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O Ego se Dissolve Entre as Mãos

24 set 2014

O Ego se Dissolve Entre as Mãos

No dia 10 de setembro do ano de 2003, o poeta e líder budista Thich Nhat Hanh, discursou na Biblioteca do Congresso em Washington, D.C., para os congressistas e seus assessores. Muito conhecido pelo seu ativismo pacifista no Vietnã e pela indicação que recebeu de Martin Luther King Jr. para o Prêmio Nobel, o monge entregou uma lição valiosa e simples sobre o ego.

Minha mão direita escreveu muitos poemas que eu compus, enquanto minha mão esquerda não escreveu nenhum poema. Mesmo assim, minha mão direita não pensa da mão esquerda: ‘Você não presta para nada!’.

Minha mão direita não tem nenhum complexo de superioridade, e por isso ela é muito feliz. E minha mão esquerda não tem nenhum complexo de inferioridade. Portanto, nas minhas duas mãos existe uma sabedoria, uma sabedoria chamada de ‘não-discriminação’.

Eu me lembro que um dia eu estava com um martelo batendo em um prego. Minha mão direita não estava muito firme e, ao invés de acertar o prego, acertou o dedão da mão esquerda. Imediatamente, a mão direita largou o martelo no chão e começou a cuidar do dedão da mão esquerda de uma forma muito terna e carinhosa, como se estivesse cuidando dela mesma.

E a mão direita não disse: ‘Você, mão esquerda, você está vendo que eu, a mão direita, estou cuidando bem de você agora, você deve se lembrar disso, e você deve me pagar por isso de volta de alguma forma no futuro.’ Não há este tipo de pensamento. E minha mão esquerda não diz assim: ‘Você, mão direita, você me machucou muito, me dê este martelo, eu quero vingança!’

Não há este tipo de pensamento, porque as duas mãos sabem que elas estão juntas, elas estão uma na outra.

9 Respostas

  1. Themis Santos

    O texto é muito lindo, mas parece que muitos leem e não praticam por ser simples demais, até mesmo entre aqueles que se dizem gnósticos. Há algum tempo participava da comunidade fechada do Facebook criada pelo Giordano Cimadon, mas porque não tinha uma foto do meu rosto e também usava um nickname que não era da minha certidão de nascimento, por estas simples razões o Sr. Giordano simplesmente me deletou de sua comunidade. E agora leio esta mensagem tão bonita em que não devemos nos importar com a superioridade de quem faz algo melhor que nós. Penso que esta mensagem é para refletirmos sobre a nossa auto-importância, preconceitos. Nos mundos internos temos nomes diferentes do nome que nos foi dado no registro de nascimento.

  2. Regras são feitas para garantir a igualdade entre todos.

    Quem se sente igual, respeita as regras. Quem se sente superior, quebra-as.

    E a regra da mencionada comunidade, em relação aos perfis anônimos, é a seguinte:

    5. Não é permitido o ingresso de usuários anônimos e perfis falsos, pois esta condição ameaça o discurso civilizado que é característica de uma comunidade sadia e positiva. A identificação do usuário reflete a sua maturidade, e neste espaço buscamos reunir exatamente isso: pessoas maduras.

    6. Aqueles casos que puderem ser analisados com base nas regras aqui listadas serão deliberados pela moderação. Punições, quando existirem, serão aplicadas pelos moderadores, que possuem autonomia para tanto.

    Você será bem-vindo(a) sempre que respeitar as regras.

    Ou seja, sempre que não usar perfil anônimo.

    Abraços Fraternos!

  3. Maurizio Radloff Barghouthi

    As emoções equilibradas durante o dia seria?

    Opção 1: Estar feliz,contente pelo que tem,pela possibilidade de melhorar destruindo o ego,observando o melhor dos outros, agradecido, sorrindo de forma radiosa, rindo de aspectos ingenuos da vida, como uma criança? Até com vontade de dar uns saltinhos de alegria… Seria essas as primeiras manifestações para um centro emocional superior?

    Opção 2: Em primeira instância negar qualquer tipo de emoção.

    Opção 3: Alguma a sugerir?

    *Giordano onde poderia postar as minhas perguntas que as vezes podem não ser especificas do artigo da página??

    Muito Obrigado.

    Abraços Fraternos

  4. Olá Maurizio,

    Seria o que você descreveu na opção 1, mas sempre de forma espontânea, pois assim funciona o centro emocional superior: sem imitações, sem padrões, sem rótulos e com a mais absoluta espontaneidade.

    A opção 2 pode ser útil para que as energias emocionais não sejam desperdiçadas e para o autoconhecimento. Mas é necessário muito discernimento e boa orientação nesse caso.

    Para enviar outras perguntas, escreva para sgi@sgi.org.br

    Abraços Fraternos!

  5. Maurizio

    A opção 2 seria na maioria dos casos quando são, situações (internas e externas) negativas, que geram emoções negativas, ou as positivas “forçando a barra” não seria?

    No caso das situações (internas externas) negativas, nem sempre é possível evitar, porém as emoções, podemos eliminando através auto-observando, posterior meditação, e achando o Ego que está nos amaldiçoando.

    O “forçando a barra” poderia talvez ser definido como o Ego querendo aparecer para ser gratifcado ou aproveitador, com tal qual pose emocional.

    A emoção “tristeza” ela é sempre negativa?

    Poderia falar melhor do disernimento? Existe algum caso especial?

  6. Olá Maurizio,

    A opção 2 seria na maioria dos casos quando são, situações (internas e externas) negativas, que geram emoções negativas, ou as positivas “forçando a barra” não seria?

    Exatamente :)

    No caso das situações (internas externas) negativas, nem sempre é possível evitar, porém as emoções, podemos eliminando através auto-observando, posterior meditação, e achando o Ego que está nos amaldiçoando.

    Perfeita colocação. Este é o trabalho psicológico que a doutrina gnóstica nos ensina. Observar as manifestações do ego nos centros do pensamento, do sentimento, do movimento, do instinto e do sexo, meditar sobre o conteúdo observado e em seguida suplicar à Divina Mãe Kundalini a sua eliminação.

    E isso sempre em estado de Recordação Íntima de Si Mesmo.

    O “forçando a barra” poderia talvez ser definido como o Ego querendo aparecer para ser gratifcado ou aproveitador, com tal qual pose emocional.

    Sim, e geralmente com poses de serenidade artificial, produto do eu do orgulho e da vaidade. Por isso é necessário cultivar a espontaneidade, e aprender a não reprimir os eus e sim observá-los, compreendê-los e eliminá-los num trabalho diário e constante, de momento a momento.

    A emoção “tristeza” ela é sempre negativa?

    Sim.

    Poderia falar melhor do disernimento? Existe algum caso especial?

    Na linguagem gnóstica, o discernimento é a capacidade de viver de estar consciente de si em três níveis: (1) consciente de quem se é, (2) consciente daquilo com o que nossos cinco sentidos estão em contato, ou seja, daquilo que nos cerca, e (3) consciente de onde nos movemos e temos nosso Ser. Esta é a chave do SOL, a chave do discernimento, a chave da divisão da atenção em três partes.

    É preciso adquirir o hábito de realizá-la a todo instante, não com a mente, jamais com a mente, mas sim numa atitude da própria consciência desperta, em estado de Recordação Íntima de Si Mesmo.

    Abraços Fraternos :)
    Paz Inverencial!

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