A Cabala e o Poder da Oração

Muitas pessoas pelo mundo afora rezam, mas também são muitas as pessoas que questionam a possibilidade de que alguma mudança ocorra a partir destas orações. A Cabala tem uma maneira especial de enxergar o ato de orar e apresenta uma perspectiva de como é possível estabelecer uma comunicação com Deus de modo que resultados honestos possam ser alcançados.

Pra início de conversa, os cabalistas afirmam que tudo depende daquilo que as pessoas entendem pela palavra oração. De uma maneira ou de outra, todas as pessoas rezam, mas poucas se perguntam a respeito do que estão realmente fazendo naqueles instantes de interiorização e mística, quando se pensa estar conversando com aquilo que se pensa ser Deus.

Então, a questão se torna um pouco mais ampla. Além de se questionar a respeito do tipo de oração que está sendo realizada, é preciso também pensar qual a ideia de Deus que se tem quando se busca conversar com ele e, através de uma oração, pedir alguma coisa.

Ao questionar o tipo de oração que está sendo realizada e a ideia de Deus para o qual está sendo endereçado um pedido, não se está querendo dizer que as orações ou o Deus de uma determinada religião seja mais eficaz ou mais poderoso que o Deus de outra religião.

Até porque, mais para além das discussões teológicas, sabemos que a divindade é a mesma, e são diferentes apenas as formas culturais nas quais sua representação e as formas de se comunicar com Ele (ou Ela, ou Eles, ou Elas, ou Aquilo) foram elaboradas.

Depois de compreendida esta questão, é importante saber que a Cabala não considera fundamental que as orações sejam feitas com a língua e com os lábios, como uma repetição de belas palavras ou frases que lemos em alguma liturgia ou em algum texto sagrado, ou mesmo através de dizeres espontâneos.

Para os cabalistas, a divindade não escuta como nós escutamos. As palavras, por si mesmas, não significam muita coisa nas orações cabalísticas, pois o que realmente importa é aquilo que está verdadeiramente dentro do seu coração. Em realidade, apenas um tipo de oração é respondido, que é aquele gerado por uma ânsia espiritual muito intensa, honesta e responsável.

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Na maioria das religiões, as pessoas acreditam em um Deus que está no controle de tudo o que acontece. Além disso, para estas pessoas, as coisas que acontecem ou podem acontecer a elas ao longo de suas vidas são classificados como boas ou más. Isso não é culpa das religiões, mas da relação que as pessoas acabam estabelecendo com as hierarquias, os ritos e os textos sagrados.

Quando pensam que algo mau está prestes a acontecer, tais pessoas imediatamente começam a rezar, pedindo à Ele (ou Ela, ou Eles, ou Elas, ou Aquilo) que mude sua intenção ou sua atitude, e que ao invés de permitir que algo ruim lhes aconteça, que seja bondoso e misericordioso e cancele ou reverta o acontecimento mau, transformando-o em bom.

Neste tipo de oração, a pessoa considera de antemão que as atitudes divinas são manipuláveis, e isso se fundamenta, em boa parte dos casos, na reivindicação de um direito ou herança divina, que pode ser fruto da crença na ressurreição de um de seus quatrilhões de filhos. Estas pessoas pensam que Deus deve mudar sua conduta para que suas vidas continuem confortáveis, ou seja, que Deus deve obedecê-las.

É bem verdade que este tipo de oração nem é bem uma oração, mas sim uma espécie de suborno sem efeito algum, já que as circunstâncias não mudam, a divindade não muda sua intenção e a pessoa não muda seu comportamento. No fim, a suposta oração não provoca nenhum efeito. Tudo continua igual, inclusive a esperança de que, na próxima vez, Deus escutará as preces fervorosas (leia-se desesperadas) de seu servo fiel (leia-se amo caprichoso).

Na Cabala, o que muda não são as palavras que formam a oração, mas a intenção de quem as profere. Um cabalista sabe que as intenções do Criador não mudam e que as circunstâncias provocadas por estas intenções são sempre boas. Ou seja, os seus efeitos da intenção divina não são bons ou maus, mas sempre apropriados, apesar de serem percebidos desta maneira num primeiro momento devido à própria natureza humana.

Quando estas constantes são compreendidas, a pessoa que reza se dá conta de que a única variável em jogo é ela própria. Então, ao invés de tentar modificar as circunstâncias (já que muitas delas são muito complexas ou acontecem tarde demais para serem mudadas), ou tentar chantagear a divindade, o cabalista reza para o Criador pedindo sua própria mudança, de modo que possa compreender a verdadeira natureza dos acontecimentos, os quais são essencialmente bons, justos e perfeitos.

Alterando a sua natureza interior, a pessoa pode sentir a atitude amável possui ao lhe enviar este acontecimento. E mesmo naqueles casos mais extremos, onde o acontecimento é considerado ruim ou desastroso, os cabalistas insistem que seu lado bom consiste no fato de ter despertado aquela ânsia espiritual muito intensa, honesta e responsável, que o eleva até o nível da atitude do Criador e entrar em harmonia com seus desígnios.

Esta ânsia é a verdadeira oração para o cabalista. Quando ela é feita desta maneira, mudanças verdadeiras ocorrem e a realidade do sujeito muda completamente, já que ele começa a viver de maneira integrada ao fluxo da intenção divina e a perceber os fenômenos da vida de uma forma completamente nova. Não se trata de resignação por fraqueza, mas de encontrar, através da oração, a fortaleza para se resignar com sabedoria e mudar paradigmas.

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Sobre o Autor

Giordano Cimadon é Psicólogo de formação e profissão. Professor de Gnosticismo, Esoterismo e Hermetismo, organiza os eventos da Sociedade Gnóstica. É escritor e responsável pela supervisão pedagógica de Cursos Online de Esoterismo, Ciências Ocultas (Tarô, Cabala, Astrologia, Magia Quiromancia, Runas) e Gnosticismo.

Comentários (1)

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  1. Marian de Araujo disse:

    Sei que diuturnamente sonho em prolongar os instantes de interiorização e mística para concentrá-los num plano enaltecedor que torne dignas de viver as
    horas de vida que nos são reservadas. Venho me dando conta que a idéia de Deus e aquela derivada das figuras bíblicas que me foram ensinadas durante décadas não me satisfazem, particularmente desde que percebi, no final do ano de 2011, que é rudimentar e até revoltante o que me transmitiam os estudos bíblicos. Na realidade, a confusão e a insatisfação sempre me dominavam e ainda me atingem, razão pela qual, por caminhos mais satisfatórios e mais amenos, o que busco é conseguir libertar-me.
    Anseio o crescimento e sou contrária a qualquer tipo de tortura, de matança, à ganância, ao atraso intelectual e espiritual. Amo a natureza pacífica e quero contar sempre com a imprescindível ajuda dela. Marian

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