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Comunicação com os Espíritos

Há aproximadamente um século atrás, vivia nos Estados Unidos um homem muito curioso. Foi um grande empresário, mas destacou-se por ser cientista e inventor. Durante sua vida patenteou mais de mil invenções. Por mais de duas décadas foi considerado o “cidadão mais útil da América” e até hoje é o maior inventor de todos os tempos.

Certa vez teve uma idéia: “Será possível captar a voz humana e depois reproduzi-la?”; assim iniciou a construção de tal aparelho. Ao mostrar sua criação à comunidade científica foi motivo de chacota e reações hostis, chamado de charlatão, e seu invento foi considerado um mero truque de ventriloquismo.

Mas este nobre homem conseguiu comprovar a realidade e veracidade de sua invenção, rompendo com velhas crenças e ampliando os horizontes daquela geração. Inquieto que era, deixou que mais uma pergunta alimentasse sua mente criativa: “Se este aparelho capta e reproduz a voz humana, será possível captar e reproduzir a voz dos mortos?”

Desde então, este famoso inventor, cujo nome é Thomas Edison, dedicou-se secretamente às pesquisas da Metapsíquica e, somente aos 73 anos, em 1920, é que revelou seu interesse pelo sobrenatural a um amigo jornalista, que publicou a história na American Magazine. Este fato perdido na História foi descoberto pelo parapsicólogo brasileiro e pesquisador em TCI Clóvis Nunes. Na Biblioteca Nacional de Washington, Nunes teve acesso ao diário de Edison e ali encontrou anotações muito parecidas com o texto publicado na revista; ou seja, o artigo era autêntico.

Thomas Edison não foi o único que ficou inquieto com esta questão, porém em vida não conseguiu respondê-la. Ao longo destes anos muitos também partilharam desta curiosidade e após o desenvolvimento tecnológico e científico foi possível encontrar a resposta: “Sim, os mortos podem se comunicar.”

Vertentes religiosas como Espiritismo Kardecista, Budismo, Ocultismo, Esoterismo e tradições afro-brasileiras e muitas outras tratam a morte como uma passagem ou transição de um plano denso para um mais sutil. Contudo, em geral, a humanidade desta época não costuma creditar confiança na mística, deixando para as religiões tradicionais e a ciência materialista a tarefa de explicar este fenômeno com base na escassa  exploração deste tema. 

Alan Kardec, fundador da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, utilizava da Tiptologia (Mesas Girantes) para estabelecer comunicação com o Além. Através desta técnica e em “parceria” com os “espíritos”, escreveu dezenas de livros que informam como se dá o processo de Morte e o que acontece com a alma após a destruição do corpo físico. Afirma também que a Mediunidade é uma faculdade do cérebro humano, dependente do nível de desenvolvimento desta função biológica. 

A Transcomunicação Instrumental – TCI - a partir da década de 1950 surge como um fenômeno espontâneo do Além, e a partir de 1980 torna-se uma área de pesquisa da Parapsicologia e do Espiritismo Científico; seu principal objetivo é evidenciar que o processo de morte ocorre somente no corpo físico, ou seja, que a personalidade humana permanece viva em outra realidade ou dimensão.  

Inicialmente o fenômeno foi chamado Eletronic Voice Phenomena – EVP, que corresponde ao surgimento “espontâneo” de uma voz “acidental” em uma gravação comum, porém não audível em tempo real, mas perceptível somente ao ouvir a fita magnética ou gravação digital. O EVP é de extrema importância para a pesquisa em TCI, pois o uso de gravadores de voz é a base de registro e pesquisa, além do uso de equipamentos eletro-eletrônicos: TV, rádio-transmissor, computador, etc. 

A Transcomunicação pode ser dividida em dois segmentos. O primeiro é o Mediúnico, que necessita de um ser humano como intemediário. O segundo é o Instrumental e seus intermediários são aparelhos eletro-eletrônicos convencionais como: TV, gravadores de áudio e vídeo, etc. e específicos da área de pesquisa: psicofone, transmissores e receptores de alta-frequência. 

Em toda experiência de Transcomunicação existem quatro hipóteses. A primeira corresponde a fenômenos terrestres ordinários como a interferência de ondas radiofônicas ou de ondas do passado que permanecem na atmosfera. A segunda ao fenômeno parapsicológico, ou seja, a possibilidade de a mente dos pesquisadores interferirem nos experimentos e gravações em fitas magnéticas de áudio e vídeo.

A terceira é o fenômeno espiritual que ocorre quando uma entidade espiritual se expressa através dos recursos tecnológicos de áudio e vídeo, manipulando ondas eletromagnéticas audíveis e captadas por receptores mecânicos. A última é o fenômeno extraterrestre, quando um indivíduo de outro planeta ou galáxia teria recursos de interferir ou sintonizar sua tecnologia com a terrestre, gerando assim vozes e imagens.

Há muitas evidências que apontam para a realidade e veracidade deste fenômeno. Pesquisar a área do espírito nos dias atuais em nada difere da exploração da Física anterior a Newton, ampla e visionária, comprovada com o desenvolvimento tecnológico ulterior. Nem tudo que existe foi provado; a “gravidade”, a “relatividade do tempo e espaço” e o “magnetismo” já existiam antes que alguém os percebesse e estudasse.

É necessário estarmos atualizados, observar, investigar e desenvolver métodos e conceitos. A realização e o desenvolvimento de pesquisas como as realizadas em Transcomunicação Instrumental gradativamente estreitam o abismo que existe entre religião e ciência. Caso contrário continuarão valendo as sábias palavras de Albert Einstein: “A fé sem ciência é cega e a ciência sem fé é manca.”

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Sobre o Autor

Maria Cecilia Sakhr é escritora, poeta e professora gnóstica do Lumisial Pistis Sophia. Desenvolve pesquisas na área da Parapsicologia, investiga e aplica conhecimentos de Ocultimo e Esoterismo.

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