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22 set 2010

A Mumificação Viva de Monges Budistas

Cientes da exata data da própria morte, cerca de 24 monges budistas da região de Yamagata, no Japão, e que viveram no início do século XIX, prepararam lentamente seus corpos para que, ao final de um período de nove anos, ficassem completamente mumificados. O processo de sacrifício converteu estes monges em exemplos únicos de santidade.

Esta prática estranha à mentalidade ocidental teve sua origem com o sábio Kukai, fundador da escola Shingon. Após uma viagem para a China, Kukai retornou trazendo diversos ensinamentos tântricos secretos, que ao longo dos anos acabaram sendo perdidos na própria China. Uma parte destes ensinamentos consistia no processo de mumificação em vida, chamado Sokunshinbutsu.

A primeira parte desta mumificação durava três anos, quando os monges se submeteram a uma dieta especial, que consistia em uma alimentação composta exclusivamente de sementes e castanhas, além de uma rigorosa disciplina física, com o objetivo de eliminar por completo a gordura de seus corpos.

Em seguida, por outro período de três anos, os monges se alimentaram apenas da casca e da raíz de árvores. Isso fazia com que os fluidos corporais fossem rapidamente eliminados. Ao mesmo tempo, consumiam em pequenas doses diárias um chá venenoso feito a partir da seiva da árvore Urushi, usada normalmente como verniz em vasilhames de cerâmica.

Assim, seus corpos se tornavam venenosos demais para serem devorados por larvas e vermes. Desta maneira, o processo de decomposição de seus corpos era evitado. Por fim, os monges se trancavam em uma tumba feita de pedra, conectada ao mundo exterior apenas por uma estreita passagem de ar.

Dentro de sua tumba, o monge assumia definitivamente a postura de lotus, entrando em estágios muito profundos de meditação e permanecendo imóvel até a sua morte. Em suas mãos segurava unicamente um sino, o qual soava diariamente, fazendo saber às pessoas que acompanhavam sua mumificação se ainda estava vivo ou se já se encontrava morto.

Quando um dia a campainha parava de soar, o tubo de ar era retirado e a tumba era selada. A partir deste momento os demais monges do templo aguardavam por mais um longo período de três anos, para então abrir a tumba e verificar se o processo de mumificação tinha sido realizado com sucesso.

Os monges que conseguiam ser mumificados eram considerados verdadeiros Budas, e seus corpos eram posicionados em lugares especiais no interior do templo, de modo que pudessem ser contemplados pelos devotos. Já aqueles que não tinham sucesso na mumificação não eram considerados Budas, mas eram respeitados e venerados por seu esforço e sacrifício.

9 Respostas

  1. João Francisco

    No anime Inuyasha, há referência a esse tipo de mumificação. No desenho, o monge que era responsável pela defesa do vilarejo, foi corrompido pelo poder de um demônio. Um trecho muito interessante.

    Inclusive, a imagem do monge é bem parecida com a da foto.

  2. João Francisco

    Não sabia que Inuyasha é um mito. Mas, acho que merece uma análise, sim.

  3. Oi João,
    Me refiro ao mito criado pelo próprio Takahashi :)
    Eu não conhecia, fiquei sabendo e fui pesquisar só depois que li seu comentário.
    Acho que tem muitas temáticas mitológicas universais.
    E assim nascem os mitos…
    Reciclando as verdades universais e originando novas formas para as mesmas histórias :)

  4. Luciano

    Eu ja ouvi falar de um monge budista de taiwan morto em 1972 que teve o corpo conservado dentro de uma caixa com sal e depois disso teve o corpo banhado a ouro.

  5. Silvana

    fico imaginando…q objetivos espirituais teriam essa prática??? Bom…acredito q essa loucura toda…não foi à toa…

  6. Marto Lucas

    Acredito e respeito toda e qualquer alteridade + a minha formação judaico-cristã, eurocentrica e ocidental; simplesmente entende isso como um ABSURDO!!!

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