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4 out 2011

Wabi Sabi, a Arte da Imperfeição

Perceber a beleza que se esconde nas imperfeições do mundo é uma arte. Os tapetes persas sempre ostentam um pequeno erro, um minúsculo defeito, com o objetivo de lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito. Assim é a condição humana, e a Arte da Imperfeição começa quando aprendemos a reconhecê-la e aceitá-la.

Wabi Sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. Trata-se de uma visão compreensiva do mundo, um sentido estético centrado na aceitação da impermanência, sendo descrita como uma noção de beleza imperfeita e incompleta.

Seu princípio é derivado do ensinamento budista conhecido como as Três Marcas da Existência, as quais são a impermanência, o sofrimento e a ausência de uma natureza essencial.

As palavras wabi e sabi não são fáceis de traduzir. Wabi originalmente se refere à solidão da vida selvagem, afastada da sociedade; Sabi significava algo como vazio. Com o passar do tempo estes significados passaram a adquirir uma conotação mais positiva.

Atualmente, Wabi significa simplicidade rústica, fresca ou silenciosa, podendo também ser entendida como elegância. Ela pode se referir ainda às anomalias que surgem durante o processo de construção, que conferem originalidade a um objeto. Sabi significa a beleza e a serenidade que vêm com o tempo, quando a vida do objeto e sua impermanência ficam estampadas em seu revestimento ou reparos visíveis.

Conta-se que, no século XV, um jovem chamado Rikyu queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá e procurou o grande mestre Takeno Joo. Para poder aceitar o rapaz era necessário submetê-lo a um teste. Então, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu limpou o jardim até que não restasse nem uma pequena folha fora do lugar.

Ao terminar, o jovem examinou cuidadosamente cada centímetro da areia do impecável jardim; cada pedra estava em seu lugar e todas as plantas estavam perfeitamente ajeitadas. Porém, antes de apresentar o resultado ao mestre, Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão.

Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu tornou-se um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi sabi: a arte da imperfeição.

Os mestres japoneses, com a cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo perceberam que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte. Não há porque esconder que elas são efêmeras e frágeis.

Eles perceberam a beleza e elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo: uma velha tigela de chá, o musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta manchada pelas mãos que a tocaram.

O arte do Wabi Sabi é inseparável dos ensinamentos do taoísmo e do zen-budismo. Todas as coisas são impermanentes… Todas as coisas são imperfeitas… Todas as coisas são incompletas… A beleza pode estar escondida na feiura e a grandeza existe nos detalhes despercebidos. A Arte da Imperfeição consiste em focar no intrínseco, no irregular, no despretensioso, no turvo, no envelhecido, ou seja, na simplicidade.

4 Respostas

  1. Gostei muito desse artigo Giordano.
    Ele reflete muito minha alma em busca da perfeição do meu espírito.
    Os seres humanos são imperfeitos por natureza e perfeitos por herança divina.

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