nossa comum interpretação. Precisamos alterar esta visão e enxergar o sacrifício sob uma ótica diferente, como um trabalho sagrado, ou melhor, um o sacro ofício. Entre vários ensinamentos, Jesus e outros Mestres indicam que viemos todos da mesma consciência, da mesma fonte divina. Então, em essência somos a mesma luz, mas aqui nos manifestamos de diferentes formas.

Se entendermos que Deus emanou a criação para conhecer a si mesmo, cada um de nós veio para representar um pedacinho Dele. Para que Ele possa reconhecer-se, cada pessoa deverá refleti-lo à sua maneira.

Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas. (1 Pedro 4:10)

Assim, fica simples entender que a morte psicológica é como uma limpeza profunda de tudo aquilo que encobre a nossa Luz. Somente através do autoconhecimento podemos alinhar a nossa vontade com a Divina, quando efetivamente cumprimos a nossa missão e Ele conseguirá ver a si mesmo através da sua criação.

Salienta-se que cada um tem o seu desenvolvimento pessoal e espiritual específico. O trabalho interno é único e íntimo, impassível de qualquer avaliação externa por quem quer que seja. É necessária uma profunda compreensão de que a compaixão só é atingida após impregnar-se de total respeito e reverência pelo Ser que reside no outro, já que todos somos mestres e aprendizes mutuamente.

Entende-se como Mestre aquele cuja conduta ensina mais do que suas palavras, pois sabe que o caminho que trilhou apenas a ele pertence. Quando são desenvolvidos os atributos da consciência, existe humildade o suficiente para tornar-se um verdadeiro facilitador, ajudando o discípulo a encontrar as suas próprias respostas e não impor a sua verdade, ou visão dela.

Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. (José Saramago)

Portanto, é um tanto pretensiosa e até agressiva a ideia de que se sabe o que o outro faz ou deixa de fazer no laboro espiritual, ou ditar como deve ser feito. Só há julgamento com uma prévia comparação – consigo mesmo ou com um ideal – e logo nos afastando do ser humano inacabado que ali está, tão cheio de defeitos quanto nós mesmos.

Cada vez que nos referimos aos outros como separados de nós, estamos esquecendo-nos da essência Divina compartilhada, estamos adormecidos, não recordando intimamente de nós mesmos. Exatamente por isso que a espiritualidade é fundamentalmente coletiva. Não nos libertaremos de fato até que a última alma retorne à Fonte – se todos somos um, não pode ficar nenhuma parte pra trás.

Sempre que julgamos os outros e nos colocamos como “gnósticos verdadeiros” ou qualquer outro termo similar, é exatamente um “ego gnóstico”, um “eu espiritualizado” que está se manifestando, pois se sente separado e superior. Se no nosso trajeto encontramos irmãos que ainda não compreendem ou internalizaram esses conhecimentos, é necessário que brote uma compaixão e não condenação, pois sim entendemos que despertar a consciência é um processo lento e cada um está no degrau que precisa estar.

As Rosas Vermelhas são melhores que as Rosas Brancas porque têm a sabedoria do pecado. (…) A tentação é a mãe do pecado e a dor do pecado é a sabedoria. (Samael Aun Weor)

A purificação do vermelho ao branco só vem através da manifestação do ego para então contemplá-lo. A dor que segue é o impulso para a busca da cura. Justo, é de dentro desse processo intenso e visceral que se extrai a sabedoria, e não de uma postura de elevação que só quer estar onde ainda não está. Importante ter em mente que apenas conseguimos subir a partir do momento em que reconhecemos onde estamos e quais são as nossas limitações, mesmo que seja num estágio onde não gostaríamos de estar.

Oportuno também lembrar que o altruísmo é um dos atributos da consciência e transborda organicamente conforme aumenta a luz. É algo natural, leve, não sendo difícil, nem havendo um esforço ou cobrança interna para que flua.

Ressalta-se que o Serviço é exatamente com aqueles mais ignorantes sofredores, aqueles que estão longe do sol, as Sofias ou ovelhas perdidas. O resgate mais difícil é especialmente com quem está numa fase em que não consegue visualizar a Luz – o breu total. Conseqüentemente, quem está conectado com uma vibração melhor tem o ônus de auxiliar, pois têm condições de fazer um zoom out e enxergar além da identificação egoica.

Isso é um exercício de elasticidade, pois nós sintonizamos os diferentes níveis de energia como se fôssemos rádios, logo a iluminação não é absoluta. Não é algo que uma vez alcançada torna-se definitiva, é possível afastar-se e aproximar-se da Divindade quantas vezes forem necessárias até que seja possível manter-se continuamente naquele estado – a estação de mais alta freqüência. Era isso que Samael quis dizer quando usa o termo “nível de ser” e não que uma pessoa seja melhor que a outra, mas apenas que em diferentes fases do desenvolvimento espiritual, podemos ajudar umas às outras.

Contudo, é importante ressaltar que há uma sutil diferença entre ajudar alguém e fazer por ela. Neste segundo caso, contribuímos para o reforço de energias de dependência dentro da pessoa, atrapalhando ainda mais o seu desenvolvimento. Se alguém faz por ela, foi-lhe roubado a oportunidade de crescer, de superar o obstáculo colocado pelo Ser e ambos saem prejudicados, pois quem fez pelo outro não fez por si mesmo – pois está com sua atenção/tempo/vida cumprido outra missão que não a sua.

Já no primeiro, a ajuda de fato vem livre de qualquer obrigação, recompensa ou sentimento de culpa, surgindo naturalmente desde um lugar interno fora de qualquer dependência ilusória – o altruísmo. Entretanto, deve ainda passar sempre pelo crivo do livre-arbítrio, aguardando-se o pedido ou perguntando se a pessoa quer ajuda, e aceitando igualmente tanto o sim quanto o não, sob pena de perda de energia e gerar mais desarmonia.

Ninguém nos salva, além de nós mesmos. Ninguém tem este poder e ninguém tem esta permissão. Nós mesmos devemos trilhar o caminho. (Buda)

Atualmente vemos que a sociedade está inquieta, descontente com os paradigmas do sistema vigente e busca mudança – um olhar macro para o mesmo processo micro que acontece dentro de nós. Quando nos deparamos com defeitos, nasce uma inquietação, que vira angústia e começamos a procurar a causa. Conforme identificamos os egos que precisam ser removidos, intensificamos o trabalho, pois a realidade pede mudança.

O processo é lento, e passamos por uma fase onde já sabemos o que não queremos, mas ainda não conseguimos visualizar com clareza o que se quer. Estar nesse momento gera incoerência entre palavras ou conceitos mentais que estão em processo de internalizarão e as atitudes em si, o que aos olhos poucos sensíveis, parecem hipocrisias.

Todavia, cada vez que buscamos a paz é porque não estamos em paz, apenas a constatação da sua ausência gera a busca. Quando ela nos permeia, cessa a reivindicação interna. De nada adianta promover guerra em favor da paz, pois assim se alimenta a energia da guerra que há dentro e ainda materializando ela no mundo. Cada defeito alheio que detectamos, é porque eles ressoam em nós, pois ainda encontram dentro um equivalente para o que acontece fora.

As pessoas procuram-me dizendo EU QUERO PAZ. Digo-lhes que removam o EU que são seus egos. Removam o QUERO que são seus desejos. O que lhes restará é a PAZ. (Sathya Sai Baba)

Ainda, já é sabido que antes de estender a mão para quem está ao lado, nós precisamos estar bem. Antes de olharmos pra fora é necessário olhar para dentro. De nada adianta identificar em nossos irmãos os seus defeitos e ausências sem entender que se vemos isso neles, é porque ainda os carregamos também dentro de nós.

Quando se olha através de compaixão, saímos de um olhar de crítica – que gera ira, revolta e separação – para um entendimento sereno e tranqüilo de que a pessoa está onde merece/escolhe estar, passando por experiências necessárias que somente o Ser dela pode julgar pertinentes ou não.

Quando se olha o mundo negativamente e aplica-se energia através de críticas, julgamentos e condenações, se esta reforçando essas qualidades (ou falta delas) no mundo e no outro. Cada vez que se rotula: “alguém é isto ou aquilo”, há a contribuição energética para que a pessoa NÃO evolua e fique presa a esse padrão negativo. Ao usar a força do verbo para proferir tais palavras, cada um, pelo Ser fundamentalmente criativo que é, determina e comanda com seu poder, fixando ainda mais aquilo que criticou em todas as esferas (nele mesmo, no outro e na humanidade inteira).

Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana. (Carl Gustav Jung)

O amor consegue fluir livremente quanto a conexão entre as pessoas se estabelece por um canal contemplativo e não investigativo. Todos já sentimos a sensação de estar sendo analisado e o quanto é restritivo e condicionante. Por outro lado, se treinamos os nossos olhos e ouvidos para enxergar a luz na escuridão, veremos que por trás daqueles egos que estão se manifestando ali, eles não são quem ela é! Os defeitos que estão agindo na pessoa não a definem, o que requer um esforço para derramar um olhar apreciativo e ver o tesouro enterrado na lama. Através da observação se amplia a vida.

Assim, ter essa abordagem é possível em qualquer atuação em nossa vida, independentemente do grupo em que se está inserido, pois seja qual for a linha que siga, é formado por seres humanos imperfeitos em desenvolvimento espiritual. Aplicar os atributos da consciência independe de religião e ainda mais de instituição. Estamos falando de conteúdo e não de rótulo, da energia quente que emanamos, há vida fluindo nessas ações, e não da palavra morta intelectualizada.

E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós. (Lucas 17:20-21)

Enquanto houver ilusão, existe a possibilidade de identificação com ela e conseqüente nutrição do ego, e, embora haja muitas comunidades que busquem esse ideal, essas pessoas não são perfeitas. Cada um de nós é LIVRE para escolher qual grupo está mais alinhado com a nossa forma de pensar, de sentir e de atuar no mundo. É a Lei da atração, encontrar pessoas com a mesma vibração que a nossa é uma questão de afinidade, mas o exercício é constante e para todos.

Sim, há muita escuridão no mundo e há também muita luz, que não é percebida por não ser muito popular; de fato ainda estamos condicionados a buscar sempre o lado negativo, investigativo e pronto para detectar o erro do outro – já os nossos nem tanto. Toda treva tem um contraponto complementar de Luz e somos nós que escolhemos qual lente queremos. Se há luta contra as energias negativas com mais energias negativas, não se está eliminando, mas reforçando elas. Já um olhar luminoso, esse sim tem força. Portanto, para conseguir enxergar isso, é necessário treino e uma mudança na perspectiva interna.

O primeiro sintoma da auto-inveja é a autocrítica. É um crítico interno que não deixa a pessoa feliz com nenhuma vitória. Ela consegue uma coisa que é motivo para ela celebrar, mas logo acha um jeito de encontrar falhas e de se derrubar. Como se livrar disso? Em primeiro lugar, identifique o crítico interno. Se você puder fazer isso, já está avançando no trabalho de cura. (Sri Prem Baba)

No final das contas, o exercício é não ter uma segunda intenção com o outro, tanto de convencimento quanto de ajuda. Quando a pessoa encontra esse acolhimento, sente ter um espaço energético seguro para ela mesma realizar sua autocura – a força do NÓS. O melhor presente é a presença no aqui e agora, livre de qualquer pré-conceito ou rótulo, cultivando-se um olhar fresco.

Se recordarmos que somos todos parte da mesma consciência, cada treva que é iluminada em uma pessoa, ela representa um pouquinho de energia planetária que esta sendo transmutada. De fato, a única coisa que se pode fazer para ajudar o outro e o mundo é estar bem e inspirar pelo exemplo. Apenas com o nosso solo fértil é que podemos atuar como facilitadores, auxiliando cada um a realizar seu próprio germinar.

A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos. (Mahatma Gandhi)

Todavia, se tudo começa em nós, sejamos gentis conosco, pois a intolerância com o outro denuncia uma rigidez extrema interna – não confundir com auto-indulgência. Na senda iniciática, cair faz parte do caminhar, é um exercício constante de estar no chão e colocar-se de pé, o truque é não perder tempo lamentando a queda, e sim aprender, levantar e seguir. O erro pode ser contemplado, mas o peso do erro, esse alimenta energias ruins dentro de nós.

Por favor, não se trata de uma defesa do pecado (embora soe gnosticamente herético). Mas se encaramos ele como parte do processo, e deixamos de doar energia com pensamentos e emoções como culpa, julgamento, punição e vítima, deixamos de alimentar energeticamente toda a quadrilha de egos.

Verdadeiros seres humanos são aqueles que tratam seus companheiros com equanimidade, sinceridade, gentileza, tato, respeito e amor. Isto é espiritualidade na ação. A pessoa que corporifica tais qualidades torna-se próxima à natureza de Deus. A distância entre a verdade dela e a verdade Dele é de apenas um pensamento. (Brahma Kumaris)

Enfim, é imperativa a desconstrução da ideia de responsabilidade como algo pesado, pois não precisa ser assim. Se assumirmos a nossa natureza de co-criadores com Deus e conscientemente passamos a criar a nossa realidade, tudo fica leve, como uma brincadeira de criança – que para criança é seríssima, pois ela está ali, conectada com a sua essência, materializando a sua vontade no mundo e criando a sua realidade.

Só nos resta escolher.

12 Respostas

  1. Daniela Pardi Aurbach

    Que bacaníssimo, Olívia! Na realidade, tudo é muito simples! bj Dani

  2. RCG

    Uma amiga me falou de vocês, resolvi dar uma olhada. Fico meio chocado com as barbaridades que vocês falam. A seguir enumero os absurdos que vi neste texto.

    É o que dá misturar a obra do VM Samael, com coisas que nada tem a ver com a Gnose: completa falta de noção. Profanam a obra do Mestre Samael.

    “o egoísmo é sacrificado no altar do grupo, e assim nasce o altruísmo.” – Absurdo, o altruismo vai nascendo aos poucos a medida que o egoismo vai sendo eliminado, através da morte do ego.

    “…caem os limites do ego…”: que bobagem

    “…Deus emanou a criação para conhecer a si mesmo…
    Para que Ele possa reconhecer-se…” – fico imaginando
    de onde vocês tiram estas bobagens. Deus não precisa
    de nós, nós é que precisamos dele. Falam de coisas que não entendem.

    “Entende-se como Mestre aquele cuja conduta ensina mais do que suas palavras” – não, mestre
    é aquele que construiu o Corpo Causal.

    “…espiritualidade é fundamentalmente coletiva.” – não, o trabalho da revolução da consciência é individual.

    “Não nos libertaremos de fato até que a última alma retorne à Fonte – se todos somos um, não pode ficar nenhuma parte pra trás.” – esta acho
    que foi a pior de todas. “A cada um lhe será dado
    conforme suas obras”. E os mestres ressurectos
    que surgiram?

    “cada um está no degrau que precisa estar” – cada um está
    num determinado ponto pois se acomodou a ele. Isto
    me lembra o dogma da evolução. Muitos acham que vão
    ascender inexoravelmente com o tempo.

    “A purificação do vermelho ao branco só vem através da manifestação do ego para então contemplá-lo.” – não, contemplar o ego só vai robustecê-lo, é necessário morrer em si mesmo.

    “…autocura – a força do NÓS” – já é tão difícil
    trabalhar sobre si mesmo. Se depender dos outros estamos todos ferrados.

    “…somos todos parte da mesma consciência” – fala bonito, a respeito de coisas que não compreende, só por que leu ou ouviu alguém falando.

    “Se assumirmos a nossa natureza de co-criadores com Deus…” – menos, por favor. Somos “vis gusanos do lodo da terra”.

  3. Caro(a) anônimo(a) RCG,

    Somos muito gratos pelo seu comentário.

    Ele mostra com clareza o que existe de mais lamentável no gnosticismo contemporâneo. Raras vezes podemos contemplar um comentário tão profuso em fanatismo, ignorância e desprezo pelas reflexões alheias, e por este motivo entendemos que deva ser encarado como um elemento pedagógico de valor inestimável, já que ensina aos gnósticos exatamente aquilo de que deveriam se abster.

    Sendo assim, sinta-se sempre convidado(a) a compartilhar conosco o que existe de mais interessante em seu nível de Ser e de Saber, pois estamos sempre dispostos a aprender, seja com luz ou seja com sombras. E caso queira que seus “argumentos” sejam discutidos por algum dos professores da Sociedade Gnóstica, basta abandonar o anonimato.

    Abraços Fraternos!

  4. A pessoa que comentou acima (RCG) se chama Ricelli Camargo, pois me enviou o mesmo conteúdo do seu comentário por mensagem privada no facebook. Contudo, escolho responder por aqui, uma vez que o assunto é público e pode coincidir com as dúvidas de outras pessoas. Ademais, não se trata de algo pessoal, mas de discussão de idéias.

    Agradeço as críticas. É um exercício me desapegar das minhas próprias palavras, pois eu as envio com uma intenção mas cada um as recebe de acordo com o seu universo interno, interpretando-as das mais diferentes formas. Se até os textos mais sagrados dos Mestres foram distorcidos, imagine os de uma reles mortal cheia de defeitos.

    O exercício mais básico de auto-observação é perceber o incômodo e irritação que surgem frente a uma crítica, a uma ideia nova, a um artigo que se lê e tudo aquilo que surge quando nos relacionamos com o mundo (espiritualidade social). Através dos nossos espelhos é que vemos em nós quais egos que aparecem, que sujeira ainda há ali. Inicialmente culpamos os outros por isso, mas a gnose, inclusive a tradição que dá base a ela, nos ensinam a nos tornamos responsáveis pelo que sentimos:

    “Quem renuncia à convivência com seus semelhantes, renuncia também ao autodescobrimento.” (Samael Aun Weor)

    Interessante como é complicado ampliarmos a nossa visão, quando se inicia o contato com uma nova perspectiva e já se chega com um olhar viciado de uma outra pessoa ou de crenças próprias. Estamos acostumados a ver aquilo que é diferente como um anti-vírus: search and destroy (procurar e destruir) – é um exemplo claro do que descrevi no texto. Ao realizar a leitura com a cabeça e o coração cheios, não há espaço para absorver nada novo, e ainda adotamos uma posição de defesa pelas coisas dentro de nós que não querem perder poder. Logo, o ataque é a saída mais fácil que conhecemos – senão a única.

    “Somente dissolvendo o Eu desaparece a ignorância e o erro. Quando o Eu desaparece, o único que fica dentro de nós é isto que se chama AMOR”. (Samael Aun Weor )

    Sim, ‘o altruismo vai nascendo aos poucos a medida que o egoismo vai sendo eliminado, através da morte do ego.’ – foi exatamente isso que coloquei durante alguns parágrafos para entendermos que se trata de um processo. Entretanto, é importante ressaltar que o artigo fala sobre alguns aspectos do 3º fator, e não do 1º (morte do ego). Tal confusão e desatenção é natural quando os olhos não estão buscando ampliar o horizonte, mas apenas encontrar falhas.

    “É ridículo, espantosamente ridículo fazer guerra em nome da paz.” (Samael Aun Weor)

    A doutrina gnóstica, assim como outras linhas cristãs e espiritualistas desde a antiguidade até hoje convergem em um ponto comum: o amor. Desta forma, quando eu ataco o meu semelhante em nome de um Mestre, é uma pequena guerra santa que promovo dentro de mim e o ‘eu gnóstico’ faz a festa. De nada adianta eu conhecer os dogmas de fraternidade, mas usá-los para destruir o meu irmão. Isso sim é deturpar o ensinamento, a verdadeira profanação do amor e da compaixão que são a sua essência.

    “Os intelectuais são tão brutos que por falta de um ponto ou de uma vírgula, perdem todo o sentido de uma oração.” (Samael Aun Weor)

    Por fim, faço o convite para uma re-leitura do texto, com um olhar fresco e desprendido de pré-conceitos. Caso não haja uma segunda chance, tudo bem também, pois todos somos livres para entender o mundo à nossa maneira individual.

    Diferentemente de outros grupos, onde interpretações distintas são banidas, comentários deletados e pessoas bloqueadas, aqui estamos abertos a reflexão pois é através das diferenças que crescemos. :)

  5. Milton Daniel

    Olá Queridos, adoro muito tudo isso!
    Engraçado…eu era muito religioso, lí a Bília em um ano fora outros estudos do mesmo segmento, até que NATURALMENTE ME CAIU A FICHA!!! Descobrí a essência bíblica.:***E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará!***
    Sim, a verdade é que somos livres e somos teimosos em procurar laços e ‘as vezes colocamos nossa própria corda no pescoço!Afs!
    Hoje sou liberto de tudo a a coisa mais difícil foi me libertar da religião. Hoje sou um homem livre e de bons costumes sem ser religioso e o engraçado que a gente passa a ter mais fé, mais confiança,mais tudo…ver as coisas racionalmente.
    Abç!

  6. Olá Daniel!
    Concordo contigo… O conhecimento vem para nos libertar, como um norte de referência para navegarmos. Porém, se nos prendemos a ele, surge o apego e a identificação com a própria doutrina que serviria para nos elevar.

    Todos os caminhos levam a Deus, assim como toda religião está fadada a ser transcendida conforme o indivíduo for seguindo o seu Mestre interno. Essa pequena revolta contra tudo que já é conhecido é fundamental.

    “Eu não sigo ninguém, nem quero que ninguém me siga; o que quero é que cada um siga a si próprio. O que quero é que cada um escute o seu próprio Íntimo, que cada qual se converta em líder de si mesmo, em chefe de si mesmo. (…) Enquanto o homem estiver coagindo sua mente com o complexo de autoridade e de tradição, será um escravo.” (Samael Aun Weor)

    Se Cristo fosse completamente obediente à religião que conheceu, não teria abandonado o Judaísmo, mesma coisa o Buda com o Hinduísmo…

    Agradeço sua contribuição, abraço!

  7. Ézio Faganello

    Lindo texto, Olívia.

    Esse jeito de falar com o coração tem poder rsrrs.

    Bjs

  8. Gratidão querido Ézio!
    Sinto que é no coração que reside o nosso verdadeiro Poder, e não na mente. Mas enquanto tiver essa facilidade de colocar em palavras o que sinto, aqui estarei.
    Beijo grande!

  9. Ana

    Obrigada Olivia pelo texto e pelo convite para conhecer, estudar e aprender de forma tão verdadeira e amorosa.
    Beijo

  10. Olá Nousvate!
    Me encontro neste lugar de constante exercício de contemplação do que existe. Sinto que a verdade só floresce quando livre de qualquer projeção. Muito libertador… ;)
    Abraço.

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