A Origem Gnóstica da Obra de Gurdjieff
Num acontecimento que ressaltou ainda mais o caráter perene e universal da Gnosis, pesquisadores descobriram, ainda em 1998, documentos que estabelecem ligações entre o conhecimento transmitido pelo sábio G. I. Gurdjieff, que ficou conhecido como O Quarto Caminho, e o Gnosticismo Cristão Esotérico.
Os escritores Hurley e Donson receberam das mãos de uma freira britânica um livro que deixou às claras conexões muito fortes entre a doutrina elaborada por G. I. Gurdjieff com a dos Padres da Igreja, os teólogos e mestres doutrinários dos primeiros séculos do Cristianismo. Entre estes Padres da Igreja encontram-se personagens gnósticos, como Clemente de Alexandria, Orígines, Ambrósio, Tertuliano, Santo Agostinho e Justino Mártir.

Conta a história de Gurdjieff que certo dia, um de seus discípulos mais famosos, Boris Mouravieff, teria feito a seguinte pergunta: “Qual é a origem de seu ensinamento esotérico?” Gurdjieff teria olhado para Mouravieff e respondido: “Talvez eu o tenha roubado.”
Os Padres da Igreja tiveram seus ensinamentos guardados nos Monastérios Ortodoxos da Rússia e da Grécia, onde a expressão mística no Cristianismo é mais pronunciada. É sabido também que Gurdjieff recebeu primorosa educação cristã diretamente de sacerdotes ortodoxos russos.
A própria forma de trabalho de Gurdjieff, estabelecendo grupos que passavam longas jornadas juntos e, em boa parte do tempo, em completo isolamento do resto da sociedade, espelha-se no ascetismo dos Padres da Igreja. Em outra parte interessante de sua história, Gurdjieff teria planos de levar seus discípulos ao Monte Athos, para que lá se conectassem com a autêntica tradição cristã gnóstica.
De acordo com os pesquisadores que fizeram a descoberta, Gurdjieff era inteligente a ponto de ter certeza que a forma mística através da qual ele recebera os ensinamentos do Cristianismo Gnóstico Esotérico não teriam impacto suficiente na sociedade européia da época. Assim, o sábio Mestre teria composto um sistema independente de religiões, o qual ficou conhecido pelos discípulos como “O Trabalho”.
É importante destacar que apesar de terem descoberto a origem do conhecimento difundido por Gurdjieff, tanto Hurley quanto Donson continuam aplicando o método descrito pelo Quarto Caminho, da mesma forma como aprenderam.
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Que aspectos do Trabalho representam conhecimentos adquiridos da Tradição Gnostica. Gostei da sua matéria mas gostaria de saber se há algum elemento específico que possa citar.
Obrigada,
Lilian
Olá Lilian,
Obrigado por sua mensagem. Realmente a matéria não explicita quais as relações entre o Trabalho e os referidos fundamentos gnósticos nos quais ele se baseia.
Acredito que a mais clara relação entre estas duas tradições – ou versões de uma mesma tradição, uma antiga e outra moderna, como afirma a matéria – possa ser encontrada no trabalho com os centros inferiores e superiores.
O ensinamento dos primeiros cristãos-gnósticos afirmava a necessidade de renunciar ao desejo pelas coisas mundanas, às emoções negativas e ao conhecimento humano ordinário. Em troca, estimulavam a busca por uma vida de hábitos simples, pela devoção e pelo conhecimento divino – ou Gnosis.
Estas três renúncias e estas três aspirações correspondem ao trabalho com os centros da máquina humana, seu domínio e equilíbrio, bem como o despertar dos centros intelectual e emocional superiores.
o conhecimento gnóstico já existe ha muito tempo,foi ocultado pelas religiões por mostrar a forma diferente e sem interesses materiais e filosóficos.
[...] O sistema de Gurdjieff parte do pressuposto de que os homens estão dormindo, são máquinas ambulantes que não sabem o que fazem. Isto porque o que geralmente achamos que é o EU é, na realidade, um conjunto de EUS que povoam nosso psiquismo. Este é o elemento central de sua proposta de trabalho, inspirada nas antigas ideias gnósticas. [...]