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21 jun 2012

Eu Não Quero Ser a Reencarnação de um Mestre Budista

É bem provável que milhares, quem sabe milhões de budistas espalhados pelo mundo sonhem em segredo um dia serem reconhecidos por alguma grande autoridade dos Himalaias como a autêntica reencarnação de um mestre budista. Não é difícil imaginar alguém acalentando esta fantasia, especialmente depois de saber que até Steven Seagal foi reconhecido como um lama reencarnado, fato divulgado há algumas semanas e que provocou incômodo em algumas pessoas.

E se a saga espiritual do ator hollywoodiano despertou desconforto e estranheza, o mesmo poderá acontecer com a história de Yeshi Norbu, um italiano de ascendência tibetana que foi reconhecido como a reencarnação de um um monge mártir budista tibetano, mas que não está com a mínima vontade de assumir esta sua identidade espiritual. Na verdade, ele quer mesmo é seguir a carreira de executivo.

Os tibetanos costumam chamar Sua Santidade o Dalai Lama de vários nomes significativos além de seu título e de seu nome de nascimento. Um deles é Yeshi Norbu, que significa algo como a Joia Voluntariosa.

Curiosamente, o Yeshi Norbu italiano também é voluntarioso, e há cerca de 20 anos vem desafiando a vontade de seu pai, que deseja vê-lo assumindo seu papel dentro de uma tradição que vem sendo suprimida pelo poder chinês.

Este drama vivido entre pai e filho é contado no documentário My Reincarnation, dirigido por Jennifer Fox, que passou 20 anos envolvidas nas filmagens. Entre os anos de 1988 e 2009, ela e sua equipe trabalharam em cerca de 17 países.

O filme trata de temas como espiritualidade, sobrevivência cultural, identidade, herança familiar, maturidade e envelhecimento, além de vidas passadas e futuras. Conta o amadurecimento de Yeshi Norbu, filho de Namkhai Norbu Rinpoche, um tibetano que fugiu para a Itália em 1959 quando os chineses ocuparam seu país.

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Ainda pequeno, Yeshi ficou sabendo que era a reencarnação do irmão de seu avô, um mestre budista muito famoso, que morreu numa cela de uma prisão chinesa. Contudo, ele se recusa a assumir seu destino, e pretende se transformar em um homem de negócios ao estilo ocidental.

É com grande tristeza que Namkhai enxerga a tradição de seu país ser esmagada pela opressão chinesa. Este fator emocional desempenha um papel central na luta que o pai empreende para convencer seu filho a continuar estudando, praticando e ensinando o Budismo, assumindo seu papel como a reencarnação de um mestre do passado, ajudando assim a preservar para o futuro o que restou de sua cultura.

Três grandes atrativos temáticos estão presentes no documentário. O primeiro é o conflito de interesses entre pai e filho, numa luta para fazer prevalecer a tradição sobre a identidade individual. O segundo é a doutrina reencarnacionista budista, que apresenta a possibilidade de uma alma ser reconhecida quando habita um novo corpo. O terceiro é a luta de uma tradição de 2500 anos pela sobrevivência.

As imagens de águas e de Namkhai Norbu envolvido em seu passatempo preferido, a natação, são usadas de forma recorrente como metáforas dos ensinamentos de integração e de busca pelo vazio. Os sons produzidos por cantos e músicas tradicionais, combinados aos efeitos e à trilha sonora, são usados para expressar a visão do mundo espiritual que Namkhai tenta transmitir ao seu filho e ao mundo ocidental.

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