Os Signos do Zodiaco na Mitologia Grega

Na Grécia antiga, os signos do zodíaco eram identificados com doze grupos de constelações que podem ser vistas nos céus em diferentes épocas ao longo do ano. A palavra zodíaco deriva do grego ζῳδιακὸς κύκλος (zōdiakos kuklos), que significa círculo de animais, em referência às criaturas vivas que representam estas constelações.

Com exceção do signo de Libra, todos os signos possuem relação com mitos gregos nos quais figuram estas criaturas. Começando com Áries no outono e seguindo seu curso ao longo do ano até terminar em Peixes, os mitos dos doze signos gregos busca explicar como estas representações encontraram seus caminhos até chegar aos céus.

Áries

O jovem Frixo, filho do rei Beócia, era odiado por sua madrasta Ino. Para destruir seu enteado, Ino sabotou os campos de trigo de Beócia, para que a culpa caísse sobre o inocente Frixo.

Ela propagou um falso oráculo, que exigia o sacrifício de Frixo em troca de uma boa colheita. Às vésperas do sacrifício, Frixo foi resgatado pelo carneiro voador que havia sido dado como presente pelo deus Hermes a Nefele, mãe do jovem.

O carneiro o levou até Cólquida, onde o rei Eetes concedeu a Frixo a mão de sua filha. Como agradecimento, Frixo sacrificou o carneiro a Zeus, e deu ao rei Etes a sua lã, que era dourada.

O rei colocou o velo de ouro sobre uma árvore e o fez ser guardado por um dragão que nunca dormia. Mais tarde Jasão viajaria até ali junto com os Argonautas para roubar o velocino de ouro e assim retornar ao trono do qual fora destituído.

Touro

O rei da ilha de Creta, chamado Minos, vendo seu trono ser ameaçado, pede a Posseidon que intervenha a seu favor, enviando um sinal de sua legitimidade.

Atendendo à solicitação de Minos, o poderoso Posseidon fez emergir do mar Egeu um touro branco extremamente belo e exigiu de Minos que sacrificasse o animal em sua honra.

Admirado com a beleza do touro, Minos tentou enganar o deus dos mares, misturando o touro branco com outros de seu rebanho e sacrificando outro em seu lugar. O touro branco, que era calmo, teve sua fúria atiçada por Posseidon.

Para acalmar a fera, a esposa de Minos teve com ele relações sexuais, e disso nasceu o Minotauro, que foi aprisionado em um labirinto e mais tarde vencido por Teseu. Furioso, o touro passou a aterrorizar Creta, e somente foi derrotado por Hércules, na realização de seu sétimo trabalho.

Gêmeos

A esposa de Tíndaro era a mais bela de todas as mulheres. Zeus não escapou de seu fascínio, e a visitou na forma de um cisne, enquanto Leda se banhava num lago.

Ela tomou o animal em seus braços e o acariciou. Meses depois, do ventre de Leda saíram dois ovos. No primeiro estavam Helena e Pólux, filhos de Zeus e por este motivo imortais, enquanto no segundo estavam Castor e Clitemnestra, filhos de Tíndaro, e por isso mortais.

Os dois irmãos cresceram juntos e desenvolveram uma grande amizade. Enfrentaram juntos muitos desafios, até que um dia Castor, durante uma batalha, é ferido mortalmente.

Pólux implora a Zeus que devolva a vida a seu irmão. A única solução encontrada pelo deus foi propor a divisão de imortalidade de Pólux com seu irmão. Pólux aceitou a proposta e os dois passaram a viver e morrer alternadamente. Comovido pela amizade dos irmãos, Zeus os transformou em um constelação.

Câncer

Para cumprir seu segundo trabalho, Hércules se dirige ao lago Lerna, onde encontra a terrível Hidra que expelia fumaças venenosas. Ao enfrentar o animal de várias cabeças, Hércules acaba tendo uma grande surpresa.

A cada cabeça que cortava da Hidra, nasciam duas em seu lugar. A solução foi encontrada por seu sobrinho Iolau, quem cauterizava uma a uma as cabeças que iam sendo cortadas, para que delas não crescessem outras mais.

Percebendo que a Hidra seria logo derrotada pelo poderoso Hércules, a deusa Hera envia um caranguejo gigante em auxílio a besta, conhecido como Karkinos ou Cancer.

Num primeiro momento, Cancer é capaz de machucar o pé de Hércules, mas o herói logo o vence. Mesmo tendo sido derrotado, Hera transforma Cancer em uma constelação, como recompensa por seu esforço.

Leão

Havia na planície de Neméia um leão que causava pânico nas multidões com seu terrível rugido que podia ser ouvido a kilômetros de distância. A criatura era filha de outras duas bestas mitológicas, o infernal Cérbero e a enigmática Quimera.

Poucos eram os que conseguiam se aproximar da fera, e aqueles que assim faziam eram devorados. Nenhum homem comum era capaz de matar o Leão de Neméia, uma vez que o seu couro não podia ser atravessado por arma alguma.

Coube à Hércules, no primeiro de seus doze trabalhos, derrotar o leão e trazer paz à região da Argólida. O início do combate foi desfavorável ao herói, que não conseguia atingir o animal com suas flechas.

Furioso pelo insucesso, Hércules desferiu um golpe violento com sua clava diretamente na cabeça do leão, fazendo-o cair desacordado. Então, como arma nenhuma perfurava seu couro, retirou a pele do animal com suas próprias mãos, para usá-la como manto protetor em futuras batalhas.

Virgem

De acordo com o poeta Hesíodo, a humanidade deve passar por Cinco Idades ou Eras, através das quais os valores se deterioram e os humanos se afastam dos deuses. A primeira desta idades era a de Ouro, em que os mortais viviam junto aos deuses e comungavam com eles.

A segunda era a de Prata, quando Zeus passa a governar o universo e pela primeira vez o homem se afasta dos deuses. A terceira era a de Bronze, quando as guerras e as paixões moviam as ações humanas.

Filha de Zeus e Têmis, a deusa Astréia, cujo nome significa virgem das estrelas, era a personificação da justiça, da pureza e da inocência.

Foi ela a última divindade a viver junto aos seres humanos durante a Era de Bronze. Decidida a finalmente fugir da loucura dos homens, Astréia ascende aos céus e é transformada em constelação, que passou a ser conhecida por uma das interpretações de seu nome.

Libra

Filha de Gaia e Urano, a deusa Têmis personifica a lei e a ordem divinas. Quando pequena, foi salva por sua mãe da loucura de Urano, e entregue para ser criada pelas Moiras, deusas antigas que manejavam a Roda da Fortuna, determinando o destino dos homens.

Foi com as Moiras que Têmis aprendeu sobre a ordem natural e cósmica das coisas. Tornou-se mãe das Horas, que determinavam a progressão ordenada do tempo, das estações e dos ciclos. Carregava uma balança, instrumento que se tornou o símbolo da constelação de Libra.

Todos os anos, por duas vezes, o Sol se posiciona no mesmo plano da linha do equador de nosso planeta, fazendo com que os dias e as noites tenham a mesma duração, ou seja, estejam em equilíbrio.

Este acontecimento astronômico recebe o nome de equinócio. Um deles marca o início do outono, quando astrologicamente o Sol entra no signo de Libra. É por este motivo que este signo é representado por uma balança, recebendo este nome, libra, que em latim significa balança.

Escorpião

Caçador exímio, mas por vezes inconsequente, o gigante Órion invejava a impressionante habilidade de caça da deusa Ártemis. Um dia decidiu medir forças com ela, e se dirigiu a Creta para se juntar à deusa em uma caçada.

Durante o evento, Órion afirmou ser o maior caçador existente, ameaçando matar todas as criaturas vivas da terra. Aterrorizada com sua insolência, Gaia enviou um escorpião gigante para dar fim à vida do caçador.

O escorpião cumpriu sua missão. Apiedadas da morte do gigante, as duas deusas, Ártemis e Gaia, pediram a Zeus que o levasse aos céus e o transformasse em constelação.

Zeus atendeu o pedido, mas decidiu também levar o escorpião e transformá-lo em constelação, para que assim os mortais nunca esquecessem das consequências de se deixarem levar pela arrogância.

Sagitário

Os centauros eram criaturas compostas, metade humanos e metade equinos. Seus mitos revelam o contraste de sua conformação física; ora são retratados como criaturas perversas, violentas e cruéis; ora são sábios, professores e filósofos.

Entre todos, o centauro Quiron era o mais exaltado entre os seus pares, pois apesar de sua aparência que transtornava os gregos aficcionados à estética, ele era civilizado, muito inteligente e extremamente bondoso.

Entre seus discípulos encontramos personagens da magnitude de Aquiles, Dionísio, Enéias, Hércules e Jasão. Certo dia Cronos se enamorou da ninfa Filira, e assumiu a forma de um cavalo para cortejá-la.

Desta união nasceu Quiron; filho de um deus, desfrutava da imortalidade. Mas sua bondade era tamanha que, seguindo conselho de Hércules, cedeu sua imortalidade em troca da liberdade de Prometeu, que estava acorrentado à rocha por ter entregue o fogo divino à humanidade.

Capricórnio

Quando o deus Cronos começou a devorar seus filhos, sua esposa Réia foi capaz de salvar seu filho Zeus, dando ao deus uma pedra enrolada em roupas de criança e entregando o pequeno Zeus à Amaltéia, uma cabra sagrada que o nutriu com seu próprio leite.

Como gratidão pelo seu carinho, Zeus quebrou um dos chifres e Amaltéia, enchendo-o de flores e frutos e prometendo que este chifre supriria em abundância tudo que ela desejasse.

O chifre de Amaltéia foi possuído por inúmeros personagens mitológicos, pois era tido como símbolo de riquezas inesgotáveis.

Era conhecido pelo nome de cornucopia, ou o chifre da abundância. Na Grécia antiga, era comum o uso dos vasos rhyton e keras, que possuíam a forma semelhante a um chifre, e representavam a abundância, a fertilidade e a felicidade.

Aquário

Ganimedes, príncipe de Tróia, era o mais belo dos mortais. Em sua juventude, enquanto cuidava de um rebanho, foi surpreendido por uma águia gigante, que o raptou e levou ao Olimpo.

Esta águia era o próprio Zeus, quem desejava ter Ganimedes junto aos deuses para a eles servir o néctar da imortalidade. Seu nome significa “aquele que se regozija na virilidade”.

Tros, o pai de Ganimedes, sentiu muito a ausência do filho. Como forma de restituição, Zeus e Hermes presentearam o rei com dois cavalos imortais, cujo galope era tão suave que o permitia cavalgar sobre as águas.

Hermes ainda garantiu a Tros que seu filho serviria aos deuses enchendo suas taças com o néctar da imortalidade, uma posição de grande prestígio junto ao Olimpo. Mais que isso, em homenagem à beleza de Ganimedes, Zeus o tyransformou na constelação de Aquário.

Peixes

Um dos maiores inimigos de Zeus e dos deuses do Olimpo, Tifão era o deus da seca e dos ventos furiosos e violentos. Era pai de criaturas horripilantes, como o Leão de Neméia, a Hidra de Lerna e o cão Cérbero.

Seus pais, Gaia e Tártaro, o mantiveram em uma caverna impregnada de vapores tóxicos, de onde provocava gigantescos terremotos.

Certa vez Tifão resolve perseguir Afrodite e seu filho Eros. Os dois pedem desesperadamente por ajuda, tanto para homens como para deuses, mas ninguém os atende devido ao pavor que sentem de Tifão.

A única que os ajuda é a cabra Amaltéia. Ela indica o oceano como único refúgio para Afrodite e Eros, já que Tifão jamais poderia alcançá-los ali, por ser o deus da seca. Os dois então se transformam em peixes e descem ao fundo do mar, unidos por um fio, para que não se perdessem um do outro.

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Sobre o Autor

Giordano Cimadon é Psicólogo de formação e profissão. Professor de Gnosticismo, Esoterismo e Hermetismo, organiza os eventos da Sociedade Gnóstica. É escritor e responsável pela supervisão pedagógica de Cursos Online de Esoterismo, Ciências Ocultas (Tarô, Cabala, Astrologia, Magia Quiromancia, Runas) e Gnosticismo.

Comentários (12)

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  1. Muito legal, apesar de a mitologia grega ser uma confusão de gente virando bicho e fazendo filho… rsrs

  2. Paulo Sérgio disse:

    Olá Giordano,

    Muito bom e interessante esta descrição mitológica de cada signo.

    Só falta, para completar esta transcrição histórica lendária, a sempre presente influência exercida por cada signo na vida de um nativo associado a uma das representações zodiacais.

    Porém, nunca devemos esquecer que um nativo de qualquer signo não responde, na íntegra, às características desse signo solar, só se poderá conhecer bem alguém, quando fazemos um mapa natal criterioso, contendo toda a informação astral conjugada na relação planetária relativa à data do seu nascimento. Só nessa altura podemos saber que tipo de pessoa temos à nossa frente.

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

  3. Nunca tinha me deparado com estas explicações, que meu Deus do Céu, estou impressionado com tamanha inspiração em criar mitos, os gregos realmente brilhavam sobre a influência de Venus!

  4. Fabio,

    É interessante notar que, em alguns casos, existe mais de um mito relacionado à criatura que representa a constelação. Isso sem contar que aqui expusemos apenas as doze constelações convencionais da astrologia!

  5. Paulo,

    É nossa intenção, em breve, disponibilizar um texto que contemple exatamente o tópico que você mencionou. E no futuro pretendemos oferecer uma forma de consultar e interpretar o mapa natal individual, através do site.

  6. Paulo Sérgio disse:

    Obrigado Giordano!

    Muito bem, para a frente é o caminho permanente da evolução, partilhada com quem quer saber e evoluir mais!

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

  7. Paulo Sérgio disse:

    Giordano,

    É bom disponibilizar uma tabela que possibilite a consulta de um mapa natal completo neste site, porém, todo o conhecimento psico-transcendente de alguém, suas tendências e rumos para o futuro, deverão ser criteriosamente analisadas por quem estuda em profundidade estes temas.

    Uma análise profunda de uma mapa natal requer conhecimentos práticos, experiência e intuição para que se possa perceber, por inteiro, o caminho percorrido e as novas etapas que deverão ser alcançadas ou rejeitadas, mediante o processo evolutivo de cada um.

    Mas, Giordano, ponha em prática essa intenção, só enriquecerá este site.

    Abraço fraterno
    Paulo Sérgio

  8. Júlia disse:

    Eu AMOOOOOOO mitologia grega,achei SUPER INTERESSANTE, mas parei de les ,quando colocaram q CRONOS é um DEUS!!!!! Poxa vida!É tao complicado assim!?Cronos,filho de Gaia e Urano, é um TITÃÃÃÃÃÃÃÃÃ

  9. Olá Julia,

    Agradecemos sua colaboração, mas realmente não vemos nenhum inconveniente em tratar Cronos como um Deus. Especialmente pelo fato de muitos estudiosos da mitologia e das religiões comparadas fazerem o mesmo.

    Sugerimos consultar a obra de James George Frazer, O Ramo de Ouro, e lá verificar que o eminente antropólogo faz o mesmo.

    Outra consulta interessante seria à obra Pagan and Christian Mysteries, editada pelo famoso Joseph Campbell, que traz textos de destacadas figuras, tais como C. G. Jung, Julius Baum e Hugo Rahner.

    No primeiro texto, intitulado The Mystery of the Serpent, seu autor Hans Leisegang, assim como o já citado Frazer, faz referência a Cronos como um Deus.

    Assim, esperamos ter contribuído para esclarecer qualquer mal-entendido.

  10. Naiane disse:

    Gosto muito da cultura Grega, sempre me fascinou, tem explicação para tudo , existencia do universo, do homem…

  11. Milton Zampieri disse:

    Prezado Giordano, Porque temos matérias com 13 simbolos zodiacais e não mais 12? Estou falando de Ophiucus o Serpentário. Isto altera a coniguração atual? Mexe nas datas e nos signos do zodíaco? Abraço, Milton Zampieri

  12. ana caroline disse:

    Gente muito interessante…eu amo mitologia….adorei..

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