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5 abr 2010

A Cabala e as Celebridades

Nos últimos anos, muitas celebridades têm aderido à Cabala como opção alternativa de espiritualidade. Não há dúvida que a mais famosa delas é certamente Madonna, a cantora que desde o início da carreira vive cercada pela controvérsia, e que plasmou sua admiração por esta antiga doutrina judaica em ao menos dois de seus mais recentes álbuns.

Entre muitos outros famosos que estão hoje relacionados à Cabala, encontramos o ator Ashton Kutcher, a atriz Demi Moore, o jogador de futebol David Beckham, o cineasta Guy Ritchie e a cantora Britney Spears.

Diante da adesão em massa de astros e estrelas a esta corrente espiritualista, é natural que tenham surgido questões a respeito da natureza do interesse de personalidades de grande expressão na mídia pela Cabala.

Afinal, a experiência mostra que, no mundo das celebridades, é difícil discernir entre o interesse pessoal verdadeiro e o oportunismo midiático, capaz de reverter qualquer banalidade em preciosos momentos de exposição pública.

Muito do que é feito e dito por pessoas famosas possui como fundamento exclusivo a necessidade de exposição e autopromoção, de modo que suas carreiras ganhem novo fôlego. Se isto ocorre de modo corriqueiro em relação a casamentos, divórcios, brigas, escândalos, revelações bombásticas, viagens e aquisições de bens, o que poderia ser dito então no tocante à opção religiosa ou espiritual?

É por isto que até mesmo a própria Cabala acabou maculada pela onda de famosos que resolveram adotá-la como prática espiritual. E isto não foi nada difícil, já que a maioria das celebridades resolveu frequentar o Kabbalah Center do rabino Yehuda Berg, com mais de 50 centros em funcionamento pelo mundo, e que costuma ser criticado por oferecer mais comercialização do que iluminação. Ali, a leitura do Zohar ganha a companhia da venda de pedras, velas, braceletes e água consagrada capaz de limpar a alma, tudo a preços nada módicos.

De qualquer maneira, é bem possível que mais além das urgências promocionais exista um fundamento razoável para o interesse das celebridades pela Cabala. É o próprio Yehuda Berg quem explica que as celebridades se sentem atraídas por esta doutrina porque são pessoas que já alcançaram grande sucesso material, tendo chegado a um momento em suas vidas no qual se perguntam: “E agora?”

Em termos materiais, trata-se de pessoas que já fizeram ou tiveram a oportunidade de realizar quase tudo. E tudo isso a custo de uma dedicação profissional extrema, tão intensa que costuma invariavelmente conduzí-los ao estresse, ao desajuste de comportamento e à dependência de álcool ou drogas.

No meio em que vivem as celebridades, seus egos se assemelham a balões infláveis, e as exposições públicas e os assédio interminável são como poderosas lufadas que os fazem crescer até o limite. Como se sabe, inclusive no próprio ensinamento cabalista, o ego traz apenas a ilusão da felicidade; sua face real é terrível, e o sofrimento é uma consequência inevitável.

Assim, não se pode duvidar da existência de uma busca autêntica pelos ensinamentos da Cabala, já que esta oferece ao indivíduo – não importa o tamanho do seu ego – a possibilidade de entender a sua relação com a divindade, além de visualizar um caminho de realização espiritual diverso e não tão reacionário quanto aquele oferecido pelas diversas vertentes do cristianismo atual. Enfim, a Cabala pode trazer a oportunidade de elaborar uma resposta àquela pergunta: “E agora?”.

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